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sua aula / planos de aula

Como trabalhar a participação política por meio de artigos de opinião

Ana Paula Severiano

10 de agosto de 2022

Público-alvo

Estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental. Essa sequência didática pode ser adaptada para o Ensino Médio.

Nº de aulas

13 (40 a 50 min cada).

BNCC

5 Competências
9 Habilidades

Público-alvo

Estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental. Essa sequência didática pode ser adaptada para o Ensino Médio.

Nº de aulas

13 (40 a 50 min cada).

BNCC

5 Competências
9 Habilidades

Recursos Materiais Necessários


  • Cópias dos textos, projetor com áudio, folhas de papel e envelope.
BNCC

Língua portuguesa - 6º ao 9º ano

Campo jornalístico-midiático:

  • Apreciação e réplica 

  • Estratégia de leitura: apreender os sentidos globais do texto

  • Relação do texto com o contexto de produção e experimentação de papéis sociais

  • Participação em discussões orais de temas controversos de interesse da turma e/ou de relevância social

  • Construção composicional

Língua portuguesa - 8º e 9º anos

Campo jornalístico-midiático:

  • Estratégia de produção: planejamento de textos argumentativos e apreciativos

  • Textualização de textos argumentativos e apreciativos

  • Argumentação: movimentos argumentativos, tipos de argumento e força argumentativa

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL (BNCC):

Clique nos códigos das habilidades para ler suas descrições

COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Nº2:

Apropriar-se da linguagem escrita, reconhecendo-a como forma de interação nos diferentes campos de atuação da vida social e utilizando-a para ampliar suas possibilidades de participar da cultura letrada, de construir conhecimentos (inclusive escolares) e de se envolver com maior autonomia e protagonismo na vida social.

HABILIDADES:

EF69LP07Produzir textos em diferentes gêneros, considerando sua adequação ao contexto produção e circulação – os enunciadores envolvidos, os objetivos, o gênero, o suporte, a circulação -, ao modo (escrito ou oral; imagem estática ou em movimento etc.), à variedade linguística e/ou semiótica apropriada a esse contexto, à construção da textualidade relacionada às propriedades textuais e do gênero), utilizando estratégias de planejamento, elaboração, revisão, edição, reescrita/redesign e avaliação de textos, para, com a ajuda do professor e a colaboração dos colegas, corrigir e aprimorar as produções realizadas, fazendo cortes, acréscimos, reformulações, correções de concordância, ortografia, pontuação em textos e editando imagens, arquivos sonoros, fazendo cortes, acréscimos, ajustes, acrescentando/ alterando efeitos, ordenamentos etc.EF69LP21Posicionar-se em relação a conteúdos veiculados em práticas não institucionalizadas de participação social, sobretudo àquelas vinculadas a manifestações artísticas, produções culturais, intervenções urbanas e práticas próprias das culturas juvenis que pretendam denunciar, expor uma problemática ou “convocar” para uma reflexão/ação, relacionando esse texto/produção com seu contexto de produção e relacionando as partes e semioses presentes para a construção de sentidos.
 

COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Nº3

Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes campos de atuação e mídias, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo a se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, e continuar aprendendo.

HABILIDADES:

EF69LP11Identificar e analisar posicionamentos defendidos e refutados na escuta de interações polêmicas em entrevistas, discussões e debates (televisivo, em sala de aula, em redes sociais etc.), entre outros, e se posicionar frente a eles.EF89LP23Analisar, em textos argumentativos, reivindicatórios e propositivos, os movimentos argumentativos utilizados (sustentação, refutação e negociação), avaliando a força dos argumentos utilizados.
 

COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Nº5

Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de linguagem adequados à situação comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e ao gênero do discurso/gênero textual. 6. Analisar informações, argumentos e opiniões manifestados em interações sociais e nos meios de comunicação, posicionando-se ética e criticamente em relação a conteúdos discriminatórios que ferem direitos humanos e ambientais. Reconhecer o texto como lugar de manifestação e negociação de sentidos, valores e ideologias.

HABILIDADES:

EF69LP06Produzir e publicar notícias, fotodenúncias, fotorreportagens, reportagens, reportagens multimidiáticas, infográficos, podcasts noticiosos, entrevistas, cartas de leitor, comentários, artigos de opinião de interesse local ou global, textos de apresentação e apreciação de produção cultural – resenhas e outros próprios das formas de expressão das culturas juvenis, tais como vlogs e podcasts culturais, gameplay, detonado etc.– e cartazes, anúncios, propagandas, spots, jingles de campanhas sociais, dentre outros em várias mídias, vivenciando de forma significativa o papel de repórter, de comentador, de analista, de crítico, de editor ou articulista, de booktuber, de vlogger (vlogueiro) etc., como forma de compreender as condições de produção que envolvem a circulação desses textos e poder participar e vislumbrar possibilidades de participação nas práticas de linguagem do campo jornalístico e do campo midiático de forma ética e responsável, levando-se em consideração o contexto da Web 2.0, que amplia a possibilidade de circulação desses textos e “funde” os papéis de leitor e autor, de consumidor e produtor. EF69LP08Revisar/editar o texto produzido – notícia, reportagem, resenha, artigo de opinião, dentre outros –, tendo em vista sua adequação ao contexto de produção, a mídia em questão, características do gênero, aspectos relativos à textualidade, a relação entre as diferentes semioses, a formatação e uso adequado das ferramentas de edição (de texto, foto, áudio e vídeo, dependendo do caso) e adequação à norma culta. EF89LP22Compreender e comparar as diferentes posições e interesses em jogo em uma discussão ou apresentação de propostas, avaliando a validade e força dos argumentos e as consequências do que está sendo proposto e, quando for o caso, formular e negociar propostas de diferentes naturezas relativas a interesses coletivos envolvendo a escola ou comunidade escolar.


COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Nº7

Reconhecer o texto como lugar de manifestação e negociação de sentidos, valores e ideologias.

HABILIDADE: 

EF89LP18Explorar e analisar instâncias e canais de participação disponíveis na escola (conselho de escola, outros colegiados, grêmio livre), na comunidade (associações, coletivos, movimentos, etc.), no munícipio ou no país, incluindo formas de participação digital, como canais e plataformas de participação (como portal e-cidadania), serviços, portais e ferramentas de acompanhamentos do trabalho de políticos e de tramitação de leis, canais de educação política, bem como de propostas e proposições que circulam nesses canais, de forma a participar do debate de ideias e propostas na esfera social e a engajar-se com a busca de soluções para problemas ou questões que envolvam a vida da escola e da comunidade.
 

COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Nº10

Mobilizar práticas da cultura digital, diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais para expandir as formas de produzir sentidos (nos processos de compreensão e produção), aprender e refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais.

HABILIDADE: 

EF69LP25Posicionar-se de forma consistente e sustentada em uma discussão, assembleia, reuniões de colegiados da escola, de agremiações e outras situações de apresentação de propostas e defesas de opiniões, respeitando as opiniões contrárias e propostas alternativas e fundamentando seus posicionamentos, no tempo de fala previsto, valendo-se de sínteses e propostas claras e justificadas.
 

Objetivos Gerais


  • Mobilizar conhecimentos prévios dos(as) estudantes sobre o conceito de participação política.

  • Ampliar o repertório cultural dos(as) estudantes a partir do estudo e da análise de diferentes formas de participação política das juventudes ao longo da história recente.

  • Discutir como a participação política das juventudes é influenciada por fenômenos como as fake news, a desinformação e a ameaça à liberdade de expressão.

  • Revisar função social e estrutura composicional do gênero artigo de opinião.

  • Mobilizar as discussões sobre o tema participação política das juventudes no planejamento e na escrita de artigos de opinião.

  • Revisar e editar os artigos de opinião escritos em aula.
ETAPA 1: O que é participação política? (2 aulas)

Objetivos:

  • Mobilizar conhecimentos prévios sobre participação política.

  • Ler e interpretar exemplares de variados gêneros do discurso a fim de sensibilizar os(as) estudantes para o tema.

  • Construir coletivamente os significados de participação e de política com base nos conhecimentos prévios e nas leituras de ampliação do repertório.

Atividades:

 Comece a aula entregando dois pedaços de papel pequenos a cada estudante. Peça que em um papel eles(as) escrevam o significado da palavra participação e, no outro, o significado da palavra política. Explique que esta é uma sensibilização para o tema desta e das próximas aulas, em que trataremos da participação política da juventude. Nesta etapa, eles(as) não devem usar o celular ou qualquer outro meio de consulta para escrever as definições.

 Em seguida, peça que, com o auxílio de fita adesiva, coloquem as definições de participação e de política em um local visível para todos(as), pode ser no mural ou em uma parede da classe.

 Os(As) estudantes devem, então, ler todas as definições que foram escritas e elencar aquelas que foram mais frequentes ou mais chamaram a atenção. No quadro, faça uma síntese das ideias que resultaram da leitura do grupo e questione como a turma se sentiu no momento de escrita das definições: O que foi mais fácil de definir, política ou participação? Por que, com frequência, repetimos algumas definições? Será que, no processo de pensar o significado das palavras, deixamos algumas ideias de fora?

 Depois da mobilização de conhecimentos prévios, entregue cópias dos textos apresentados a seguir e peça que os(as) estudantes se revezem na leitura em voz alta dos trechos. A cada leitura, peça que indiquem as principais ideias do excerto e anote no quadro. As anotações serão retomadas adiante. Clique na coletânea abaixo para ter acesso aos textos.

Coletânea de textos


 Após a leitura, incentive a turma a comparar as definições previamente apresentadas com as inferências que resultaram da leitura dos textos. O que é semelhante às definições iniciais? O que poderia ser acrescentado a elas?

 Ressalte que o mais frequente, para a maioria das pessoas, é pensar em política como o exercício da política tradicional – como aparece no texto III –, feito por deputados, vereadores e outros políticos “profissionais”. No Brasil, é de senso comum associar esse exercício à corrupção, como o texto IV explicita.

 Convide os(as) estudantes a refletir que a definição de política, entretanto, pode ir além do senso comum, já que o exercício do poder em nome da construção do bem coletivo (texto II) está em toda a parte (texto VI), de modo que todas as nossas ações têm caráter político. Ainda, acrescente que a política está atrelada à transformação social (texto VIII) e ao questionamento do status quo  (texto I)

 Ressalte também que é possível ampliar a noção de participação política. Esta não se restringe ao voto ou à candidatura a um cargo público. A associação a organizações de bairro ou ao grêmio da escola além da disseminação de informações políticas, por exemplo, por meio das redes sociais, são também formas de atuação na vida pública.

 Por fim, distribua um pedaço de papel a cada estudante e solicite  que, considerando as conversas que tiveram e as leituras da aula, escrevam uma definição para participação política e a coloquem em local visível, como o mural ou uma das paredes da sala.

ETAPA 2: Os(As) jovens e a política: Um diálogo entre passado e presente (3 aulas)

Objetivos:

  • Ampliar o repertório dos(as) estudantes sobre a participação política da juventude.

  • Fomentar habilidades ligadas à oralidade e ao campo do estudo e da pesquisa.

  • Discutir o papel da juventude na política a partir de uma comparação entre passado e presente.

Atividades:

 Comece a aula recuperando as definições que foram construídas no encontro anterior por meio da leitura de algumas das definições de participação política. Explique que, nesta etapa, discutiremos com mais aprofundamento a participação política da juventude na atualidade. Para alcançar esse objetivo, faremos uma viagem por marcos da história recente do Brasil.

 Projete algumas imagens, dos séculos XX e XXI, em que jovens aparecem como protagonistas de manifestações políticas. A seguir, fazemos algumas sugestões para a seleção das imagens, mas sinta-se à vontade para incluir outras fotografias que sejam relevantes para a discussão:

 Pergunte à turma se reconhecem alguns dos eventos que aparecem na imagem e pergunte o que as fotografias têm em comum. Evidencie que se trata de grandes manifestações públicas em que os(as) jovens são os(as) protagonistas, embora haja a participação de todas as faixas etárias, conforme mostram as imagens.

 Se for possível, você pode convidar docentes de Ciências Humanas para contextualizar brevemente cada foto.

 Na sequência, divida a sala em seis grupos. Sorteie um tema para cada grupo (1. Passeata dos 100 mil; 2. Diretas Já; 3. Caras pintadas; 4. Movimento contra o aumento da passagem ou Jornadas de junho; 5. Ocupação de escolas secundaristas; 6. Atos contra violência policial e genocídio negro).

 Explique que cada grupo deve elaborar uma apresentação curta – algo entre 7 e 10 minutos – sobre o evento sorteado. Na apresentação, cada grupo deve contemplar o que motivou os(as) jovens a saírem às ruas naquele contexto e quais os resultados do ato. Para isso, podem usar recursos audiovisuais, como vídeos, músicas e imagens da época.

 Organize a sequência das apresentações (das mais atuais para as mais antigas ou o contrário) e peça que a turma tome nota das informações mais relevantes.

 Quando todos os grupos se apresentarem, abra um círculo na sala a fim de promover um debate sobre a participação política da juventude. Sugerimos algumas questões para motivar a conversa:

  • Ao longo das últimas décadas, os(as) jovens parecem buscar o protagonismo das manifestações políticas. Vocês concordam com essa afirmação? Todos os jovens estavam nas ruas participando dos atos que foram apresentados durante a aula?

  • Se a resposta for sim, o que leva os(as) jovens a buscar essa posição de destaque? O que os seis atos têm em comum, além do protagonismo juvenil? O que esses(as) jovens buscavam?

  • Vocês consideram que hoje os(as) jovens têm protagonismo na liderança de atos políticos?

  • E mais: na atualidade, a maioria dos(as) jovens tem interesse pela política? As formas de participação na vida pública são iguais às que vimos nas imagens, especialmente, as mais antigas? Se não, o que mudou?

 Termine esta etapa fazendo uma síntese das reflexões que resultaram da roda de conversa e indique que no próximo encontro trataremos das formas emergentes de participação política da juventude.

É proibido proibir

Se considerar pertinente, escute com a turma o áudio da performance de Caetano Veloso com Os Mutantes durante o Festival da Canção de 1968. Caetano foi vaiado pelo público e fez um discurso contundente, no qual critica a juventude e mostra que, à época da ditadura militar, não havia consenso entre os(as) jovens nem no que se referia ao gosto musical. O compositor e intérprete afirma: “Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado! São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem!”

https://www.youtube.com/watch?v=afwWdtUl0kY

ETAPA 3: As vozes das juventudes (2 aulas)

Objetivos:

  • Ler e interpretar textos informativos e opinativos sobre questões de interesse na atualidade.

  • Reconhecer, nomear e problematizar diferentes formas de participação política das juventudes na atualidade.

  • Desenvolver habilidades de argumentação oral por meio da participação em debate mediado.

Atividades:

 Retome as discussões do encontro anterior e pergunte se, na turma, há jovens que já tiraram o título de eleitor ou se conhecem amigos mais velhos que irão participar das eleições de 2022, que elegerão o(a) presidente(a) da república, governadores(as), senadores(as), deputados(as) federais e estaduais. Se a resposta for positiva, pergunte por qual razão eles(as) ou os amigos(as) decidiram tirar o título este ano.

 Na sequência, assista com a turma uma reportagem (“Número de jovens entre 16 e 17 anos com título de eleitor caiu nos últimos anos”) que trata da baixa adesão dos(as) jovens entre 15 e 17 anos às eleições, já que, no início do ano, parcela significativa deste grupo ainda não havia solicitado o título de eleitor.

 Depois de ver a reportagem, liste com a turma os motivos que podem levar a faixa etária dos mais jovens a uma baixa adesão às eleições. São muitas as possibilidades, mas dê destaque (caso não apareça na fala do grupo):

  • À falta de informação.

  • Ao descrédito na política institucional e nos políticos, em razão dos escândalos de corrupção e da situação econômica e social do país.

  • À falta de formação – na escola e fora dela, muitas vezes – para a participação política.

  • Às outras formas de participação da juventude na política que vão além do voto.

 Então, leia um texto publicado no site do Tribunal Superior Eleitoral sobre os resultados de uma campanha nacional que mobilizou os(as) jovens a tirarem o título de eleitor: “TSE comemora marca histórica de jovens eleitores nas Eleições 2022”

 A partir dos dois textos jornalísticos estudados, provoque a turma a levantar/trazer/traçar hipóteses: O que explica o aumento tão expressivo, em um período tão curto de tempo, da adesão dos(as) jovens às eleições? Anote as hipóteses no quadro antes de iniciar a leitura da próxima referência.

 Peça que os(as) estudantes formem duplas e entregue a cada uma delas dois textos:

 As duplas devem ler os textos, grifar as informações mais importantes e anotar, na própria folha em que eles foram impressos, as palavras-chave. Se houver infraestrutura na sua escola, as duplas também podem montar, em aplicativos como o Jamboard, um painel com as sínteses e inferências das leituras.

 Abra um círculo, projete novamente algumas das imagens exibidas na etapa 2 e discuta com a turma:

  • O que mudou nas formas de participação das juventudes nos dias atuais?

  • O fato de que os(as) jovens parecem tomar menos as ruas, sobretudo, no contexto pós-pandemia, significa que não estão interessados em política?

  • Além das formas mencionadas nos textos, o grupo consegue mencionar outras formas de participação política que não se restringem à participação nas eleições e aos grandes atos nas ruas?

  • É possível dizer que uma forma de participação política é mais efetiva que outra? Ou ainda, a participação política nas redes sociais permite a transformação social? Conseguimos dar exemplos conhecidos que comprovem nosso ponto de vista?

 Ao longo de todos os debates propostos nesta sequência didática, é possível que aconteçam divergências entre os(as) estudantes. Fomente a expressão dos diferentes pontos de vista assim como a comunicação não violenta e o respeito aos turnos de fala.

10º Retome os principais exemplos e argumentos que apareceram no debate e incentive a turma a pensar, para a próxima aula, na seguinte questão: O que pode influenciar, direta e indiretamente, o pensamento político da juventude na era das redes sociais?

ETAPA 4: A política e os riscos da desinformação (1 aula)

Objetivos:

  • Recuperar os conceitos de desinformação e de fake news.

  • Discutir a influência da desinformação e das fake news sobre a participação política das juventudes.

Atividades:

 Escolha uma notícia curta qualquer, imprima e coloque dentro de um envelope. Organize a sala em um círculo. Entregue o envelope a um(a) estudante, oriente-o(a) a ler a notícia e a contá-la, em voz baixa, para o(a) colega ao lado. Peça que este(a) conte para a pessoa seguinte e assim sucessivamente, como na brincadeira de telefone sem fio. Quando a notícia chegar ao(á) último(a) componente da roda, peça que conte, em voz alta, a informação que chegou até ele(a). Oriente, então, o portador(a) do envelope a ler a notícia original.

 É possível que a informação dita em voz alta seja um pouco ou muito diferente da original. Por que isso aconteceu? Algum(a) estudante, durante a transmissão da informação, teria intencionalmente modificado os fatos? Ou alguém não entendeu direito o que ouviu e por isso transmitiu dados diferentes daqueles que estavam na fonte?

 Projete o trecho de um texto sobre desinformação e fake news, extraída do Guia da Educação Midiática, (p. 47), produzido pela organização Educamídia:

Desinformação é o termo mais amplo para nos referirmos a qualquer tipo de conteúdo falso, impreciso, tendencioso, distorcido ou fora de contexto, criado de forma intencional ou não.

Já as fake news são um tipo bem específico de desinformação. O termo diz respeito a conteúdos propositalmente falsos, ou seja, que foram criados com intenção de enganar. Além disso, muitas vezes imitam o visual e o estilo de veículos de comunicação sérios, tentando pegar carona na credibilidade.

As motivações para criar e disseminar fake news vão desde ganhar dinheiro até conquistar apoio para determinada causa ou ideia.

O termo desinformação contempla um conjunto maior de conteúdos. Pode, por exemplo, ser resultado de um erro não intencional cometido por um jornalista, de um dado divulgado de forma incompleta ou mesmo de um título mal escrito. A desinformação também pode ter origem no baixo letramento informacional do público. É o que acontece, por exemplo, quando uma sátira é confundida com informação real, ou quando um leitor vê apenas a manchete (título) de uma reportagem, sem olhar o restante da notícia com um retrato mais completo do assunto.

É importante reconhecer os vários tipos de desinformação e não classificar tudo simplesmente como fake news. Um dos problemas com o termo é que ele se popularizou a ponto de ser usado sem muito critério, até mesmo como sinônimo de “toda informação que me desagrada ou contraria”.

 Pergunte à turma: A partir do texto, qual é a diferença entre desinformação e fake news? Que exemplos recentes temos de desinformação e de fake news em nossa realidade?

 Exiba o vídeo do professor de redação e filosofia Felipe Leal, sobre a regulamentação da mídia e o combate às fake news: Artigo de Opinião – Regulamentação de fake news: censura ou civilidade? Ressalte as passagens em que ele aborda os riscos políticos da disseminação das fake news.

 Retome, do encontro anterior, o debate a respeito do impacto dos influencers e do conteúdo que circula na internet sobre a participação política dos jovens.

 No mesmo sentido, discuta com a turma: Que riscos a desinformação e as fake news oferecem às novas formas de participação política das juventudes?

 Ressalte, na conversa, que a desinformação não se trata de um fenômeno isolado e o controle dos algoritmos por empresas especializadas foi determinante em pleitos como o dos Estados Unidos, em 2018. Na ocasião, o empresário Donald Trump, do Partido Republicano, venceu a eleição que disputava com a ex-senadora do Partido Democrata Hillary Clinton. Mais tarde, descobriu-se um escândalo de venda de dados pessoais envolvendo o Facebook e uma empresa que prestou consultoria para a campanha de Trump, a Cambridge Analytica. De posse dos dados das pessoas, foi mais fácil identificar aquelas que eram mais propensas a divulgar informações falsas e enviar, especificamente a elas, conteúdo mentiroso sobre Hillary, o qual viralizava mais rapidamente.

 Vale apresentar também dados que resultaram de uma pesquisa do  Datafolha (Para 60% das pessoas, notícias falsas podem influenciar muito a votação deste ano, de acordo com o Datafolha | Pesquisa Eleitoral | G1) divulgada em março de 2022. Segundo a pesquisa, 60% dos brasileiros acreditam que as fake news podem ter alguma influência sobre as eleições. Entre os jovens de 16 a 24 anos, a taxa cresce para 88%, mostrando o quanto a faixa etária tem clareza dos efeitos da desinformação.

10º Retome os pontos principais da aula e avise a turma que nos próximos encontros eles(as) farão um artigo de opinião sobre participação política das juventudes.

ETAPA 5: Planejamento e produção de artigo de opinião (3 aulas)

Objetivos:

  • Apresentar situação de produção de artigo de opinião articulada ao tema discutido nas aulas anteriores.

  • Acompanhar e auxiliar o planejamento e a produção textual durante as aulas de língua portuguesa.

Atividades:

 Entregue uma folha ou projete para a turma a seguinte situação de produção textual:

Considere que você é um(a) estudante dos anos finais do Ensino Fundamental e é um dos membros da chapa que está disputando as eleições para o grêmio de sua escola. Como parte da campanha, você e seus colegas decidiram divulgar, em uma rede social, textos que expressem as opiniões da chapa sobre temas da atualidade. Ficou sob sua responsabilidade a escrita de um artigo de opinião sobre o tema:

Engajamento político das juventudes: prática ultrapassada ou surgimento de novas formas de participação?

 Primeiro, discuta com a turma quem são os(as) interlocutores(as) do artigo de opinião, uma vez que são candidatos(as) ao grêmio escolar e que o texto será publicado em uma rede social.

 Como se trata de um suporte diferente de um jornal ou blog, estabeleça parâmetros para o texto. Oriente-os(as) a escrever cerca entre 1,5 e 2 mil caracteres e a pesquisar ou produzir uma imagem que possa ilustrar o texto.

 Depois, coletivamente, elenque argumentos para defender que os(as) jovens não se engajam na política (ou seja, a política é uma prática ultrapassada) e para defender que os(as) jovens, na verdade, têm se engajado em novas formas de participação.

 Revise a estrutura e as características do artigo de opinião (consulte o Caderno Pontos de vista, elaborado pela Olimpíada de Língua Portuguesa) brevemente.

 Incentive que os(as) estudante(s) façam o planejamento do texto e o rascunho antes de começar a escrita. Para isso, você pode distribuir conjuntos com pequenos pedaços de papel. Em cada papel, escreva elementos importantes da estrutura composicional do artigo de opinião – contexto, polêmica, tese, argumentos, conclusão. Peça que anotem nos papéis, em poucas palavras, o que pretendem desenvolver em cada uma das “peças” que compõem o artigo de opinião.

 Se a escola tiver equipamentos disponíveis, o mesmo exercício pode ser feito no computador e em programas de edição de texto on-line, como é o caso dos Documentos Google.

 Reserve tempo para que eles(as) possam escrever em classe enquanto você os(as) auxilia individualmente e, ao mesmo tempo, esclarece para o coletivo dúvidas que surgirem de forma recorrente durante o desenvolvimento da produção.

 Finalize a etapa dizendo que, no próximo encontro, eles(as) farão a edição e a revisão do texto.

Caso não seja possível fazer a análise individual dos textos, garanta tempo para que haja uma avaliação entre pares a partir de uma matriz elaborada por você. Os(As) jovens podem usar cores diferentes para indicar, nos artigos, questões relativas à estrutura, convenções da escrita, uso do repertório, argumentação e assim por diante.

ETAPA 6: Edição, revisão e compartilhamento do texto (2 aulas)

Objetivos:

  • Propiciar tempo e estratégias para edição e revisão dos artigos de opinião.

  • Socializar os artigos de opinião como resultado do percurso pedagógico proposto nas etapas anteriores.

Atividades:

 Caso você tenha recolhido as produções e comentado, devolva-as aos(às) estudantes. O Portal Escrevendo o Futuro publicou a análise de um texto que pode auxiliá-lo(a) a selecionar e organizar o quê e como comentar nas produções da turma. O material está disponível no Portal. Leia aqui.

 Uma série de discussões sobre a escrita de bilhetes orientadores também está disponível no Portal. Leia aqui.

 Prepare uma apresentação ou um quadro para indicar tanto os acertos quanto os aspectos a serem melhorados nos textos devolvidos.

 Oriente os(as) jovens a fazerem a leitura cuidadosa dos comentários e a reelaboração do texto, preocupando-se não apenas com as convenções da escrita, mas também com aspectos como a adequação ao gênero, a seleção e o desenvolvimento dos argumentos, a escolha lexical e as marcas de autoria.

 Quando terminarem a reelaboração, peça que façam uma revisão entre pares, pedindo que um(a) colega leia o artigo produzido e indique sugestões de alteração.

 Uma vez revisados os artigos, você pode propor que a turma de fato os publique em uma rede social. É possível reuni-las em um mural do Padlet ou divulgar pequenos trechos em sequência nos stories do Instagram, por exemplo.

Sobre a autora

Sobre a autora

Ana Paula Severiano é professora de redação no Ensino Médio, autora e editora de materiais didáticos e consultora em Educação. Foi colaboradora e formadora nas duas últimas edições da Olimpíada de Língua Portuguesa.

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