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Os cinco ‘novos’ desafios para o ensino da língua portuguesa

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Autor(a): Joaquim Dolz
13 Agosto 2015

A conferência do professor Dolz abriu o encontro na manhã de segunda-feira, 22 de junho. Ele também respondeu a perguntas dos participantes e de internautas que puderam vê-lo ao vivo em transmissão do Portal Escrevendo o Futuro. O pesquisador destacou a importância do trabalho com os gêneros textuais, como objetos integradores para o ensino da língua, e das sequências didática como as principais iniciativas para desenvolver este ensino.

Para ele, os novos desafios para o ensino da língua portuguesa se referem ao trabalho com texto/gênero; à forma de avaliar as produções e de trabalhar a textualidade; o de evitar a derivação técnica e, por fim, de como melhorar as intervenções dos professores.

Aqui, o vídeo com a conferência foi dividido em três partes que podem ser assistidas separadamente.  Para cada parte foi dado um título geral que remete à questão abordada pelo pesquisador. 

  • No primeiro, Dolz trata de  Os gêneros textuais e a sequência didática;
  • No segundo, o tema é Os cincos novos desafios para o ensino da Língua Portuguesa;
  • No terceiro, com mediação da Profa. Dra. Ana Luiza Marcondes Garcia (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo),  ele responde perguntas dos participantes do seminário e de internautas que puderam assistir a conferência ao vivo.

Devido ao grande número de perguntas enviadas, nem todas puderam ser respondidas durante o encontro e o professor Dolz se comprometeu a respondê-las posteriormente. Elas estão publicadas abaixo, logo após os vídeos.

 

 

 

Confira aqui as perguntas do público não respondidas

1) Como orientar os professores, cujos alunos conseguem ler, mas não dominam a escrita?

Para o desenvolvimento do letramento, a escrita é tão importante quanto a leitura. Os professores que conseguem desenvolver a leitura merecem parabéns. Eles não têm que perder a confiança no trabalho que eles desempenham; se os alunos conseguem ler, o seu trabalho inicial é um trabalho bem feito.

Acho que eles podem verificar rapidamente como é interessante o desenvolvimento da escrita e das diversas vantagens em se trabalhar a interação entre a leitura e a escrita para o desenvolvimento da linguagem dos alunos. 

Em primeiro lugar, o trabalho com a escrita implica sempre o trabalho com a leitura. Para escrever, precisamos ler outros textos, preparar os conteúdos documentando-os. O ato de escrever exige também o de reler para revisar e para seguir o fio da escrita. 

Em segundo lugar, a escrita transforma a relação com a língua. Nós pensamos o funcionamento da linguagem a partir do conhecimento da língua escrita. Vygotski diz que ela é a “álgebra da linguagem” que ajuda a pensar no seu funcionamento. Enfim e sobretudo, vocês podem orientar os professores mostrando a necessidade social da escrita para continuar a vida e formação todo cidadão. 

O trabalho com gêneros textuais por meio de sequências didáticas podem ajudar o professor a desenvolver projetos de escrita de qualidade.

 

2) Gostaria que o senhor falasse um pouco mais sobre o primeiro desafio, particularmente, sobre a questão da criatividade.

Simplesmente, eu acho que a voz dos alunos deve estar presente na escrita. Um problema da aplicação direta das sequências didáticas é o de realizar unicamente os exercícios e copiar os textos propostos como modelo. A sequência é uma ajuda para que o aluno possa desenvolver a escrita, mas nós temos que buscar caminhos para que ele expresse a sua voz. A atividade escolar permite descobrir os mecanismos da língua portuguesa. Nós, os pesquisadores da minha equipe, assim como os organizadores da Olimpíada de Língua Portuguesa, temos a ambição de dar a palavra ao aluno e trabalhamos para que ele descubra o seu estilo singular. Por isso, acho que temos que diversificar as tarefas e introduzir caminhos novos para desenvolver a criatividade e a singularidade na escrita sem perder o seu caráter social (respeito às normas do funcionamento dos gêneros textuais).

 

3) O vídeo apresentado pelo pesquisador é realmente muito bonito e tocante, no entanto, nos revela a realidade dos alunos incluídos. O garoto cego não teve mediação escolar alguma para a realização da tarefa proposta, foi o próprio estudante o responsável por encontrar um meio para desenvolver a atividade. Considerando a perspectiva da educação inclusiva no Brasil, é preocupante verificar que, dentre todos os trabalhos selecionados para apresentação, apenas um contenha esses estudantes, uma experiência com alunos cegos. Temos hoje a presença de tradutores intérpretes de libras no evento, mas não temos nenhum professor surdo ou um projeto que trabalhe com esse público. O senhor pode tecer algum comentário sobre a situação desses estudantes surdos em salas de aula regulares?

A professora tinha confiança no aluno cego porque ela conhecia as suas possibilidades. Nós chamamos "gesto de devolução" o fato de deixar a tarefa totalmente ao aluno para resolver um problema. Mas o que é interessante no vídeo é justamente como o aluno busca a mediação dos pais, dos outros alunos e sobretudo da professora de apoio. Acho que podemos falar de inclusão escolar porque ele tem um apoio e recebe diferentes tipos de ajuda, especialmente da professora que está lá para ajudá-lo e que conhece o braile.

Eu não conheço a política brasileira para a integração e inclusão dos meninos cegos para responder precisamente a sua pergunta. O meu conselho é o de sempre preparar e planificar as situações de inclusão em função dos contextos e do perfil dos alunos cegos. 

Também torço para uma boa aceitação de um professor surdo. Seria uma inovação escolar com muitas resistências por parte de alguns pais de alunos. Eu gosto dos desafios e esse é particularmente interessante. 

 

4) Tenho como prática de sala de aula solicitar dos alunos a reescrita de textos mediados por mim. Faço isso coletivamente. Isso requer tempo, o que não impede que eu trabalhe. Porém, alguns colegas criticam esse procedimento. O senhor pode falar um pouco sobre esse assunto?

Parabéns da minha parte pela sua iniciativa. Os alunos aprendem muito da discussão com os colegas. Muitas vezes as críticas e os conselhos de outro aluno são assimilados mais positivamente que as avaliações do professor. 

Para um interacionista como eu, nós aprendemos dialogando com os outros, e no caso da escrita o trabalho coletivo permite antecipar a recepção do texto  pelo destinatário. Os círculos de leitura ajudam a interpretar os textos e permitem compartilhar o processo de construção do sentido, encontrando muitas vezes novas interpretações. Os círculos de revisão permitem comentar os rascunhos dos alunos, discutir sobre os erros e os mecanismos de escrita, buscando coletivamente reformulações.  Acho que é uma atividade muito produtiva para o desenvolvimento da escrita. Nós adultos também a praticamos na escrita profissional.

 


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