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Autora: Marina Almeida
19 Outubro 2021

 

Encontro de Semifinalistas de Artigo de opinião

As atividades de professores(as) e turmas semifinalistas no gênero Artigo de opinião começam nesta terça-feira (19). De forma remota, os classificados participarão de encontros, debates, palestras e fóruns, entre outras atividades. Para apoiá-los(as) neste percurso, o ambiente virtual de aprendizagem, criado especialmente para os Encontros de cada gênero, traz todas as informações e orientações necessárias.

Com duração de quatro dias, o Encontro de Artigo de opinião se encerra no dia 22/10, quando haverá a cerimônia de encerramento e a divulgação dos nomes dos(as) finalistas. O evento será transmitido às 18 horas (horário de Brasília) pelo canal do YouTube da Olimpíada de Língua Portuguesa e também pelo Portal Escrevendo o Futuro. 

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Atividades

Antes do início do Encontro, os(as) participantes já tiveram acesso à Semana de Boas-vindas, no ambiente de aprendizagem. Neste espaço, professores(as) e estudantes podem se apresentar e conhecer melhor seus(suas) colegas, trocar experiências e realizar as primeiras atividades, que dão um ‘gostinho’ do que vem por aí.

Para os(as) estudantes, as atividades serão voltadas para o debate e argumentação. “Queremos ouvir a palavra dos jovens e dar espaço para que continuem a desenvolver o olhar crítico e aguçado para o mundo”, diz a coordenadora de formação Shirlei Marly Alves. Ela explica que serão abordadas questões de interesse da juventude. As reflexões dos(as) jovens sobre a vivência de ser estudante no contexto da pandemia também será tema de discussões.

“Eles também vão conhecer ativistas, pessoas engajadas em mudar a realidade”, conta Shirlei. Os(as) estudantes conversarão com Vagner de Alencar e Cintia Gomes. Os dois são jornalistas e cofundadores da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, que se define como uma agência de notícias, informação e inteligência sobre as periferias das cidades da Grande São Paulo.

Para os professores, as discussões terão como foco a elaboração do Relato de prática, a narrativa da experiência e a docência em meios aos desafios na educação. Eles também participarão de uma palestra com João Wanderley Geraldi, linguista reconhecido por seus trabalhos sobre ensino de Língua Portuguesa e análise do discurso. Professor aposentado da Unicamp e professor visitante da Universidade do Porto, ele é autor de obras importantes como O texto na sala de aula: leitura e produção (ASSOESTE, 1984).

Acompanhe toda a cobertura dos Encontros pelo Portal Escrevendo o Futuro e compartilhe suas experiências nas nossas redes sociais com a hashtag #ArtigoOLP.

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1º dia


Narração de experiências e desafios da pandemia marcam debates do primeiro dia de Encontro de Semifinalistas

Estudantes discutem desafios do ensino remoto e professores(as) refletem sobre o Relato de prática

Marina Almeida

No primeiro dia do Encontro de Semifinalistas de Artigo de opinião, os alunos e alunas do 3ª série do Ensino Médio puderam compartilhar suas vivências sobre os desafios enfrentados durante a pandemia. Para além das dificuldades, também chama a atenção o olhar crítico dos(das) jovens para sua realidade.

Após uma rodada de apresentação, em que os(as) estudantes conheceram os(as) colegas de várias regiões do país, a experiência da pandemia para a juventude entrou em debate. “Eles falaram sobre os problemas do ensino remoto, da falta de estrutura e de acesso à internet, e do desânimo trazido por essa mudança de rotina”, diz a formadora Ana Paula Severiano. “Uma aluna contou que teve vontade de desistir da escola, porque não tinha internet nem celular em casa para acompanhar as aulas. Ela acabou prosseguindo graças ao apoio de familiares e amigos”, lembra a formadora Vastí Marques de Siqueira Costa. Os relatos ainda abordaram a dificuldade do distanciamento social, a saúde mental e a preocupação com o futuro.

Na proposta de atividade escrita deste primeiro dia, esses temas também apareceram. “No fórum, os estudantes fizeram comentários muito consistentes sobre as incertezas, dúvidas e medos deste período. Falaram da ansiedade que sentem por estarem prestes a concluir o Ensino Médio sem melhores perspectivas e criticaram o governo por não oferecer apoio para que pudessem acompanhar as aulas remotas”, aponta o formador Edilson Krupek.

 


Por outro lado, “os estudantes veem no Encontro de Semifinalistas um momento de compartilhamento e de crescimento”, destaca Edilson. “Eles comentaram que as atividades eram importantes até para conhecerem outras pessoas após um ano e meio em casa”, completa Ana Paula. “Mesmo num contexto de dificuldade, a Olimpíada nos mostra o potencial do jovem e sua capacidade crítica”, avalia a formadora.

 

Narrar a experiência

Os professores e professoras, que na Semana de Boas-vindas já tinham se apresentado e compartilhado trechos de seus Relatos de prática, puderam finalmente se ver e se ouvir. “Eles estão muito satisfeitos e emocionados por compartilhar com os colegas as dificuldades de lecionar no ensino remoto e de terem conseguido fazer algo por seus estudantes mesmo nessas condições”, conta o formador Pedro de Moraes Garcez. Os(as) docentes também comentaram sobre como, em geral, seu trabalho não é reconhecido, mas que se sentem muito valorizados pela Olimpíada.

Em seguida, a discussão se voltou para o Relato de prática e a narração da experiência. No fórum do ambiente virtual, os(as) participantes também foram convidados a refletir sobre o exercício de narrar a si mesmo. “Inspirados pelo que vimos na Semana de Boas-vindas, como um conto de Geni Guimarães e o depoimento de um indígena, eles estão abordando bastante a questão da discriminação de raça e de gênero. Também apareceu o preconceito regional e contra os moradores da zona rural”, ressalta Pedro. Ele lembra que esse debate também dá o mote para as reflexões que surgirão na palestra com o linguista e professor João Wanderley Geraldi, que será realizada no segundo dia do Encontro de Semifinalistas.


2º dia

20 Outubro 2021

 

A construção da sabedoria docente

Em palestra para professores e professoras, João Wanderley Geraldi fala sobre a narração da experiência vivida e gêneros textuais

Marina Almeida

“O relato da experiência faz sentido porque vocês estão construindo uma sabedoria, que é a sabedoria do professor, daquele que reflete sobre sua própria ação e a relata”, diz João Wanderley Geraldi aos(às) docentes semifinalistas do gênero Artigo de opinião. Em sua palestra, o linguista, que é reconhecido por seus trabalhos sobre ensino de Língua Portuguesa e análise do discurso, falou sobre gêneros textuais e o relato da experiência.

Professor aposentado da Unicamp e professor visitante da Universidade do Porto, João Wanderley é autor de importante obras na área de ensino de Língua Portuguesa, como O texto na sala de aula: leitura e produção (ASSOESTE, 1984) e A aula como acontecimento (Pedro & João editores, 2015). Ele ainda lembra que participou do primeiro comitê de avaliação da Olimpíada de Língua Portuguesa. Em sua fala, o professor diferencia os gêneros relato de experiência e relatório.

Enquanto o relatório vai discorrer sobre uma atividade específica ou experimento com objetividade e linguagem direta, o relato de experiência vai trazer as impressões do(a) autor(a). “Do ponto de vista composicional, o relatório traz item por item as atividades realizadas, já o relato de experiência é da ordem da cronologia e do tema”, explica. Outra diferença é que o relatório inclui documentos que comprovem, com a maior fidelidade possível, os fatos descritos. Já o relato de experiência traz como exemplo um texto de aluno(a), uma informação ou uma sequência de conversa. “Não significa que o relato de experiência não tenha comprovações, mas ele mostra uma solução que foi construída”, aponta.

Sabedoria e educação

Outra diferença apontada pelo professor é com relação ao resultado. A conclusão do relatório traz um parecer ou uma proposta. Já o relato vai apresentar uma lição da experiência vivida. “A lição é precisamente aquilo que compartilhamos, o que aprendemos. Essa lição da experiência, que não pode ser vivida por outro, é deixada como um legado para os leitores”, analisa João Wanderley.

 


Ele ressalta que, em educação, repetir uma proposta didática não significa uma repetição dos mesmos resultados e lições. “Vocês, professores, embora recebam o mesmo material da Olimpíada, têm experiências muito diferentes. Mas a lição que aprendem, podem compartilhar. Daí que o relato de experiência não é da ordem da ciência, mas da sabedoria”.

 

Ele ainda critica a tentativa de retorno da noção de experimento em educação, numa busca de alcançar os mesmos resultados a partir de uma sequência didática comum. O professor lembra que Walter Benjamin já apontava a queda do valor da experiência em nosso mundo. “Benjamin chama a sabedoria de lado épico da verdade, no sentido de que você tem o herói dessa construção. Já o relatório é da ordem da objetividade, do não sujeito e do não herói.”

Relações intergenéricas

João Wanderley ainda falou sobre como os gêneros textuais podem se cruzar e lembrou dos famosos relatórios produzidos pelo escritor Graciliano Ramos, quando era prefeito de Palmeira dos Índios (AL). Em 1929, por exemplo, o autor diz em seu relatório: “No cemiterio enterrei 189$000 — pagamento ao coveiro e conservação” [sic], conforme consta do Relatório ao governador do estado de Alagoas.

“É um relatório de prefeitura. Dentro desse estilo composicional, que deveria ser direto e preciso, temos a presença do relato de experiência, que traz a subjetividade do autor. Não à toa, os textos se tornaram clássicos da literatura brasileira, mas não da burocracia política”, observa João Wanderley. Ele ainda chama a atenção para o emprego de figuras de linguagem e para o deslocamento lexical do termo enterrar para o contexto dos gastos públicos.

Na educação, ele também acredita que mais que um estudo minucioso de cada gênero, deve-se estudar as similaridades e diferenças entre eles, as características de um gênero que aparecem em outro e sua gênese. “O mais importante não é a especificação de cada gênero, mas as relações intergenéricas, os cruzamentos que se dão entre os gêneros, produzidos numa esfera e trazidos para outra.”

 

Pela notícia, transformar o lugar onde vivo

Em palestra para estudantes, Vagner de Alencar e Cíntia Gomes falam sobre a Agência Mural de Jornalismo das Periferias e as histórias que precisam ser contadas

Marina Almeida

“Sempre entendi a importância de falar sobre os lugares onde eu nasci e vivi, porque são esses lugares que me fizeram ser o jornalista, o professor e a pessoa que sou hoje”, diz Vagner de Alencar, que participou da palestra para os(as) estudantes semifinalistas de Artigo de opinião, junto com a jornalista Cíntia Gomes. À frente da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, os dois falaram sobre suas trajetórias, a importância de expressar sua opinião com embasamento, os cuidados para checar a veracidade de uma informação e as histórias que os veículos tradicionais não contam.

Cíntia e Vagner explicam que a Agência Mural, que se define como uma agência de notícias, informação e inteligência sobre as periferias das cidades da Grande São Paulo, abrange um site de notícias com atualização diária, blog, podcast e já teve até um quadro na TV. “Queremos contar as histórias que ninguém conta. Sou do bairro Jardim Ângela, na zona sul da cidade de São Paulo e eu só encontrava notícias sobre violência da minha região no jornal Folha de S. Paulo. Como desconstruir os preconceitos depois disso? Queremos trazer nossas vivências e um outro olhar para esses lugares”, explica Cíntia. “Nascer e estar na periferia é algo que a gente carrega conosco. Nas reportagens da faculdade, eu sempre queria escrever sobre o meu bairro, contar o que via e não encontrava nos grandes veículos.”

Jornalista, cofundadora e diretora institucional da Agência, Cíntia lembrou sobre o papel fundamental da educação para suas escolhas e caminhos profissionais. Ela contou como criar e escrever o jornal da escola foi importante para incentivá-la no sonho de cursar jornalismo e a superar os desafios que uma estudante de escola pública encontra nesse percurso.

Vagner lembra que sempre quis escrever sobre como era morar num vilarejo de 20 mil habitantes ou morar ao lado de um córrego – baiano de Barra do Choça, ele veio para São Paulo (SP) e morou por mais de dez anos na comunidade de Paraisópolis. E viu essa oportunidade no jornalismo. Autor do livro Cidade do Paraíso - Há vida na maior favela de São Paulo, ele é jornalista, doutorando em Educação pela PUC-SP e cofundador e diretor da Agência Mural.

Opinião com informação

Para Vagner, todos têm opinião e devem expressar sua voz, mas é preciso ter embasamento para falar sobre algum tema. “Meu conselho é ler mais, de diferentes fontes, se pautar pela ciência e duvidar das fake news para sustentar sua opinião, o que também é diferente de emitir um preconceito”, diz. Cintia ainda ressalta a importância de incluir sua experiência. "Trazer dados, pesquisas e a sua vivência vai reforçar a mensagem e enriquecer o texto”. E lembra que até para um Artigo de opinião é preciso checar as informações utilizadas: “é preciso ter muito cuidado, porque não sabemos o impacto que um texto pode ter”.

Eles também dão dicas de como verificar se as notícias e informações recebidas são verdadeiras. Conferir os grandes sites de jornais, que fazem apuração das notícias pode ser um primeiro passo. “Outra opção é começar por uma simples busca no Google. Às vezes já aparece alguma nota desmentindo. Agora se a informação só está publicada em um site que você nunca ouviu falar, duvide, pesquise em outras páginas e não acredite no primeiro resultado que aparecer”, comenta Vagner. Ele ainda lembra que existem páginas que se dedicam à checagem de notícias para combater as fake news, como a Agência Lupa, o Projeto Comprova, o Fato ou Fake, do portal G1, o Estadão Verifica, entre outros.

Pandemia na periferia

Vagner conta que se deparou muito com a afirmação de que a pandemia escancarou as desigualdades das periferias. Mas questiona: “só agora eles veem o que vivemos desde sempre? Sempre faltou água e alimento. Tivemos períodos melhores, mas os problemas sempre existiram e os grandes veículos não olhavam para isso”. Ele acredita que se essas questões tivessem mais atenção da imprensa, já poderiam ter gerado um movimento por melhorias nas condições de vida, saúde e educação.

 


Cíntia explica que eles preferem usar o termo ‘periferias’, no plural. Segundo ela, ainda que a definição da palavra se refira a uma região que fica no entorno da cidade, mais distante, existem características dessas áreas que são mais importantes que a questão geográfica. “Temos Paraisópolis, que fica ao lado do Morumbi, um bairro de alto padrão em São Paulo, por exemplo. E as características próprias das periferias vão muito além da pobreza. A zona sul de São Paulo tem uma cultura muito forte, já na zona leste a migração vai ter uma presença marcante. Preferimos usar o plural porque entendemos que as periferias são diversas”, diz. Ela ainda ressalta que o morador dessas regiões, que muitas vezes não é ouvido pela grande imprensa, é a principal fonte das informações na Agência Mural.

 

Hoje, a Agência Mural tem quase 100 correspondentes locais e 11 anos de funcionamento. Mas Vagner e Cintia lembram que os desafios foram muitos. “Foram oito anos de trabalho voluntário, em paralelo a outro emprego, porque a Agência não tinha recursos financeiros para nos remunerar”, diz Vagner. Eles também destacam, com orgulho, as muitas histórias que não estavam sendo contadas pela imprensa tradicional, mas que eles revelaram.


3º dia

21 Outubro 2021

 

Um museu vivo das histórias docentes

Atividade com professores e professoras possibilita troca de histórias e experiências

Marina Almeida

“Hoje os educadores compartilharam sua trajetória, que passa pelos desafios que eles próprios enfrentaram para se tornar professores e se reflete no compromisso absoluto que têm com seus estudantes. As diversas histórias têm muito em comum e percebemos que vão construindo também uma história coletiva”, conta a formadora Denise de Oliveira Teixeira sobre as atividades realizadas com os(as) docentes no segundo dia do Encontro de Semifinalistas de Artigo de opinião.

 


Segundo Denise, muitos(as) educadores(as) contam que são até criticados por tanta dedicação. “Aparecem muitas histórias de professores que resgataram seus estudantes, em diversos contextos, para trazê-los de volta à escola. Alunos esquecidos ou desacreditados por conta de suas condições difíceis e que eles não deixaram para trás, alguns até no contexto das atividades da Olimpíada”, lembra.

 

Para a formadora, a metodologia de roda de histórias, que é um recurso utilizado pelo Museu da Pessoa, localizado em São Paulo (SP), ajuda a construir também uma espécie de Museu do Professor(a), ao permitir a troca de experiências tão ricas.

Educação pelo celular

O ensino remoto pode gerar situações inusitadas, como a que presenciou a professora Lívia de Oliveira Silva, da Escola Estadual Professor José Quintela Cavalcanti, em Arapiraca (AL). No meio de uma aula on-line, em que promovia um debate com a turma, uma aluna pediu para falar. “Ela disse que os pais não entendiam que ela estava no celular estudando, que diziam que ela devia trabalhar em vez de passar tanto tempo no aparelho”, conta Lívia. “Eu perguntei se ela queria que eu conversasse com a família dela e a estudante respondeu que sim. A mãe entrou na chamada e conversamos, mas ela continuava duvidosa. Então convidei-a a acompanhar a aula e ela aceitou”, lembra.

Apesar de surpresos com a nova participante, os estudantes continuaram o debate que faziam, sobre legalização do aborto, quando a mãe da aluna resolveu opinar. “Ela disse que era contrária porque a vida é um dom de Deus. Eu elogiei a sua participação porque ela soube argumentar e não apenas dizer se era a favor ou contra. Os alunos até bateram palmas e, ao final, a aluna me agradeceu, pois no início estava envergonhada com a participação da mãe”, conta Lívia. Há mais de um ano lecionando no ensino remoto, a professora se surpreendeu por ainda encontrar tanta resistência, mas acredita que o episódio foi importante para quebrar a ideia de que o celular e as novas tecnologias não servem para o estudo.

Polêmicas locais

Já Sandra Virgínia Correia de Andrade Santos, do Colégio Estadual Maria Rosa de Oliveira, em Tobias Barreto (SE), conta que estava com dificuldade para encontrar um tema polêmico e local para iniciar as discussões de Artigo de opinião, já que na época a cidade estava em quarentena por conta da pandemia. Foi quando uma aluna comentou que havia uma discussão para mudar o dia da Feira da Coruja, evento histórico e tradicional do município, que acontece da tarde de domingo até a tarde de segunda-feira. “Também houve manifestações na cidade sobre a questão, e debate entre empregadores, preocupados com o aspecto econômico, e empregados, que contavam que não tinham descanso nem recebiam hora extra pelo trabalho”, explica Sandra. O tema alimentou as discussões da turma, que passaram por questões históricas, culturais, econômicas e trabalhistas.

“Os alunos se envolveram no debate, cada um com um ponto de vista diferente, e até se mobilizaram para participar de uma sessão da Câmara de Vereadores”, relata a professora. A partir da discussão, os estudantes passaram a trazer outras questões regionais, o que gerou uma série de debates. “Entenderam na prática porque uma questão é polêmica e o que é se posicionar e argumentar sobre um tema”, diz. Já a Feira da Coruja continua em discussão na Câmara, mas a tendência é que se amplie para dois dias na semana, segundo a professora.

 

A voz dos(das) jovens sobre a pandemia

Atividades com estudantes revelam desafios do período e olhar crítico para a situação

Marina Almeida

Áudio gravado pelos(as) estudantes Charles Rafael Schmidt, Djamile Ines Soder, Djenifer Schwerz, Hugo Josué Breunig, Leandro Dreissig, Luciane Kist e Jessica Liege Back, que participaram do Encontro de Semifinalistas de Artigo de opinião.

“Ser jovem na pandemia é ter medo do futuro. Não saber se nosso próximo emprego será presencial ou remoto. É poder utilizar o celular em sala, até mesmo em dia de prova. É querer sair, curtir, festejar e ter medo de, ao voltar, trazer consigo um vírus mortal. É ficar em casa sábado à noite. É perder amigos sem poder se despedir. É opinar e não ser ouvido. É ter voz e não falar.”

O texto e o áudio acima, uma das produções dos(as) estudantes semifinalistas de Artigo de opinião, foi feito de forma coletiva e ilustra muitos dos desafios e inquietações que acometeram os(as) jovens durante a pandemia. Nas produções, coletivas ou individuais, feitas em áudio ou texto, os(as) estudantes da 3ª série do Ensino Médio falaram sobre a dificuldade de acesso à internet e aos equipamentos tecnológicos. O medo de não estar preparado(a) para os vestibulares e o Enem, além da sensação de não ter aprendido quase nada foram temas frequentes trazidos pelos estudantes.

Os desafios emocionais do distanciamento social apareceram bastante nas produções e discussões das turmas. Por outro lado, a retomada das aulas também decepcionou muitos(as) estudantes. “Eles disseram que não se sentiram acolhidos ao voltar para aquele ambiente. Uma aluna comentou que perdeu o pai há alguns meses e na volta às aulas sentiu falta de uma conversa em que entendessem sua dificuldade para fazer algumas atividades propostas”, lembra a formadora Larissa Dias. Apesar do cenário complexo, a juventude mostra sua coragem. Nas palavras dos próprios estudantes: é hora de estudar bastante e usar a força jovem para alçar altos voos.

Mãe e estudante

Além das dificuldades de acesso à internet, Tatiana Paranhos enfrentou o desafio de estudar em casa enquanto cuidava de duas crianças. Moradora do povoado Pau d’Alho, que fica na zona rural de Novo Cruzeiro (MG), ela conta que havia abandonado os estudos há 12 anos, ao engravidar da primeira filha. Quando a escola da região abriu vagas para o Ensino Médio diurno, ela viu uma oportunidade de completar seus estudos. Três meses depois, porém, a pandemia pegou a todos de surpresa.

“Eu não sabia como ia fazer, mas tive muito apoio da escola e dos professores. Eles disponibilizaram internet e os alunos também organizaram grupos para estudar pelas aulas do YouTube. E agora conseguimos colocar internet em casa”, relembra Tatiana. Outra dificuldade era conciliar as aulas com os cuidados da casa e das filhas, uma delas ainda pequena. “Está sendo bastante difícil, mas os professores me apoiam. Estou muito feliz de voltar a estudar mesmo assim, sempre tive esse sonho e, por meio dele, posso concretizar outros”, diz a estudante de 28 anos. Tatiana ainda conta que gostou de conhecer tantas pessoas novas no Encontro de Semifinalistas e que se identificou com a história de várias delas. “Muitas também têm filhos, estão se sentindo perdidas nessa pandemia. Estou feliz de participar, porque sei que posso ir muito além e a Olimpíada veio me mostrar isso.”

Repensar a cidade

Nas atividades desta tarde, os(as) jovens também refletiram sobre o local onde vivem, e como chamar a atenção para os seus problemas. “A ideia é que eles se apropriem da cidade ao desenvolver um novo olhar para ela”, explica a formadora Larissa.

 


A pouca estrutura de muitos locais veio à tona, seja na discussão sobre falta de internet em tempos de ensino remoto, seja em outras questões. “Tivemos muitos relatos sobre falta de emprego e saneamento. São necessidades básicas que ainda não foram resolvidas e incidem sobre a vida deles”, destaca o formador Filipe Gomes. “Os jovens veem as mazelas específicas de sua região, que os afetam, e percebem o contexto de desigualdade”, avalia o formador.

 

A partir desses temas, a turma discutiu sobre como o Artigo de opinião pode ser importante para o(a) jovem se colocar e contestar a situação. “Pode ser uma forma de se manifestar contra a indiferença e do jovem apresentar seu ponto de vista, que muitas vezes é negligenciado”, ressalta Filipe. Eles(as) também falaram sobre o potencial de um jornal escolar para trazer luz sobre temas locais, que geralmente são invisibilizados pela grande imprensa.


4º dia

22 Outubro 2021

 

Exemplo de inclusão

Professora com deficiência auditiva enfrenta os desafios da volta às aulas com máscaras que impedem a leitura labial

Marina Almeida

Com deficiência auditiva moderada, Ana Paula Quiquio Wernke desenvolveu naturalmente a habilidade de ler os lábios dos(as) estudantes, já que o ruído da sala de aula atrapalhava o entendimento de cada som. Após um ano de ensino remoto, no entanto, a volta às aulas presenciais a deixou apreensiva: como ler os lábios com as máscaras faciais, que agora são item obrigatório de segurança?

 


“Fiquei muito temerosa, não entendia o que as pessoas falavam por causa das máscaras e estava evitando sair de casa até por conta disso”, diz a professora. Em Aurora (SC), onde leciona, as aulas se iniciaram em fevereiro de 2021, a princípio de forma híbrida. Ela explica que podia ter solicitado um atestado médico, mas vários(as) docentes, que faziam parte do grupo de risco, já tinham pedido afastamento. “Faltavam professores para o presencial e eu resolvi tentar.”

 

Na sala de aula, os(as) estudantes deram exemplo de inclusão e ajudaram Ana Paula a contornar os desafios. “Eles se mostraram muito preocupados comigo. Acenam, falam mais alto. Quando percebem que não estou ouvindo, anotam as dúvidas num papel e me mostram no final da aula, ou digitam uma mensagem no celular e me mostram. Também aprenderam um pouco de linguagem de sinais. Usam vários recursos”, conta a professora. Atualmente, ela dá aulas para 12 turmas, do 6º ano do Ensino Fundamental até a 3ª série do Ensino Médio na EEB Walter Probst.

Ana Paula explica que nasceu com audição perfeita, mas, aos 13 anos, uma infecção provocou sua perda auditiva. “Tive perda quase total, mas fiz vários tratamentos médicos e consegui recuperar uma parte. Hoje uso prótese auditiva para amplificar os sons, porque não ouço alguns ruídos, como o barulho da chuva ou de uma chaleira. Minha grande dificuldade é diferenciar os sons de outros ruídos ambientes, principalmente em lugares como a sala de aula, com várias pessoas falando ao mesmo tempo.”

Ela conta que hoje leciona na mesma escola em que foi estudante e que muitos dos seus colegas de profissão já foram seus professores, o que facilitou sua adaptação. Porém, no início de sua carreira, ela precisou vencer o preconceito de alguns alunos(as) e docentes. “Quando fui aprovada no concurso, passei por uma perícia médica, que avaliou que eu poderia dar aula, mas mesmo assim enfrentei resistências. Pensei em desistir algumas vezes e com o tempo foi ficando mais fácil. As pessoas viram a qualidade do meu trabalho e fui conquistando o respeito delas”, lembra.

Artigo de opinião

O bom trabalho foi também o que trouxe Ana Paula para a Etapa Semifinal da Olimpíada – ela é a primeira professora de sua unidade a participar do concurso. O ano letivo conturbado, com as mudanças trazidas pela pandemia e a perda de uma colega de escola para o Covid, fizeram-na hesitar em participar. “Mas achei que era uma oportunidade de quebrar a monotonia deste ano, de fazer algo diferente em meio às aulas maçantes devido às inúmeras regras sanitárias”, explica. Ela estudou os Cadernos Docentes e fez as adaptações necessárias para a realidade da sua escola e da pandemia. “Desenvolvemos as atividades baseadas principalmente em debates, conversa e pesquisa. Também demos alguns passeios pela cidade para olhar o lugar onde a gente vive e buscar uma visão diferente, que inspirasse a produção dos textos”.

Ela conta que além dos Cadernos, acompanhou as Pílulas Pedagógicas, publicadas no canal Telegram, e as postagens nas redes sociais da Olimpíada. E ressalta que o foco no professor, trazido nesta 7ª edição, não tira o protagonismo dos estudantes.

 


“O Relato de prática só é possível por conta da participação dos alunos, de seu comprometimento e das suas produções. Sem eles, eu não conseguiria escrever. Também compartilhei meu Relato com eles, que ficaram emocionados”, lembra a professora. E acredita que a melhor maneira de incentivar a escrita é dando o exemplo para os(as) estudantes.

 

Do cordel ao Artigo de opinião: a força das raízes na prática pedagógica

Inspirado no cordel, professor compõe versos e incentiva a produção de textos dos(as) estudantes

Marina Almeida

Sou o cabra da Pindoba

Ou o professor Gilmar

Filho da roça, do sítio,

Companheiro do luar;

Amigo das andorinhas

Vem por meio dessas linhas

Aqui se apresentar.

 Ouvindo versos de cordel, Gilmar de Oliveira Silva sonhava em aprender a ler. O professor, que vem de Pindoba, na zona rural de União dos Palmares (AL), conta que não havia energia elétrica na região e era prática comum as pessoas se reunirem para ouvir poesia de cordel. Sua mãe, que também é professora, era a única que sabia ler os poemas, mas outros moradores da região também contavam suas histórias e versos de forma oral. “Inspirado pelas leituras que minha mãe fazia, aprendi a ler com rapidez e desde jovem comecei a também escrever os meus versos”, diz.

Gilmar fazia seus cordéis sem pretensão, tanto que descartava a maior parte de seus textos. Os versos que abrem essa matéria são do poema “Sou muitos cá no meu verso, um dos poucos que ele guardou desse período do final da adolescência. Com o tempo e o incentivo dos colegas, ele passou a valorizar mais sua produção. No final deste ano, o professor deve lançar um livro com seus poemas de cordel, o Versos para a terra. “Escrevo sobre experiências da minha infância, como ir à feira ou fazer farinha, sobre minha relação com a religiosidade, faço críticas sociais, além de apontar a hipocrisia humana com relação à população LGBT. São temas que vêm das minhas experiências e inquietações”, explica.

A profissão docente também é fonte de inspiração para Gilmar, como pudemos ouvir nos versos apresentados por ele no último dia do Encontro de Semifinalistas de Artigo de opinião. Ouça o professor declamando seu poema e leia o texto completo abaixo:

Clique aqui para ler o poema

 

O mandacaru quer água,

O açude quer ver chover

Pra deixar verde a plantinha

Pro gado a água beber

A gente que é professor

Precisa muito de amor

Para sempre florescer.

 

É amor de sentir apoio

No ouvir e no falar.

É o amor da experiência

Que podemos partilhar.

Amor que na correria

Perde pra burocracia

E a gente fica a penar.

 

É tão bom ver noutros olhos

A força, o encantamento

Pela nossa profissão,

Isso chega a ser alento.

Feito santo no andor,

Arrodeado de flor,

Me vejo nesse momento.

 

Vou discordar de Camões, 

Que em sua epopeia

Vangloria um tal de Vasco,

Inspirado em Odisseia.

Vou contrariar Dirceu

Que amor ofereceu

A Maria Doroteia.

 

 

Porque heróis de verdade 

É quem faz educação. 

Nossa batalha é constante,

Mas ninguém vê isso não.

Arrocham peso na gente

E cada um que aguente

A desvalorização.

 

Heróis precisam direto 

De afago e de atenção,

De atitudes de respeito

Em toda situação. 

E até trocar figurinha 

Pra ver se a gente alinha

O poder da educação. 

 

Por isso sou gratidão

Hoje aqui nesse dia

A todos que conheci

E me encheram de alegria. 

A essas pessoas boas

Envio de Alagoas

Meu amor em poesia.

 

Cordel na escola

Em sala de aula, Gilmar também trabalha o cordel com os(as) estudantes. Ele conta que os(as) alunos e alunas já conhecem e apreciam o gênero, que é muito forte na região. “Eles trazem poemas de cordel para a roda de leitura, por exemplo, e eu apresento os autores da nossa região e nomes como Patativa do Assaré”, diz.

As regras de produção do cordel, que envolvem ritmo, rima e metrificação próprios, também são assunto das aulas. “É importante eles conhecerem essa estrutura, que não é tão simples. Até para entenderem que, apesar do preconceito que ainda existe, essa não é uma arte inferior, só porque é feita por muitas pessoas pobres e analfabetas”, ressalta o professor.

As atividades com a turma ainda costumam envolver a impressão dos poemas produzidos pelos alunos e ilustrações em isogravura, produzidas em parceria com o professor ou professora de artes. “A xilogravura é muito trabalhosa, então fazemos com isopor e tinta guache. Depois, as produções também são apresentadas em saraus ou exposições. Mas a pandemia dificultou muito o trabalho”, lembra o professor.

Outros gêneros

Trabalhar com Artigo de opinião no ensino remoto também foi um desafio, tanto pelo cansaço trazido pelo formato quanto pela alta evasão. “Estava agoniado, achava que não era o momento de fazer uma Olimpíada, mas pensei também: quem sabe essa não é uma motivação para trazer os alunos para escola?” Junto com professores de outras disciplinas e equipe gestora, a Escola Estadual Rocha Cavalcanti organizou uma live sobre a abertura da Olimpíada e o tema “O lugar onde vivo”.

A equipe também lançou um podcast diário, de 15 minutos, que trazia reflexões sobre o município, sua cultura e história. União dos Palmares (AL), onde se localiza a unidade, é território do famoso quilombo dos Palmares, lar de Zumbi e Dandara, entre outros. Outra ação foi uma exibição on-line dos documentários produzidos pelos(as) estudantes da última edição da Olimpíada seguida de uma live com eles respondendo às dúvidas dos colegas. As atividades dos Cadernos Docentes também foram mobilizando alguns(algumas) estudantes. Mas ainda era pouco.

 


“Tive a ideia de montar uma banca na feira. Trazia as atividades impressas para os alunos fazerem, outras já corrigidas para devolver, apresentava informações sobre a Olimpíada, além de oferecer livros, CDs e DVDs, porque para produzir eles precisam ler, ver documentários”, explica Gilmar. A banca era montada na principal feira da cidade, nos dias de maior movimento. Alguns estudantes também combinavam um horário para tirar suas dúvidas na escola, já que o contato on-line nem sempre era suficiente.

 

Com todas essas ações, a participação cresceu, assim como as produções dos estudantes. Ao final, a escola ainda fez uma live de premiação para os estudantes. “Foi como o Oscar da Olimpíada on-line”, conta o professor. E, por sugestão deles, além das medalhas, os(as) estudantes ganharam pizza. “Essas ações deram sentido à minha prática pedagógica neste momento difícil”, diz Gilmar.

 

 

Veja como foi o encerramento e conheça os finalistas do gênero Artigo de opinião

Na ponta da língua e do lápis, ainda que pelas telas, como diz a música tema da 7ª edição da Olimpíada, chega ao fim o Encontro de Semifinalistas do gênero Artigo de opinião. A cerimônia de encerramento, transmitida do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (SP), foi embalada por apresentações de música e a poesia de Geni Guimarães, homenageada desta edição.

Para estudantes e professores(as), a escritora desejou boa sorte, no concurso e na vida. “Que tenham todos a boa sorte que eu tive, de amar, ser respeitada e trabalhar com dignidade”, disse Geni. Outro momento de grande emoção foi a revelação dos(as) professores(as) e turmas finalistas. Confira a lista ao final do texto.

Diversidade de vozes

Os Encontros com os estudantes revelaram sotaques diversos e vozes múltiplas, que expressavam opiniões, bons argumentos e pontos de vista variados sobre o mundo e suas realidades. Os(as) jovens compartilharam seus medos, inseguranças, ansiedades e anseios diante de um momento tão difícil, mas também puderam se reconhecer nas histórias de seus colegas de todo o Brasil. Do lado de cá, renovamos nossa confiança na potência da juventude para superar os desafios e construir um novo futuro.

Os professores e professoras deram exemplo de resistência e compromisso. Ouvir suas histórias e conhecer um pouco de suas estratégias e criatividade na busca por mobilizar os(as) estudantes em meio à pandemia é confirmar nossas certezas na educação e em seus docentes como o melhor caminho para nosso país.

 

Finalistas

Nordeste

 

“Com os pés no chão e a mente nos ares”

Prof.ª Carla Barbosa de Sá Leal

E.E. Escola Júlio de Mello

Floresta - PE

“Um poema em louvor da estrada”

Prof. Gilmar de Oliveira Silva

E.E. Rocha Cavalcanti

União dos Palmares - AL

 

“Longe dos olhos e perto do coração”

Prof.ª Lívia de Oliveira Silva

E.E. Prof. José Quintella Cavalcanti

Arapiraca - AL

 

“Produção textual: superando o desafio de desenvolver a habilidade de leitura e produção de artigos de opinião em tempos de pandemia”

Prof. Melqui Zedeque Lopes Ribeiro

E.E. Deputado José Medeiros

Paulo Jacinto - AL

 

“Escrevivência: tecendo palavras, reverberando trajetórias!”

Prof.ª Patrícia Barreto da Silva Carvalho

IFPE – Campus Garanhuns

Garanhuns - PE

 

 

Norte

 

“A arte do estudo além dos nossos limites”

Prof.ª Débora Ferreira da Silva

E.E. Girassol de Tempo Integral Meira Matos

Aparecida do Rio Negro - TO

“A incrível arte de opinar”

Prof.ª Jheme Quezia Nunes de Abreu Rodrigues

Col. Agropecuário de Almas

Almas - TO

 

“Autoescola da vida: articulistas habilitados”

Prof. Josue Pereira de Lima

E.E. Prof. José Barroso Tostes

Santana - AP

 

 

Sudeste

 

“No meio do caminho tinha uma pandemia”

Prof.ª Adriana Pin

IFES - Campus São Mateus

São Mateus - ES

“Lecionar para quem me surpreende...”

Prof. Antônio Augusto Braico Andrade

CEFET- MG – Unidade Belo Horizonte

Belo Horizonte - MG

 

“Velhas amigas e uma aventura”

Prof.ª Elaine Pomaro

E.E. Antônio Marin Cruz

Marinópolis - SP

“Quando o distanciamento é a norma, que nos aproxime o coração”

Prof.ª Lourdes Aparecida Lopes Barbosa de Souza

E.E. de Lambari

Novo Cruzeiro - MG

 

“Um jeito diferente de aprender e ensinar de forma significativa”

Prof.ª Rosileni Muniz da Silva

E.E. da Vila Novo Horizonte

Montalvânia - MG

“Argumentar para a vida: caminhos possíveis”

Prof.ª Shantynett Souza Ferreira Magalhães Alves

E.E. Betânia Tolentino Silveira

Espinosa - MG

 

 

Sul

 

“A descoberta do meu lugar: o desabrochar de uma professora”

Prof.ª Ana Paula Quiquio Wernke

E.E.E.B. Walter Probst

Aurora - SC

“Vivências reais e os ensinamentos da pandemia”

Prof.ª Vanessa de Melo

Col. Estadual Monte Alverne

Santa Cruz do Sul - RS

 

Faça o download da lista dos finalista de Artigo de opinião, clicando no botão abaixo.


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