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Autora: Marina Almeida
09 Novembro 2021

 

Encontro de Semifinalistas de Poema

Começa nesta terça-feira, dia 9/11, o Encontro de Semifinalistas do gênero Poema. De forma remota, os(as) professores(as) e suas turmas classificadas para esta etapa participarão de palestras, fóruns, roda de conversa e ateliê de escrita, entre outras atividades formativas e culturais.

Após quatro dias de atividades, o Encontro de Poema se encerra na sexta-feira, dia 12/11, quando haverá a cerimônia de encerramento e a divulgação dos nomes dos(as) finalistas. O evento será transmitido às 18 horas (horário de Brasília) pelo canal do YouTube da Olimpíada de Língua Portuguesa e também pelo Portal Escrevendo o Futuro.

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Atividades

As atividades se iniciaram antes do Encontro, na Semana de Boas-vindas – uma oportunidade de docentes e estudantes se familiarizarem com o ambiente virtual de aprendizagem e de conhecerem melhor os(as) colegas dos próximos dias. As propostas desta semana também proporcionam a ampliação do repertório cultural e um primeiro mergulho no gênero Poema para os(as) participantes.

Nos dias do Encontro, os(as) estudantes serão orientados a compor uma quadra sobre o lugar onde vivem. As atividades ainda preveem a declamação do poema e a criação de um novo texto poético a partir da união das diversas quadras da turma.

Na palestra, os(as) estudantes irão conhecer Jarid Arraes, que é contista, poeta e cordelista. Nascida em Juazeiro do Norte (CE), a autora já publicou mais de 70 títulos em Literatura de cordel, dentre eles Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis e As lendas de Dandara. Outros trabalhos da escritora incluem o livro Um buraco com meu nome (2018) e Redemoinho em dia quente (2019), além de colaborações para diversos portais e revistas e a criação do Clube de escrita para mulheres.

Já as atividades com os(as) professores vão ter foco no Relato de prática e na narração do que foi vivenciado. Também estão previstas rodas de conversa e outros momentos de trocas entre os(as) participantes.

Na palestra, os(as) docentes poderão conversar com Ailton Krenak – ambientalista, filósofo, poeta e escritor brasileiro da etnia indígena Krenak. Nascido na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, ele é considerado uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro. Krenak fundou a ONG Núcleo de Cultura Indígena, organizou a Aliança dos Povos da Floresta e é doutor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Acompanhe toda a cobertura dos Encontros pelo Portal Escrevendo o Futuro e compartilhe suas experiências nas nossas redes sociais com a hashtag #PoemaOLP.

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1º dia


Transformando palavras em poesia

Atividade com estudantes propõe criação de uma quadrinha sobre o lugar em que vivem; já professores(as) refletem sobre vivências da pandemia

Marina Almeida

Poesia é como andar sobre o mar. Ou flutuar sobre as nuvens. As duas definições, que surgiram no primeiro dia de Encontro de Semifinalistas de Poema, na turma do formador Daniel Carvalho, mostram a sensibilidade e o potencial dos(as) jovens estudantes. “As crianças têm uma fala poética, que já é natural delas”, aponta. Daniel conta que estava preocupado com o formato remoto do Encontro, mas se surpreendeu: “fui professor por muitos anos, mas tinha esquecido como crianças são espontâneas”, diz.

Meu querido lugar

O lugar onde eu vivo

É bom de apreciar

Tem chapadas e atrativos

No sertão a encantar

Marcos Antônio - Picos (PI)

“Eles estão empolgados por terem chegado até aqui. Estavam ansiosos pelo encontro e querem muito participar”, conta a formadora Aline Santos. Com muitas câmeras abertas e comentários por chat e microfone, ela conta que o encontro foi bastante dinâmico e que não viram o tempo passar. “Fazíamos perguntas para rememorar conceitos como rima e eles já traziam a definição completa”, lembra.

Minha cidade

Minha cidade é linda de amar

Ela se localiza no Estado do Amapá

O caudaloso Amazonas

Está sempre a lhe banhar.

Endrick Kayki Magalhães da Silva - Santana (AP)

Na turma de Aline, além dos(as) estudantes que assistiam de casa à formação, havia duas turmas que acompanhavam da escola, e em conjunto, a aula – solução encontrada para contornar as dificuldades individuais de acesso à internet. “Eles também faziam perguntas, levantavam a mão na sala para participar e as professoras que estavam com eles ajudavam nessa organização”, explica.

A Balsa Mearim

A Balsa Mearim

atravessa muita gente

atravessa todo mundo

o triste e o contente

Antonio Wandrian de Santana Martins - Esperantinópolis (MA)

No encontro de hoje, os(as) estudantes reviram temáticas de Poema, como rima, métrica, estrofe e verso. Também discutiram o formato quadrinha, a partir de exemplos e canções. Como tarefa, foram convidados(as) a compor uma pequena quadrinha, seguindo sua estrutura formal, sobre o lugar onde vivem. “Também orientamos sobre como observar esse lugar, fechar os olhos e sentir seus cheiros, ouvir seus sons, ver os detalhes. E lembramos que não precisa falar só sobre o lado bom desse local”, conta Daniel.

Um lugar onde eu moro

Eu moro em Costa Rica

Desfruto da sua beleza

Com cachoeira e flores

Inspira na natureza

Marcos Antônio Oliveira de Souza - Costa Rica (MS)

 


Para o formador, com didática e uma boa metodologia, as crianças são capazes de fazerem textos poéticos e complexos. “Poesia é o criançamento das palavras, como diz Manoel de Barros. Por isso é mais fácil trabalhar poema com elas. Depois é só colher, falar para elas que aquela fala e aquele pensamento delas é poético. É até mais fácil que com o adulto, porque ele reprime as fantasias, a criança não.”

 

Docentes

No encontro da manhã com professores(as), a animação foi a mesma. A formadora Lilian do Rocio conta que eles(as) estavam muito emocionados e orgulhosos(as) de terem chegado à Semifinal. “Muitos estão participando pela primeira vez da Olimpíada ou desta Etapa”, diz. Ela ainda ressalta o número significativo de docentes que atuam na zona rural ou em cidades pequenas. “Muitos professores vêm dos interiores do Brasil. É interessante que estejam aqui, até porque são os que menos têm acesso aos programas de formação continuada”, avalia.

A grande diversidade de regiões presentes no encontro também chamou a atenção de Lilian. “Tínhamos os mais diferentes falares e sotaques, mas, como eles mesmos perceberam, suas trajetórias foram muito semelhantes nesses últimos dois anos”, conta. “Também percebemos que passam um momento de reflexão sobre o que viveram e o que fizeram neste momento de pandemia. Eles abordaram não apenas mudanças na rotina, mas perdas pessoais.”

Lilian ainda lembra que vários(as) professores(as) contaram ter sido entrevistados(as) pelos jornais locais por conta da classificação na Semifinal. “É interessante que desta vez a educação seja notícia por um aspecto positivo, já que geralmente vemos só o que é negativo na imprensa”, diz.

 


2º dia

10 Novembro 2021

 

Poemas jenipapo: o tempo e a língua da poesia de Ailton Krenak

Em palestra para professores(as), o escritor e ambientalista falou sobre oralidade e a diversidade linguística do Brasil

Marina Almeida

“Poesia é tudo que podemos expressar de dentro de nosso ser”, diz Ailton Krenak na palestra aos professores(as) semifinalistas do gênero Poema. Ambientalista, filósofo, poeta e escritor da etnia indígena Krenak, ele é considerado uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro. O autor também falou sobre o tempo na criação poética: “até os 40 anos eu não estava nem aí para a poesia, porque tinha muita pressa e para a poesia é preciso parar”. E compara o tempo de sua produção ao Jenipapeiro: “a árvore leva muitos anos para começar a dar frutos. Faço poemas jenipapo”.

Ailton propôs uma reflexão sobre as línguas faladas no Brasil. Ele lembra que a Língua Portuguesa veio para o Brasil no processo de colonização, mas que já havia muitas línguas indígenas faladas aqui, além das línguas de origem africana que chegaram com as pessoas escravizadas. “Até o século XVIII, nas ruas, se falava o nheengatu, o tupi, as línguas africanas. O português era a língua da escrita, dos documentos oficiais. Até hoje o nheengatu é falado em vastas áreas da Amazônia”, avalia o escritor que é fundador da ONG Núcleo de Cultura Indígena, participou da Assembleia Constituinte de 1988, organizou a Aliança dos Povos da Floresta e é Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O autor lembra ainda do papel da escola no processo de apagamento dessas outras línguas: “há muitas línguas que foram invisibilizadas na literatura e também na sala de aula. Mesmo as crianças indígenas na escola tinham que aprender a Língua Portuguesa senão eram reprovadas de ano.”

 


Ailton lembra que hoje se discute muito a descolonização do pensamento e questiona: “o que fazer com essa língua que suplanta as línguas indígenas e as que vieram da África?” Ainda que não apresente uma resposta fechada, o escritor recorre à poesia para pensar sobre como a língua vai se construindo também a partir dos seus falantes. “Eu sou da região do rio Doce, em Minas Gerais, que foi devastado pela mineração. Carlos Drummond de Andrade fez vários poemas sobre essa área, denunciava a violência contra o rio e a montanha... Ele também inventava palavras”, lembra. “Somos capazes de produzir uma fala de dentro de casa a partir de uma língua que chegou a nós como estrangeira.”

 

Sobre as muitas formas do português, ele cita ainda a falada em África. “A Língua Portuguesa tem abrangência tão grande que é cantada até por Cesária Évora, em Cabo Verde. Quando ouvimos, parece português, mas tem palavras no dialeto de lá.”

Ailton também faz uma crítica à escola que, muitas vezes, corrige o(a) estudante que cria uma palavra ou que não segue a gramática padrão. “Exige que ele produza numa língua que não é a que ele vive”, diz.

Oralidade

“A oralidade é o chão comum de todos nós – indígenas, negros e brancos. A mãe de todas as escritas é a fala. A matriz de todas as culturas é a oralidade”, destaca Ailton. Ele lembra que mesmo na Europa, até o século XVIII, apenas um pequeno grupo tinha acesso ao texto escrito: “o resto da humanidade estava conversando”.

Ailton ainda ressalta que a oralidade está vinculada à ancestralidade, às narrativas e aos cantos. Para ele, a oralidade preserva conhecimentos que podem se perder na escrita: uma forma de falar, um jeito de cantar, as gírias. “A gente não escapa ao universo linguístico em que nasce e cresce.” O escritor conta que perto de onde vive há uma comunidade de idioma pomerano, uma língua de origem alemã e polonesa. “Não tem outro lugar no mundo que fala essa língua, apenas aqui. Se for para a Europa, eles não falam mais lá.” E conclui: “as línguas viajam no nosso corpo”.

Os(as) professores(as) se identificaram muito com as falas de Ailton Krenak e contaram sobre a diversidade linguística que encontram em suas turmas. Uma professora falou sobre o esforço de retomada da língua Kokama na escola indígena em que leciona. Outros docentes contaram sobre os(as) estudantes imigrantes de suas unidades, que não dominam o português e fizeram poemas em suas línguas maternas.

Uma professora comentou ainda que se impressionou ao mudar para o interior de seu estado e perceber o preconceito de seus estudantes contra os indígenas. Ailton lembrou que “é no interior que o conflito [de terras] acontece, não na Avenida Paulista.” Segundo ele, é por isso que, nessas regiões, o discurso de desumanização do indígena também vai aparecer com mais força, inclusive no uso de termos como índio ou bugre.

Ailton ainda defende que a discussão sobre lugar de fala é também uma forma de retomada. “Estamos saindo do escuro e avançando para um lugar de visibilidade dessas carências”, diz. Ao final do encontro, o escritor leu um poema de sua autoria que pensa o rio como um caminho por entre a cidade.

 

O cordel negro e feminino de Jarid Arraes

Em palestra para os(as) estudantes, a escritora conta sobre a dificuldade de se identificar com os escritores tradicionais e sobre seu trabalho com poesia

Marina Almeida

“Sonhava ser escritora, mas parecia algo impossível, nunca tinha conhecido uma autora que fosse parecida comigo: mulher, negra, do sertão”, revela a poeta, contista e cordelista Jarid Arraes, em palestra para os(as) estudantes semifinalistas no gênero Poema.

Ela conta que o amor pelas palavras vem de família. Seu pai e avô são cordelistas, a mãe era professora e o contato com os livros aconteceu desde cedo. “Aos 6 ou 7 anos eu queria saber o significado das palavras e perguntava sempre para minha avó. Até que um dia ela me deu um dicionário de presente. E eu lia o dicionário como um livro. Achava muito interessante como tinha tantas palavras para falar da mesma coisa”, diz.

Jarid conta que se lembra do primeiro poema que leu na escola “Porquinho-da-Índia”, de Manuel Bandeira. Ela ficou encantada com a ternura do texto e comentou com seu pai, que a apresentou a outros autores e emprestou seus livros para a menina. “Em pouco tempo já tinha lido tudo”, fala. “Mas tanto os livros do meu pai quanto os da escola eram escritos todos por homens. Fui pesquisar e descobri Florbela Espanca e Cecília Meireles, mas só elas.”

 


Mais velha, aos 19 anos, e com acesso à internet, Jarid continuou sua busca por autores com que pudesse se identificar. Foi quando descobriu os Cadernos Negros, uma série de publicações literárias de autores afro-brasileiros. “Lá conheci a poesia de Conceição Evaristo, que foi a primeira mulher negra que li. Fiquei arrebatada. As palavras de Conceição foram uma espécie de autorização para que eu pudesse me permitir sonhar e escrever. Vi que eu também podia escrever, que não estava condenada ao silêncio, que minhas palavras também poderiam estar num livro um dia”.

 

Cordelista

A partir daí, Jarid passou a buscar a publicação de seus textos, apesar da vergonha e do medo que ainda sentia. Seguindo a tradição familiar, suas primeiras experiências foram com o cordel, ainda que diferente do que costumava ler em muitos poemas desse gênero. “Até então só tinha lido histórias em que os homens eram protagonistas e as mulheres eram tratadas de forma pejorativa. Histórias em que as pessoas negras eram retratadas de forma muito racista, caricatural.” Ela trouxe uma outro olhar para o formato cordel: “eu queria trazer as mulheres como protagonistas das histórias, contar as histórias de grandes mulheres negras que fizeram a história do Brasil, mas que a gente não conheceu na escola, nem na TV.”

A escritora fala ainda das vantagens do cordel, como o baixo custo de cada exemplar e o ritmo da leitura. Para calcular a métrica, ela mostra aos alunos como ler marcando o ritmo com batidinhas. Jarid tem ainda outra estratégia: “leio como se fosse um forrozinho. Se dá para cantar é porque o tempo dá certo”.

Ela conta que, ao sentar para escrever, o texto fluiu com facilidade. Mas ressalta: “é importante dizer que isso não aconteceu por um talento, não é porque eu tinha o dom. A escrita e a literatura são seres familiares, quanto mais a gente se relaciona, se familiariza com essas linguagens, chega perto delas, lê, melhor a gente fica também na escrita. Era lógico eu conseguir escrever cordel, porque eu cresci, desde pequenininha, ouvindo e lendo cordel.” Essas histórias em cordel deram origem ao Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis, que foi posteriormente publicado como livro.

Seu primeiro livro, As lendas de Dandara, também segue a linha de buscar contar a história de uma mulher negra importante para o Brasil – Dandara participou do quilombo de Palmares e foi esposa de Zumbi. “Meu sonho era que meus livros chegassem às escolas, para ajudar a reparar uma mentira que foi contada para a gente de que as pessoas negras não se revoltaram contra a escravidão, de que não conquistaram, não inventaram grandes coisas.”

Ela ainda conta sobre as dificuldades que enfrentou para conseguir publicar seu livro, já que as editoras diziam que não havia interesse do público para aquele tipo de obra. Jarid fez uma publicação independente de seu livro, vendendo pelas redes sociais, que esgotou a tiragem inicial. “Isso significa que havia, sim, interesse por essa temática. Gostaria de ter ouvido falar dessas personagens quando eu era mais nova, serviria como uma espécie de espelho. Se faria diferença para mim, poderia fazer para a vida de algum estudante também.” E confessa que, para ela, ser lida por estudantes é sua maior realização como escritora.

“Gostaria de inspirar vocês, porque a literatura e a poesia são criatividade. E criatividade exige diversidade, perspectivas diferentes, formas de escrever diferentes. Não existe certo ou errado, o que existe é a expressão artística do seu sentimento e sua opinião”, diz a escritora. E conclui: “sempre vai ter alguém interessado naquilo que você quer dizer. Sua voz é única e só você pode contar sua história do seu jeito. Quando você conta, a história tem um poder diferente. Isso é ser dono de suas palavras e não deixar que ninguém te cale.”

 


3º dia

11 Novembro 2021

 

Relatos de prática refletem a dimensão coletiva da experiência

Roda de histórias entre professores(as) revela similaridades do trabalho no contexto da pandemia e protagonismo dos(as) estudantes

Marina Almeida

“Lendo os Relatos de prática dos colegas, os professores perceberam que um trabalho que parecia privado tem uma dimensão coletiva. Eles refletem sobre a prática e se reconhecem na experiência do outro”, diz a formadora Maria José Pereira de Jesus Silva sobre o encontro de hoje com os(as) docentes. A leitura e troca de Relatos acontece tanto nos encontros quanto nos fóruns do ambiente virtual de aprendizagem.

Na roda de histórias, a formadora conta que foi possível perceber muitas similaridades nas diversas vivências. “Nas falas apareceram as dificuldades de aprendizagem e de acesso à internet, o desconhecimento dos alunos sobre o gênero Poema, mas também a enorme vontade de aprender. Eles vêm de vários estados e regiões, mas passaram por desafios semelhantes e demonstraram a mesma vontade de fazer diferente.” Ela ainda ressalta o protagonismo dos(as) estudantes nas ações realizadas. “Os professores contaram como eles traziam ideias, propostas, se empenharam para fazer os podcasts e surgiam com novas ideias, como a de fazer vídeos”, explica Maria José.

A humildade dos(as) professores(as) foi outro ponto que chamou a atenção da formadora: “quando se sentiam desestimulados eles contam que buscaram seus colegas, seja um professor de quem eram próximos ou alguém que já participou da Olimpíada para orientá-los”, lembra. E ressalta que mesmo os(as) docentes que já são veteranos(as) do concurso contaram que precisaram se reinventar nesta edição por causa do contexto de ensino remoto.

“Mesmo pela tela conseguimos nos sentir próximos. Vivemos a mesma emoção e comungamos o mesmo sentimento de fazer educação de qualidade na escola pública”, destaca Maria José.

Poema audiovisual

Em Planaltina (DF), na Escola Classe Monjolo, a turma de Mayara Almeida Liberino Tavares da Silva gostou tanto de estudar a história de Zumbi e Dandara, do Quilombo dos Palmares, que quiseram gravar um jogral do poema “Me gritaram negra”, de Victoria Santa Cruz. “Achei que seria difícil, porque estávamos fazendo aulas remotas, mas os estudantes queriam muito e garantiram que seria possível”, conta a professora.

Ela lembra que, no mesmo período, houve vários casos de racismo na imprensa, como a agressão de um homem negro no supermercado. Isso mobilizou ainda mais os(as) estudantes a escolherem o tema para abordar em suas produções. Um dos poemas favoritos da turma foi o “Na cor da pele”, da aluna Sabrina Costa Santos, que levou à produção de um vídeo. “Achei que não ia dar certo, porque eles não podiam se reunir, teriam que fazer tudo à distância, mas eles me disseram que dariam um jeito”, lembra Mayara.

Os(as) estudantes gravaram os vídeos individualmente e, pela internet, editaram o material, que reúne notícias sobre racismo, depoimentos e a leitura do poema “Na cor da pele”. “Eles trabalharam sábados, domingos, ficaram até tarde da noite editando o vídeo, e conseguiram”, ressalta a professora.

Ela conta que há um festival de curtas na cidade, para estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, mas, como estavam no 5º ano, eles não poderiam se inscrever. “Mesmo assim eles queriam que eu entrasse em contato com os organizadores. Ainda que não pudéssemos concorrer, eles queriam mostrar seu material”, lembra Mayara. Ela falou com o festival e recebeu a resposta de que analisariam o curta. “Eles não se mostraram muito interessados nesse primeiro contato, mas assistiram ao vídeo e adoraram. O curta foi apresentado na abertura do festival”, diz.

A professora ainda ressalta como o trabalho reverberou em seu próprio cotidiano: “sempre alisei meu cabelo, desde os 12 anos. E os alunos começaram a perguntar como era meu cabelo natural, mas nem eu sabia. Para a exibição do curta, cortei e assumi meu cabelo enrolado. Eu os encorajei e eles a mim.”

Assista ao vídeo produzido pelos(as) estudantes da Escola Classe Monjolo:

 

Poesia a muitas vozes

Atividades com estudantes propõem a criação de poemas individuais e coletivos, além da declamação de suas produções

Marina Almeida

O que a leitura de uma poesia desperta? TSAR†WA. Ou felicidade, na língua Kokama. A palavra foi escolhida pelos(as) estudantes da Escola Municipal IndígenaMaria Pinto Pereira, de Santo Antônio do Içá (AM), que participam do Encontro de Semifinalistas na turma do formador Filipe de Brito.

Ao falarem sobre seu local, os(as) estudantes pediram para apresentar o hino de sua cidade para o restante da turma. Abriram a câmera – que costuma ficar fechada por conta das dificuldades de acesso à internet – e, com as vestimentas tradicionais de seu povo, cantaram sobre Santo Antônio do Içá: “Nas ribanceiras do Solimões [...] Cidade que embora distante/ És um pedacinho do meu Brasil.”

Fabiane Januário Maricaua

“Foi um momento de afeto e troca, que nos emocionou muito. Os outros colegas também adoraram esse compartilhamento”, lembra Filipe. Nas discussões sobre o lugar onde vivem, esses estudantes também trazem com força as vivências e cultura amazônicas. “Há uma outra escola do Amazonas que acompanha, em conjunto, as atividades da turma. As visões que eles trazem se complementam e demonstram uma conexão muito forte com a terra e o lugar.”

Arnolfo Germano Chota Neto

Os encontros com os(as) estudantes têm sido ainda um momento de descobrir a poeticidade que eles(as) trazem dentro de si, seja na leitura de suas quadrinhas, nas declamações de seus poemas ou dos(as) colegas, ou na criação de novos poemas. “Mesmo quem tem dificuldades de ortografia faz bons versos. Também conseguimos perceber o interesse e a evolução deles”, diz o formador Victor Rodrigues. Ele conta que trabalhou a experimentação do poema escrito e falado com os(as) jovens. “Quando surgia uma dúvida, buscamos exemplificar com versos e poemas.”

Ana Júlia Walter Delmas

Poema coletivo

Após criarem seus versos sobre o lugar onde vivem e registrarem a leitura desses poemas, os(as) estudantes foram convidados a criar um poema coletivo. A ideia é que cada um(a) faça dois versos sobre o lugar em que vive e publique no Fórum. O(a) próximo(a) estudante a postar seus versos deve considerar o que já foi escrito antes, tanto em relação ao conteúdo quanto às rimas. Ao final, a composição será um poema coletivo de toda a turma, reunindo as vozes e lugares diversos dos(as) participantes da Olimpíada.

“Na aula já fizemos um aquecimento para essa produção, criando versos que se encaixem nos do colega, alguns pelo chat, outros pelo microfone”, conta Victor. “Estou ansioso para ver o resultado final desta produção”, diz.

Caio César Cândido Veras

“Para eles, fazer poesia é um divertimento. Comentaram que fazer o poema coletivo é mais parecido com um jogo ou uma brincadeira do que com uma atividade escolar”, explica o formador Antônio Gil Neto. Segundo ele, os(as) estudantes também demonstram valorizar a leitura de poemas, associam a poesia à cultura popular e gostam de perceber a música presente no poema e a poesia na música.

O formador ainda chama atenção para as bonitas experiências trazidas pelos(as) estudantes em seus versos: a vida numa fazenda, numa região árida, o convívio próximo com um rio... E destaca a capacidade dos(as) alunos(as): “para alguns, as quadrinhas já são uma coisa simples. Eles têm mostrado outras produções deles, poemas em versos livres”, diz.

Francielly Sthephany Nunes de Almeida

Antônio Gil conta que os(as) estudantes também estão ansiosos para participar do sarau da turma, que será realizado amanhã, 12/11. E que pretendem ler outros poemas de sua autoria. “Alguns deles têm uma maturidade para a escrita muito grande para uma criança de 10 anos. Acredito que seja pelas leituras que fazem.”

 


4º dia

12 Novembro 2021

 

As línguas da poesia

Em Capinzal (SC), estudantes imigrantes compõem poemas em suas línguas maternas e em português sobre as memórias do lugar distante onde viveram

Marina Almeida

Desde 2017, a Escola Municipal Belisário Pena, em Capinzal (SC) recebe estudantes imigrantes, vindos, sobretudo, do Haiti. A professora Cláudia Antunes de Oliveira conta que, ao se deparar com sua primeira aluna estrangeira ficou preocupada sobre como ensinar a menina, que tinha dificuldades para se expressar em português. “Existe a ideia de que são eles que têm de se adaptar, mas eu não concordo. As crianças não têm culpa das condições sociais em que vivemos”, diz.

Este ano, quando iniciou o trabalho com Poema, a professora tinha duas alunas haitianas em sua turma: Abigaelle e Manita. As duas disseram que estavam com dificuldades para criar e recitar um poema em português. “Falei para elas: faça na sua língua e depois ensine a professora. Vocês falam 5 línguas e eu apenas uma”, lembra Cláudia. Ela ainda conta que ouviu críticas sobre como avaliaria as composições das alunas, mas não se preocupou com isso. “Elas leram seus poemas em francês para a turma, que ficou encantada. Depois pedi para traduzirem e me explicarem o que significava cada palavra.”

 


Já o tema dessas produções trouxe a saudade do lugar onde viveram, sobretudo a produção de Manita. “Ela chegou ao Brasil em 2020. Qual o lugar onde vive? Seu poema falava de suas memórias e trazia uma tristeza muito grande, uma angústia... Ela também fez um desenho para mostrar para os colegas como era seu país”, conta a professora.

 

Manita tinha mais dificuldades com o português e Cláudia conta que os(as) demais estudantes achavam que ela não ia conseguir fazer as lições. “Eles diziam ‘ela não fala’. Ela era tímida, mas falava 5 idiomas. Incentivei-a a mostrar o que sabia e os estudantes ficaram muito interessados. Eles começaram a perguntar como se falavam as coisas em francês para ela”, lembra a professora. “Nos trabalhos, todos queriam ela em seu grupo. Era uma relação de igual para igual, não faziam diferença”, explica.

Em agosto deste ano, a professora e sua turma descobriram que Abigaelle estava deixando o país após quatro anos. “Ela deixou um recado, falando que estava indo embora com sua família para os Estados Unidos. Contou que estava com medo, mas que também tinha coragem e prometeu entrar em contato conosco. Já recebi uma mensagem dela que tinha chegado ao México”, diz Cláudia. “Já Manita partiu em outubro sem dizer adeus. Não tenho notícias dela, mas espero que esteja bem. Ela estava recitando seus poemas lindamente...”

Na busca por um lugar onde viver, as meninas deixam o Brasil para encarar os desafios do grande mundo à sua frente. Num poema de despedida, Abigaelle escreveu:

Bom, chegou a hora de partir

Compro minha passagem

Vou cantando minha canção,

Com toda minha emoção.

 

Janelas para o mundo

No segundo semestre, outra turma de Cláudia recebeu alunos venezuelanos. A estratégia para a produção dos poemas foi semelhante. Uma primeira produção em espanhol e, posteriormente, a tradução para o português. “Nem citei essas questões no Relato de prática, porque tratei a todos de igual para igual. Não houve diferença."

Por conta da pandemia, as atividades realizadas por Cláudia aconteceram no formato híbrido ou remoto. Num dos momentos de aulas apenas on-line, a professora pediu aos(às) estudantes que fossem até suas janelas e observassem o que viam à sua frente ou além do horizonte. “Contei para eles que cresci numa casa muito simples, de uma só janela, e que eu ouvia que não era capaz de aprender. Mas gostava de ir à janela para ver o sol, a chuva, a tempestade e sonhar”, explica a professora. Ela conta que os(as) estudantes demoraram mais do que o previsto na ida à janela, mas que, na volta, trouxeram poemas e quadrinhas sobre o que viram de forma concreta ou metafórica: “eles ampliaram seus modos de ver.”

“Há muitas portas e janelas que às vezes a gente não abre, deixa fechada, esquecida, mas o que elas podem nos revelar? Eu poderia ter reproduzido o discurso de que não era possível aprender nessas condições – o que eu mesma ouvi quando criança –, mas preferi fazer diferente.” Para Cláudia, todos(as) aprenderam muito neste percurso, cada um(a) do seu modo. “E eu mais aprendi do que ensinei”, conclui.

 

A língua onde vivo: os muitos sons de um poema

Estudantes de escola indígena de Santo Antônio do Içá (AM) produzem poemas em Kokama e Português

Marina Almeida

Perto da fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia, próxima às margens dos rios Içá e Solimões, fica a Escola Indígena Maria Pinto Pereira, na comunidade São José, zona rural de Santo Antônio do Içá (AM). Na unidade, a maioria dos(as) estudantes é filho(a) de pescadores e agricultores da região. “Atendemos alunos indígenas das etnias Kokama e Ticuna, além de alunos não-indígenas”, conta a professora Fatiane Nascimento Januário. Ela explica que a escola recebe ainda estudantes peruanos(as) e colombianos(as), por conta de sua localização na tríplice fronteira. “É desafiador”, diz.

Fatiane conta que a escola indígena se diferencia por incluir saberes tradicionais na grade curricular. “Oferecemos o ensino da língua materna Kokama e trabalhamos as culturas indígenas nas disciplinas Expressão cultural e Práticas corporais.” Além disso, a maioria dos(as) professores(as) é indígena e vive na própria comunidade. Ela explica que a introdução do idioma Kokama na escola aconteceu de forma voluntária a partir de 2010. “Começou com o interesse de alguns professores e de moradores antigos, preocupados em não deixar morrer a língua materna”, conta. Segundo ela, o processo contou ainda com a colaboração da doutora em linguística Altaci Corrêa Rubim, que é Kokama e natural do município.

Evandeson Januário Bardalhes

Português:

Eu gosto de pescar no rio

Quando a piracema vem

É fartura para o nosso bem

Kokama:

†sa uara †stkt paranaka

Pukai upiranu chita yawachima

†sartwakopan ini ritamakatsen

Fabiane Januário Maricaua

Português:

Tenho orgulho desta cidade

É um lugar de muita diversidade

Porque posso ver os pássaros voando

E as árvores balançando

Kokama:

Ira emete orgulho ya ritama

Wepe ritama uriaka diversidade

Marira ama†s†ka umi wtranu uwe

Twira muru†aka

 


Professora de Língua Portuguesa e Artes, Fatiane iniciou o trabalho com o gênero Poema de forma remota. Como grande parte deles não possui celular ou outros equipamentos tecnológicos, semanalmente ela enviava apostilas impressas com o conteúdo das aulas. “Trabalhei toda a estrutura do gênero textual Poema dessa forma”, lembra. “Ao iniciarmos as aulas em formato híbrido, aproveitei para explorar a temática ‘O lugar onde vivo’. Deixei os alunos à vontade para falar sobre seu cotidiano, como caça, pesca, plantação, peixes, floresta, frutas, animais, o padroeiro da cidade... Sempre tentando aproximar a construção dos poemas com a cultura da comunidade.” Nesse modelo, a professora se encontrava com os(as) estudantes duas vezes por semana para trabalhar as produções.

 

Poemas bilíngues

O trabalho ainda contou com o apoio de Maria Zenilde Pereira Rubem. Professora bilíngue formada em Pedagogia Intercultural, ela ensina o idioma Kokama na unidade. “Sou indígena, aprendi a falar Kokama com meus avós e trabalho na escola desde 2010”, explica. Ela conta que trabalha a língua com os(as) estudantes desde o 1º ano do Ensino Fundamental. “Faço as atividades em conjunto com a professora de Língua Portuguesa, compartilhamos os gêneros textuais e os alunos traduzem qualquer texto, qualquer poema para a língua materna”, explica. Assim, “o trabalho de tradução dos Poemas foi desenvolvido com muita naturalidade pelos alunos”.

Arnolfo Germano Chota Neto

Português:

Gosto de tomar banho no rio

Porque a água é frio [sic]

Amo pescar de canoa

Porque a piracema é boa

Kokama:

Ikwachiru kura†a banho paranaka

Marikua uni frio

†sachi †stkt tara

Marikua ipirakana beam

Ela conta que ainda há poucos livros e gramáticas de língua Kokama para trabalhar com os(as) estudantes, por isso, ela mesma produz muitos dos seus materiais de ensino. “Já fiz dois livros próprios de atividades e várias oficinas de língua Kokama, com o auxílio da professora Altaci”, diz. Ao longo dessa matéria, confira as ilustrações e trechos das produções dos(as) estudantes em Português e Kokama.

Michel da Silva Castilho

Português:

Moro em um lugar

Onde tenho uma vida boa

Posso sair com a minha família

Para passear no rio de canoa

Kokama:

Kak†r† wepe aganka

Moko emete wepe uidan eran

Utsu muki ta erudkana

Aruakana paranako †ara

 

 

 

Veja como foi o encerramento e conheça os finalistas do gênero Poema

Marina Almeida

Descobrindo a poesia que existe atrás das telas, chega ao fim o Encontro de Semifinalistas do gênero Poema da 7ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa. Com muita música e, claro, poesia, a cerimônia de encerramento foi transmitida do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (SP).

O evento ainda contou com a participação da poeta Geni Guimarães, escritora homenageada desta edição. Além de ler alguns de seus versos, Geni falou a estudantes e professores sobre a importância do amor nas relações humanas e educacionais. Na cerimônia também foram revelados os nomes dos(as) professores(as) e turmas finalistas da categoria. Confira a lista ao final do texto.

Versos diversos

Mostrando que formadores também versam, Victor Rodrigues e Regina Andrade falaram sobre como driblar as dificuldades:

“Se a internet não ajuda

A gente tenta outra vez

O verso uma hora sai

Mostrando o que a gente fez”

No Encontro, professores(as) e estudantes construíram, juntos, novos poemas, histórias e lembranças. Nas palavras de Lara Rocha e Ísis Madi Rezende:

“Cada um soprou um verso

Procurando boa rima

Falando da sua cidade

E também da sua vizinha

Fomos numa caravana

Do sul até lá em cima.”

Animados pela poesia dos encontros, nos despedimos fazendo da palavra esperançar nosso verbo de trabalho e ação.

 

Finalistas

Centro-oeste

 

“Convit(d)e à poesia”

Prof.ª Mayara Almeida Liberino Tavares da Silva

EC Monjolo

Brasília - DF

“Música e poesia: Narrativas de pensamentos/reflexões e recriação de novos saberes”

Prof.ª Rosana Maria Lopes

Esc. Municipal Juscelino K. de Oliveira

Cezarina - GO

 

 

Nordeste

 

“O Eu e o Outro no esconderijo do verso”

Prof. Evandi Lopes Barbosa

Esc. Municipal Manoel Joaquim de Santana

Quixaba - PE

“Os desafios e encantamento do mundo poético”

Prof. Fernando Barbosa Lira

EMEFM Vicente Nunes Tavares

Emas - PB

 

“Leitores e Escritores: Instigados pela persistência e parceria”

Prof.ª Jailza Evangelista Costa

Esc. Estadual Cel. Antônio do Lago

Touros - RN

“A poesia e o caos”

Prof.ª Julia Lidiane Lima de Amorim Queiroz

Esc. Municipal Padre Cosme

São Miguel - RN

 

“Olimpíada das emoções”

Prof. Marcelo Nogueira de Assunção Lefundes

Esc. Municipal Esfinge

Lauro de Freitas - BA

“Utopia de conhecimentos: Realidade de conquistas da OLP”

Prof.ª Raimunda de Jesus Matos Silva

Esc. Municipal Jefferson Moreira

Esperantinópolis - MA

 

 

Norte

 

“Superação”

Prof.ª Ana Clícia Rodrigues Neves

Esc. Profª Luciney Mello Carneiro

Atalaia do Norte - AM

“Olimpíada de Língua Portuguesa: uma leitura além das letras”

Prof.ª Fatiane Nascimento Januário

Esc. Municipal Indígena Maria Pinto Pereira

Santo Antônio do Içá - AM

 

“Na coletividade, constroem-se versos e rimas do meu lugar”

Prof.ª Fernanda Valeska Mendes da Silva

EMEF Profª Cícera Lima do Nascimento – Polo V

Igarapé-Açu - PA

“Hora da produção: E agora? O que escrever?”

Prof.ª Laudiléia Soares Barbosa Achure

Esc. Municipal Dr. Cesar Belmino Evangelista

Araguaína - TO

 

“Vivência enriquecedora”

Prof. Richardson Farias Gonçalves

Esc. Nossa Senhora do Livramento

Barreirinha - AM

 

 

Sudeste

 

“Em tempos de pandemia”

Prof.ª Maria da Conceição da Costa Sousa

Esc. Municipal José Alves de Oliveira

Santa Cruz de Salinas - MG

“Nossas motivações e conquistas”

Prof.ª Vanuza do Amaral Predrini

UMEI Jacy Pacheco

Niterói - RJ

 

 

Sul

 

“Chimarreando poesia”

Prof.ª Rosmari Teresinha Dariva Pelin

EMEF Jaguaretê

Erechim - RS

 

Faça o download da lista dos finalista de Poema, clicando no botão abaixo.


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