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Pergunte à Olímpia

Pergunte à Olímpia

Hora de corrigir o texto; e agora?
Profª Patrícia Santos

Professora Olímpia,

Tenho muitas dúvidas sobre a produção escrita e a correção de textos dos alunos. Gostaria de saber o que devo priorizar na correção, ou seja, o que não pode “ficar de fora”?

Obrigada,

Patrícia Santos

 

 

Cara professora Patrícia,

Tenho certeza de que sua questão, pelo menos uma vez, já foi formulada por todo professor de Língua Portuguesa!

De fato, saber priorizar aspectos para a produção de devolutivas aos alunos é um dos muitos desafios que temos, quando consideramos o processo de ensino-aprendizagem de gêneros do discurso, não é mesmo?

Bem, penso que sua pergunta deva ser acompanhada por outra: quais expectativas de aprendizagem serão contempladas no trabalho com determinado gênero? Digo isso, pois essas expectativas, ou seja, “o que esperamos que os alunos sejam capazes de fazer” definem também nossa prioridade na correção.

Como bem sabemos, é difícil esgotar o ensino de um gênero de uma única vez e, nesse sentido, temos de apostar no trabalho voltado à progressão, com vistas a elegermos aspectos a serem discutidos, por exemplo, por meio de uma SD, a fim de que outros sejam ensinados em um momento posterior da escolaridade, quando do retorno desse gênero para novas ênfases e aprofundamento. 

O que estou querendo destacar é a ideia de que quando elegemos expectativas de aprendizagem, estamos também elegendo os nossos focos de ensino e de correção de textos, já que apenas poderemos apontar como demandas para reelaboração escrita o que efetivamente ensinarmos, certo?

Nesse raciocínio, teremos um gênero em destaque, a partir do qual são eleitas expectativas de aprendizagem, que poderão ser trabalhadas com os alunos por meio de uma SD (como proposto na Coleção da Olimpíada), de forma a planejarmos propostas voltadas a diferentes dimensões desse gênero.

Quando pensamos em produção escrita, um aspecto que deve sempre fazer parte das expectativas de aprendizagem ou, como você disse, do que “não pode ficar de fora” é a vinculação do texto ao contexto de produção. Em outras palavras, é fundamental que os escritos dos alunos levem em consideração a definição clara de um assunto, a finalidade da escrita, os papéis assumidos por quem escreve e por quem lê, o suporte em que será publicado o texto e, por consequência, o gênero próprio da situação comunicativa.

Entendo ser igualmente importante a necessidade de o texto do aluno poder ser reconhecido pelo leitor como um exemplar do gênero. Dito de outra forma, o aluno precisa ser capaz de produzir, por exemplo, uma notícia, com manchete, olho, lide e corpo do texto, o que determinará que o leitor possa ter em mãos um texto com as características essenciais do gênero, pensando em sua forma composicional (ou plano global do texto).

Essas são, sem dúvida, prioridades, concorda? Afinal, se você ler um texto de um aluno e perceber que esses aspectos não estão representados, qual será a pertinência de apontar, na correção, para o uso indevido da vírgula ou a grafia incorreta de algumas palavras?

Acredito que no momento em que a dimensão discursiva do gênero estiver presente, é possível orientar sua devolutiva ao aluno em função de aspectos textuais, como as relações de coerência e coesão, sempre de acordo com os conteúdos de ensino estabelecidos para o ano e as expectativas definidas para aquele momento do processo de aprendizagem, levando em conta as possibilidades do gênero em foco.

Como você já deve ter percebido, sugiro que todo trabalho de correção seja orientado por uma proposta dialógica, que possibilite ao aluno retomar o texto, localizar as demandas de reelaboração apontadas pelo professor (preferencialmente, em forma de perguntas) e produzir uma nova versão. Para iluminar as ideias a esse respeito, vale a pena ler os materiais sobre bilhete orientador, disponíveis no nosso Portal e indicados abaixo.

Por fim, busca-se a dimensão linguística. Contrariando a lógica clássica da correção, entendo que as devolutivas para os alunos poderão apontar para ajustes relativos aos recursos estilísticos do gênero apenas quando as dimensões discursiva e textual estiverem contempladas no texto.

O mais importante é que o aluno tenha condições de, em posse da devolutiva docente, voltar aos conteúdos trabalhados nas oficinas de uma SD, a fim de elaborar uma nova versão do texto. Lembre-se: no trabalho com a produção escrita, não buscamos a pureza, mas sim as regularidades!

É claro que tudo dito até aqui está intimamente ligado à realidade de cada ano letivo, aos conteúdos a serem ensinados e à densidade de análise possível a cada turma. Mas, de todo modo, entendo que esse caminho reflexivo poderá gerar maiores e mais coerentes oportunidades de aprendizado para todos.

 

Por fim, seguem alguns convites para leitura que, certamente, contribuirão para essa discussão:

- Percurso Formativo sobre Aprimoramento de Textos, com direito a muitos textos, fórum, videoconferência e muito mais;

- Palestra de Joaquim Dolz, no Seminário Internacional Escrevendo o Futuro;

- Vídeo “Produção de textos na escola” (CEEL/UFPE).

 

Desejo muito sucesso em seu trabalho e, por favor, encaminhe suas outras dúvidas, combinado?

Um abraço e até já,
Olímpia

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