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sua aula / planos de aula

Literatura afro-brasileira: proposta de trabalho com o livro Leite do Peito, de Geni Guimarães

Lara Rocha

30 de setembro de 2020

Público-alvo

Estudantes do Ensino Fundamental
Anos Finais: 8º e 9º anos. Pode ser adaptada para 6º e 7º anos

Duração

11 encontros
2 horas/aula por encontro

Alinhamento à BNCC

3 Competências
6 Habilidades

Público-alvo

Estudantes do Ensino Fundamental
Anos Finais: 8º e 9º anos. Pode ser adaptada para 6º e 7º anos

Duração

11 encontros
2 horas/aula por encontro

Alinhamento à BNCC

3 Competências
6 Habilidades

Esta sequência didática, concebida a partir da interlocução entre a leitura literária e a Educação para as Relações Étnico-raciais, propõe um trabalho com a obra Leite do Peito, de Geni Guimarães, a partir de aulas expositivas dialogadas, mediações de leitura, uso de recursos audiovisuais e rodas de conversa, e tem como principal instrumento pedagógico a elaboração de um diário de leitura.

Embora a proposta aqui aborde especificamente essa obra, é possível adaptá-la para outras produções literárias afro-brasileiras, ou até mesmo incorporar as referências bibliográficas ou oficinas para outras disciplinas. Por exemplo, é possível realizar apenas a oficina de bonecas Abayomis, sem necessidade de vinculá-la à leitura de uma obra.

Também é possível adaptar os encontros, escolher os que julgar mais interessantes ou viáveis, incluir (ou excluir) temas, textos. Cabe a cada docente refletir sobre as necessidades, disponibilidades e objetivos do grupo, então sintam-se livres para adequar as ideias da maneira que desejarem.

Leitura de autoras(es) negras(os) na escola

Leia o artigo Por que trabalhar literatura afro-brasileira na escola?, de Lara Rocha, e reflita sobre a importância de incluir a leitura de autoras(es) negras(os) no planejamento docente para o ensino de língua portuguesa.

 

Autora e obra

Geni Guimarães nasceu em 1947, em São Manuel, pequeno município do interior paulista. Ainda na infância, vai viver em Barra Bonita, município vizinho. A autora, que afirma ter herdado da mãe sua veia poética, passa a publicar textos nos jornais da cidade ainda no colégio. Seu primeiro lançamento foi o livro de poemas Terceiro Filho, em 1979. É nos anos 80 que se aproxima do Quilombhoje, grupo que edita os Cadernos Negros1, publicando contos e poemas. Em 1988, publica Leite do Peito, sua obra mais conhecida, adaptada no ano seguinte, 1989, para o que veio a ser o livro A cor da ternura, vencedor dos prêmios Jabuti e Adolfo Aisen. Geni também atuou muitos anos como professora.

Em 2019, a autora foi uma das convidadas da 6ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa e compartilhou suas lembranças e experiências. Confira abaixo:

Em 2020, a escritora foi homenageada pela Balada Literária. Para conhecer mais sobre a sua história, vale assistir o documentário “Geni Guimarães”, lançado durante o evento:

Aqui trabalharemos, então, com a obra Leite do Peito, que reúne contos autobiográficos e vão da infância à vida adulta, trazendo em cada palavra força e sensibilidade. Ao longo de toda a obra, questões de raça e classe são colocadas a partir do ponto de vista da narradora, nos levando refletir sobre o impacto do racismo, desde a infância, na formação de identidade de sujeitos negros.

Já no início, é possível perceber a profunda relação com a mãe, que trançava os cabelos da menina enquanto ela mamava e, quando questionada sobre o amor que tinha por Geni, estendia os braços. “Era o tanto certo do amor que precisava, porque eu nunca podia imaginar um amor além da extensão dos seus braços”, conta-nos a narradora.

Os contos que seguem carregam o mesmo olhar espirituoso e terno, ainda que experienciando episódios tão dolorosos, a exemplo das vivências escolares.

Em certa passagem, acompanhamos o 13 de maio e o encaminhamento dado pela professora à data. Geni, a partir das histórias contadas por Vó Rosária, uma amiga da família, havia escrito um poema para Princesa Isabel e mostrado para a professora, que lhe prometera que seria lido diante de todos na festinha em homenagem à princesa. Chegado o grande dia, a professora fala sobre o período da da escravidão e da abolição a partir de uma perspectiva salvacionista, em que a Princesa Isabel seria a única responsável e a população negra ignorante e pouco envolvida com o processo. Diferente das histórias que ouvira em casa, sua ancestralidade já não inspirava orgulho: “Quando dei por mim, a classe inteira me olhava com pena ou sarcasmo. Eu era a única pessoa dali representando uma raça digna de compaixão, desprezo. Quis sumir, evaporar, não pude”.

Enfim, contrariando as estatísticas e vencendo preconceitos, Geni Guimarães torna-se professora. Uma “professora preta”, que, no primeiro dia de aula, tem que enfrentar o olhar preconceituoso de uma aluna, que não estava acostumada a ver mulheres negras naquela posição e, consequentemente, não se sente à vontade para estar na sala de Geni. Entretanto, com muita destreza, a narradora contorna a situação e aproxima a estudante, rompendo mais uma vez com as barreiras do racismo.

 

O diário de leitura

O diário de leitura é um instrumento pedagógico que contribui para a formação de leitores reflexivos e autônomos, por ser uma forma de construir as ideias e a si mesmo a partir de registros autorais.

As anotações contemplam diversos aspectos: dúvidas, dificuldades, tentativas de compreensão dos fatos, relações intertextuais e reflexões acerca do processo de leitura, incluindo, inclusive, a voz do narrador. O registro deve se dar como uma espécie de diálogo, em que a(o) estudante pergunte, responda e escute, tendo o texto como interlocutor, e é justamente as infinitas possibilidades de sistematizar as percepções que faz do diário de leitura uma ferramenta tão interessante.

Por se tratar de um diário e de um processo autônomo de elaboração, é fundamental explicitar que não existe uma resposta única esperada. As orientações devem visar o aprofundamento e qualidade da abordagem, referências e indagações, não o certo ou errado. Ah, não esqueça: é fundamental que a data dos registros conste no diário!

Vale ressaltar que o diário de leitura não é um diário íntimo, mas um espaço para considerações acerca da obra. Assim, a ideia não é que esse espaço seja destinado a desabafos pessoais, mas a reflexões que, ainda que extrapolem o texto, sejam pertinentes à leitura da obra.

O trabalho pedagógico com o diário de leitura não necessariamente envolve a leitura dos registros pela(o) docente, podem ser anotações que só a(o) estudante terá acesso. Ou, pode funcionar até como instrumento de avaliação, fazendo-se necessário o compartilhamento dos escritos. Tudo vai depender do objetivo e do combinado feito com a turma. Não esqueçam de salientar, caso optem por ler os diários das(os) estudantes, como se dará o processo. Também não é necessário que a produção do diário fique restrita à sala de aula. É importante que haja momentos para o registro na escola, mas é possível estender essa atividade para casa, além de poder ser utilizado também como ferramenta para aprendizagem de outros conteúdos e disciplinas2.

Para que as(os) estudantes se interessem, pode ser atrativa a decoração do diário com desenhos, ilustrações ou recortes. Lembrem-se que a ideia é incentivar a conexão entre estudantes e o diário, então quanto mais se identificarem, inclusive esteticamente, melhor!

Para saber mais

Foi publicada na Gazeta do Povo uma proposta de uso dos diários de leitura para melhor aprofundamento e compreensão das obras de vestibular; vale dar uma olhada: Elaboração de um diário de leituras

Recursos materiais necessários


  • Recursos audiovisuais (projetor e caixa de som).
  • Cópias do livro Leite do Peito.
  • Cadernos para o diário de leitura.
  • Tecidos para confeccionar as bonecas Abayomis.
  • Material de artes para confeccionar a capa dos diários de leitura, as ilustrações e colagens.
BNCC

Competências Específicas de Língua Portuguesa:

  • Competência específica nº7
    Reconhecer o texto como lugar de manifestação e negociação de sentidos, valores e ideologias.

  • Competência específica nº8
    Selecionar textos e livros para leitura integral, de acordo com objetivos, interesses e projetos pessoais (estudo, formação pessoal, entretenimento, pesquisa, trabalho etc.).

  • Competência específica nº9
    Envolver-se em práticas de leitura literária que possibilitem o desenvolvimento do senso estético para fruição, valorizando a literatura e outras manifestações artístico-culturais como formas de acesso às dimensões lúdicas, de imaginário e encantamento, reconhecendo o potencial transformador e humanizador da experiência com a literatura.


Práticas de linguagem / Objetos do conhecimento:

  • Leitura


Objetos de conhecimento:

  1. Reconstrução das condições de produção, circulação e recepção;
  2. Apreciação e réplica;
  3. Reconstrução da textualidade e compreensão dos efeitos de sentidos provocados pelos usos de recursos linguísticos e multissemióticos;
  4. Adesão às práticas de leitura;
  5. Estratégias de leitura.

Habilidades (clique ou passe o cursor do mouse sobre os códigos das habilidades para ler suas descrições):

EF69LP44   Inferir a presença de valores sociais, culturais e humanos e de diferentes visões de mundo, em textos literários, reconhecendo nesses textos formas de estabelecer múltiplos olhares sobre as identidades, sociedades e culturas e considerando a autoria e o contexto social e histórico de sua produção.  EF69LP46   Participar de práticas de compartilhamento de leitura/recepção de obras literárias/manifestações artísticas, como rodas de leitura, clubes de leitura, eventos de contação de histórias, de leituras dramáticas, de apresentações teatrais, musicais e de filmes, cineclubes, festivais de vídeo, saraus, slams, canais de booktubers, redes sociais temáticas (de leitores, de cinéfilos, de música etc.), dentre outros, tecendo, quando possível, comentários de ordem estética e afetiva e justificando suas apreciações, escrevendo comentários e resenhas para jornais, blogs e redes sociais e utilizando formas de expressão das culturas juvenis, tais como, vlogs e podcasts culturais (literatura, cinema, teatro, música), playlists comentadas, fanfics, fanzines, e-zines, fanvídeos, fanclipes, posts em fanpages, trailer honesto, vídeo-minuto, dentre outras possibilidades de práticas de apreciação e de manifestação da cultura de fãs.  EF69LP47   Analisar, em textos narrativos ficcionais, as diferentes formas de composição próprias de cada gênero, os recursos coesivos que constroem a passagem do tempo e articulam suas partes, a escolha lexical típica de cada gênero para a caracterização dos cenários e dos personagens e os efeitos de sentido decorrentes dos tempos verbais, dos tipos de discurso, dos verbos de enunciação e das variedades linguísticas (no discurso direto, se houver) empregados, identificando o enredo e o foco narrativo e percebendo como se estrutura a narrativa nos diferentes gêneros e os efeitos de sentido decorrentes do foco narrativo típico de cada gênero, da caracterização dos espaços físico e psicológico e dos tempos cronológico e psicológico, das diferentes vozes no texto (do narrador, de personagens em discurso direto e indireto), do uso de pontuação expressiva, palavras e expressões conotativas e processos figurativos e do uso de recursos linguístico-gramaticais próprios a cada gênero narrativo.   EF69LP49   Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor.   EF89LP33   Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes – romances, contos contemporâneos, minicontos, fábulas contemporâneas, romances juvenis, biografias romanceadas, novelas, crônicas visuais, narrativas de ficção científica, narrativas de suspense, poemas de forma livre e fixa (como haicai), poema concreto, ciberpoema, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.  

 

  • Produção de textos


Objetos de conhecimento:

  1. Consideração das condições de produção;
  2. Estratégias de produção: planejamento, textualização e revisão/edição.

Habilidade (clique ou passe o cursor do mouse sobre o código da habilidade para ler sua descrição):

EF69LP51  Engajar-se ativamente nos processos de planejamento, textualização, revisão/edição e reescrita, tendo em vista as restrições temáticas, composicionais e estilísticas dos textos pretendidos e as configurações da situação de produção – o leitor pretendido, o suporte, o contexto de circulação do texto, as finalidades etc. – e considerando a imaginação, a estesia e a verossimilhança próprias ao texto literário.  

 

Objetivos gerais


  1. Estimular a leitura crítica do texto literário.
  2. Refletir e dialogar com os textos lidos.
  3. Refletir sobre as condições de produção do texto literário.
  4. Estimular a leitura literária e a fruição estética.
  5. Conhecer a se apropriar do gênero diário de leitura, levando em consideração estrutura e linguagem.
  6. Articular o texto produzido ao texto literário lido e às discussões realizadas em sala.

Objetivos específicos


  1. Leitura compartilhada da obra Leite do Peito.
  2. Colaborar para a formação de leitores reflexivos.
  3. Incentivar a formação de leitores literários.
  4. Estimular um olhar crítico para questões raciais, de gênero e de classe social no Brasil.
  5. Produção do diário de leitura.
  6. Produção artística a partir da leitura da obra.

Estratégias


  • Leitura da obra Leite do Peito.
  • Rodas de conversa.
  • Diário de leitura.
  • Oficina de criação de bonecas Abayomi.

Roteiro de atividades

Roteiro de atividades

I. Introdução ao gênero Diário de leitura + confecção

Objetivos:

  • Identificar as principais características do gênero a ser trabalhado.
  • Confeccionar o diário de leitura.

 

Pressupostos:

  • Caso seja decidido que cada estudante trará o caderno de casa, é importante já ter solicitado previamente, para que neste dia todas(os) estejam com o material em mãos. Ou, se for viável, providenciar com a escola o material.
  • Levar revistas, tesouras, tinta, canetas hidrográficas, lápis de cor e cola para confeccionar a capa do diário de leitura.

 

Atividades:

1. Apresentar o gênero “Diário de leitura” e como se dará sua elaboração ao longo dos encontros. Aqui, é importante levantar conhecimentos prévios da turma acerca do gênero, elencar diários conhecidos para então definir características do diário de leitura. Retomar aí os aspectos já apresentados acima, como a diferenciação do diário de leitura e do diário pessoal e os assuntos que devem ser registrados.

2. Propor a confecção da capa do diário de leitura a partir de recortes de revista ou ilustrações realizadas pelas(os) estudantes. O objetivo é que a(o) estudante se identifique e se interesse pelo trabalho.

II. Apresentação da proposta

Objetivos:

  • Conhecer a obra e a autora.
  • Conversar sobre o título Leite do Peito e levantar hipóteses, coletivamente, sobre o tema da obra.
  • Elaborar o primeiro registro no diário de leitura.

 

Pressupostos:

  • É importante já ter em mãos a cópia do livro que será utilizada. É possível adquirir exemplares no site da editora.

 

Atividades:

1. No primeiro momento, a ideia é apresentar para as(os) estudantes a autora Geni Guimarães. É possível aqui trazer alguns dados biográficos e imagens.

2. Exibir o vídeo em que a autora conversa com o jornal Brasil de Fato.

3. Conversar com as(os) estudantes acerca das impressões que tiveram ao conhecer um pouco sobre a autora: O que lhes chamou atenção? O que acharam do relato dela? Sobre o que será que ela escreve?

4. Já com o diário de leitura em mãos, apresentar a obra e levantar hipóteses a partir do título. Se possível, deixar que folheiem o livro, e pedir que observem os textos verbais e não-verbais presentes na capa, orelha, contracapa, índice.

5. Pedir que as(os) estudantes registrem no diário de leitura todas as impressões que conseguiram levantar acerca da obra: que tipo de texto espera encontrar? Sobre o que você acha que o texto trata? Que informações é possível extrair a partir da capa?

III. Conto: “Primeiras Lembranças”

Objetivos:

  • Leitura do primeiro capítulo “Primeiras Lembranças”.
  • Registro das primeiras impressões no diário de leitura.

 

Pressupostos:

  • É importante que a(o) docente já tenha lido e elencado as questões que gostaria de fazer ao longo da leitura.

 

Atividades:

1. Elencar oralmente, junto com as(os) estudantes, as primeiras lembranças que possuem da vida.

2. Iniciar a leitura do capítulo. Ao longo da leitura, levantar questionamentos acerca do capítulo. Seguem aqui algumas sugestões:

  • “Mãe, se chover água de Deus, será que sai minha tinta?” (p.16). Qual o significado do questionamento feito pela menina Geni? Como será que ela costumava se sentir para desejar mudar a cor de sua pele?
  • Por que a mãe passa a impedir que Geni mame, dizendo, inclusive, que seu leite estava podre?
  • Por que Geni acha que sua mãe vai morrer?
  • Como Geni se sentiu quando pediram que ficasse no quarto enquanto ela ouvia a mãe chorando?
  • Por que a menina promete que chamará o futuro irmão de Jesus e doce-de-leite?
  • Como Geni se sentiu ao ver o irmão?
  • Por que, depois de conhecê-lo se viu descompromissada de chamá-lo de Jesus?
  • O que podemos inferir sobre a imagem de Jesus que é difundida?
  • Como essa imagem impacta o imaginário das crianças, a exemplo de Geni?

3. Após a conclusão da leitura, levantar as percepções sobre o que foi lido. Vale também elencar algumas características da narrativa, como tempo, espaço e foco narrativo.

4. Pedir que as(os) estudantes registrem as impressões em seus diários de leitura. Pode ser interessante sugerir que, ao longo da leitura, já estejam com os diários em mãos e façam anotações de trechos ou comentários que acharem pertinentes.

IV. Conto: “Fim dos meus natais de macarronada”

Objetivos:

  • Leitura do segundo capítulo, "Fim dos meus natais de macarronada".
  • Refletir sobre os significados e memórias do natal e compreender que podem variar muito para cada sujeito.

 

Pressupostos:

  • Dispor de aparelho de áudio e vídeo para exibição do vídeo.

 

Atividades:

1. Para iniciar a aula, sugerimos exibir um vídeo extraído do programa Encontro com Fátima Bernardes, em que algumas pessoas relatam suas principais lembranças do natal. A ideia é que o vídeo desperte o olhar das(os) estudantes para as diferentes relações com a data e instigar que comentem sobre suas memórias também.

2. Iniciar a leitura do capítulo. Ao longo da leitura, levantar questionamentos acerca do capítulo. Seguem aqui algumas sugestões:

  • Quais eram as tradições de natal da família de Geni?
  • Qual era a relação das crianças com a comida naquela época?
  • Qual era a expectativa de Geni ao saber que os brinquedos seriam distribuídos?
  • Como era a postura, a princípio, do homem e da mulher que chegaram para distribuir os presentes?
  • Como foi a relação da mulher com Cema, irmã de Geni?
  • O que a motivou a agir dessa maneira?
  • Como Geni se sentiu durante a entrega dos presentes para ela e seus irmãos? E depois?
  • Como esse ocorrido afetou as memórias do natal de Geni e sua relação com a data?

Pedir que as(os) estudantes registrem as impressões em seus diários de leitura. Pode ser interessante sugerir que, ao longo da leitura, já estejam com os diários em mãos e façam anotações de trechos ou comentários que acharem pertinentes.

V. Conto: “Tempos Escolares”

Objetivos:

  • Leitura do capítulo "Tempos Escolares".
  • Refletir sobre o lugar da escola na disseminação do racismo.
  • Refletir sobre aspectos da vestimenta e higiene que diferenciam brancos e negros.

 

Pressupostos:

  • É muito importante que, antes desse encontro, a(o) docente reflita e busque se aprofundar em debates sobre racismo na escola, a fim de mediar um debate bem embasado. Para isso, indicamos a leitura do texto Combatendo o racismo na escola: abordagens possíveis, do Centro de Referências em Educação Integral; e do artigo O racismo que se perpetua entre os muros das escolas do Brasil, publicado no Geledés.
  • É interessante, para aprofundar o debate proposto a partir da leitura acerca dos critérios exacerbados de higiene que cobram de Geni, refletir sobre a perpetuação de valores como esse ao longo da história e como aparecem no dia a dia da população negra ainda hoje. No artigo História da educação da população negra: o estado da arte sobre educação e relações étnico-raciais (2003-2014), Marcelo Carvalho levanta questões fundamentais para pensarmos o papel da escola nesse processo. O artigo O insulto racial: as ofensas verbais registradas em queixas de discriminação, de Antonio Sérgio Alfredo Guimarães, também pode contribuir para o debate ao trazer alguns dos adjetivos frequentemente atribuídos à população negra, apontando a alta recorrência de comentários acerca da deficiência de limpeza e higiene a fim de desmoralizar os sujeitos negros.
  • No intuito de aproximar o debate das(os) estudantes e apresentar indícios de que ainda hoje a população negra é deslegitimada por suas vestimentas e constantemente associada à sujeira, sugerimos apresentar a thread publicada no ano passado quando questionaram pessoas negras sobre o que fariam se o racismo acabasse hoje. A grande quantidade de comentários envolvendo “ir ao shopping de chinelo” ou “usar boné” revela como, ainda hoje, existem diferentes exigências com relação às vestimentas entre brancos e negros. Outra opção é comentar sobre a experiência realizada por Pedro Fequiere para o BuzzFeed, o autor realizou as mesmas atividades por duas semanas, mas vestido de maneira diferente para observar a diferença de tratamentos que receberia. Vale conferir.

 

Atividades:

1. Pedir que as(os) estudantes registrem no diário de leitura as lembranças marcantes da escola, enfatizando as sensações, ou seja, como costumam se sentir no espaço escolar, com colegas, professoras(es) e funcionárias(os).

2. Iniciar a leitura do capítulo. Ao longo da leitura, levantar questionamentos acerca do capítulo. Seguem aqui algumas sugestões:

  • Como era a relação da mãe de Geni com a arrumação e higiene da menina? Por quê?
  • O que a mãe responde quando Geni fala de Janete, uma colega que não vai tão arrumada?
  • Qual é a relação da cor da pele das crianças com as cobranças de hábitos de higiene?
  • Vocês acham justo que haja uma diferenciação nesse sentido?
  • Será que atualmente ainda existem situações como essa, em que se cobra das pessoas negras que estejam mais arrumadas?
  • Quem era Vó Rosária e qual a importância dela para a aprendizagem das crianças?
  • Sobre o que costumavam ser as histórias contadas por ela?
  • Por que Geni pergunta se a Princesa Isabel era santa?
  • Por que a personagem ganhou tanta importância para Geni?
  • “Não briga com o Flávio no caminho que depois o pai dele conta pro Mariano. A corda rebenta do lado mais fraco e seu pai não gosta de ser chamado à atenção.” (p.53). O que podemos imaginar sobre Flávio e seu pai a partir da afirmação da mãe de Geni?
  • Por que será que Geni ficou tão insegura sobre beijar a professora?
  • O que eram, provavelmente, os pauzinhos e as cobrinhas que a professora mandou a turma copiar no caderno?
  • Para Geni, fazia sentido desenhar pauzinhos tortos e cobras sem cabeça?
  • O que a menina estava imaginando enquanto a professora passava a lição?
  • “Deus me livre. Nunca teria coragem de interrompê-la. Nunca teria coragem de interrompê-la. Além do mais, ela também devia saber. Era professora."
  • O que esse comentário revela sobre o modo como Geni enxergava a professora?
  • Por que ela não conseguiu fazer a atividade?
  • Qual foi a reação da professora quando viu que a menina não havia copiado as cobrinhas e pauzinhos? E a de Geni?
  • Depois de Geni beijar a professora, a menina, por acaso, olha pra trás. O que ela vê?
  • Por que a professora limpa o beijo da menina?
  • O que ela observa sobre a aparência da professora?
  • Qual o impacto dessa cena para Geni?

3. Relacionando os tópicos já levantados sobre os hábitos de higiene exigidos de Geni - mas não de Janete - contextualizar e apresentar a thread e/ou a experiência de Pedro Fequiere. Conversar com as(os) estudantes sobre suas experiências. Sugestões:

  • Vocês imaginavam que as pessoas vivenciassem experiências como essa?
  • Vocês conhecem alguém que já obteve tratamentos diferenciados por não estarem tão arrumados?
  • Vocês costumam se preocupar com a roupa que vão usar ao sair de casa, levando em consideração, principalmente, diferentes abordagens a depender do tipo de roupa que estarão usando?
  • Vocês acham que todas as pessoas passam por isso?
  • Por que vocês acham que existe uma diferenciação?

Pedir que as(os) estudantes registrem as impressões em seus diários de leitura. Pode ser interessante sugerir que, ao longo da leitura, já estejam com os diários em mão e façam anotações de trechos ou comentários que acharem pertinentes.

VI. Registro/ ilustração: quem são os personagens históricos memoráveis?

Objetivos:

  • Elencar personagens históricos marcantes e analisar suas características.
  • Debater sobre o lugar da escola na difusão de histórias únicas.

 

Pressupostos:

  • Ao propor a atividade, é fundamental que a(o) docente perceba as deficiências que a lembrança exclusiva de personagens brancos revela. É possível que haja exceções e que estudantes retratem personagens negras, e isso deve ser comentado, mas é muito recorrente que personagens como Tiradentes, Dom Pedro, Princesa Isabel, Anita Garibaldi ou Pedro Álvares Cabral ocupem maior espaço em nossa memória. Sabemos que isso não ocorre ao acaso e não devemos nos sentir pessoalmente culpados por isso, mas é fundamental refletir sobre o porquê e, principalmente, como podemos reverter esse quadro e possibilitar aos nossos estudantes referências amplas. Vale ressaltar também que não queremos com isso excluir da história personagens como os anteriormente citados, apenas reforçamos a importância de se conhecer diferentes experiências e pontos de vista.
  • Outro ponto a ser abordado é como frequentemente personagens negras são retratadas como brancas, a exemplo de Machado de Assis no marcante comercial da Caixa Econômica, ou como muitas vezes sequer imaginamos que certas pessoas não seriam brancas, como Teodoro Sampaio, André Rebouças ou Alexandre Dumas.
  • Para refletir sobre esse tema, sugerimos o vídeo O perigo de uma história única, da escritora Chimamanda Ngozi Adichie, a ser exibido também para as(os) estudantes.
  • Sugerimos também a leitura da obra Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis, de Jarid Arraes. O livro apresenta histórias de personagens frequentemente esquecidas, mas que tiveram atuações incríveis. Vale conferir e trabalhar na escola.
  • Nesse dia, é importante dispor de materiais de arte, como lápis de cor, tintas e canetas hidrográficas para realizar a ilustração.

 

Atividades:

1. Pedir que estudantes registrem uma personagem histórica presente em sua memória. Pedir que busquem lembrar das pessoas que costumam aparecer nos livros de história ou literatura, em séries e telenovelas. Orientar que não há a necessidade de ser um retrato fidedigno, preciso, é possível que construam da maneira que lhes vier à mente.

2. Uma vez finalizada a ilustração, pedir que comentem quem desenharam e porque aquele personagem foi marcante. Buscar analisar e debater, ao final, a recorrência - ou não - de características comuns entre os desenhos, como nacionalidade, tipo físico e gênero.

3. Exibir o vídeo O perigo de uma história única, da escritora Chimamanda Ngozi Adichie e conversar com a turma sobre as impressões. Que histórias únicas estamos reproduzindo e como podemos romper com essa lógica?

VII. Conto: “Metamorfose”

Objetivos:

  • Leitura do capítulo "Metamorfose".
  • Refletir sobre o movimento abolicionista no Brasil e a participação da população negra no processo.
  • Refletir sobre o impacto da escola e das abordagens em aula na saúde mental de estudantes.

 

Pressupostos:

  • Para mediar o debate acerca da atuação da população negra pelo fim da escravidão, sugerimos a matéria A luta esquecida dos negros pelo fim da escravidão no Brasil, publicada em 2018 pela BBC Brasil. O texto é simples e muito completo, trazendo fotos, gráficos e notícias de jornais da época. O material pode, inclusive, ser trabalhado com as(os) estudantes na sala de informática.
  • Uma das sugestões para instigar o debate com as(os) estudantes é a música Dona Isabel, do Mestre Toni Vargas. A letra desconstrói a visão idealizada e errônea ao trazer a Princesa Isabel como interlocutora e questioná-la sobre sua atuação no processo abolicionista. Ao abordar a canção, é interessante retomar também o lugar da capoeira como movimento de resistência à escravidão.

 

Atividades:

1. Iniciar a leitura do capítulo. Ao longo da leitura, levantar questionamentos acerca do capítulo. Seguem aqui algumas sugestões:

  • Por que a menina fica tão insegura de mostrar o poema à professora? O que lhe faz ter coragem de mostrá-lo?
  • Como a professora agiu depois de Geni entregar o poema?
  • O que essa reação causa na menina?
  • Como Geni se sente com o comentário do diretor?
  • O que Geni observou ao levantar sua mão?
  • Por que será que a professora, mesmo sabendo que a menina havia escrito um poema, não a escolheu?
  • Como Geni se sentiu nos dias antes da leitura do poema?
  • O que Geni imaginou que poderia lhe acontecer caso mentisse que estava doente para não ir para a escola e ler o poema?
  • No dia 13 de maio, a professora começou a contar histórias da época da escravidão, como eram essas histórias?
  • Qual era o tratamento dado pela professora às pessoas negras escravizadas?
  • Qual era a diferença entre as histórias contadas pela professora e por Vó Rosária?
  • Por que será que o relato da avó enxergava a população negra como corajosa e combativa?
  • Como o ponto de vista da professora fez com que Geni se sentisse?
  • Como as colegas de Geni reagiram?
  • Por que é tão problemático que, ao contar a história da população negra, se inspire apenas pena de seus descendentes?
  • Na hora da leitura, Geni não conseguiu declamar seu poema. Como a professora reagiu?
  • Vocês acham que a postura da professora foi adequada? Por quê?
  • Como Geni se sentiu na volta para casa?
  • Por que vocês imaginam que ela não contou para a mãe o que ocorreu?
  • Qual era o objetivo de Geni ao esfregar na perna o pó de tijolo?
  • Qual o significado que podemos atribuir a uma ação tão violenta como essa?
  • “Dentro de uma semana, na perna só uns riscos denunciavam a violência contra mim, de mim para mim mesma. Só ficaram as chagas da alma esperando.”
    Como podemos interpretar essa passagem?
  • Como vocês se sentem ao final dessa leitura?

2. Apresentar para as(os) estudantes a canção Dona Isabel, do Mestre Toni Vargas, e conversar sobre os temas levantados na música. Sugestões:

  • Que efeitos o compositor constrói ao iniciar a música com artigos do Código Penal?
  • De que maneira o diálogo com a princesa Isabel desconstrói a história disseminada pela professora de Geni?
  • Vocês acreditam que se a professora de Geni tivesse apresentado a música para a turma, a menina teria se sentido da mesma maneira? Por quê?

3. Pedir que as(os) estudantes registrem as impressões em seus diários de leitura. Pode ser interessante sugerir que, ao longo da leitura, já estejam com os diários em mão e façam anotações de trechos ou comentários que acharem pertinentes.

VIII. Oficina de Abayomis

Objetivos:

  • Refletir, a partir da confecção de bonecas Abayomis, sobre a resistência do povo negro à escravidão.

 

Pressupostos:

  • Para a realização da oficina de bonecas Abayomi, pode ser interessante trazer uma convidada. Em muitas cidades, existem artesãs que se dedicam a esse trabalho e pode ser um momento interessante para aproximar a escola dessas atividades.
  • Caso não seja possível, é completamente viável que a(o) própria(o) docente medie a atividade, por se tratar de procedimentos artísticos relativamente simples. Para compreender a história e o processo de confecção da boneca, sugerimos os seguintes vídeos: História da boneca Abayomi, com Noeli Souza; Construindo a boneca Abayomi, do canal CultÁfrica.
  • Caso o trabalho seja desenvolvido com turmas de Educação Infantil ou Ensino Fundamental I, sugerimos o vídeo Um encontro precioso, do Quintal da Cultura.
  • Além disso, recomendamos a leitura do texto Bonecas Abayomi: símbolo de resistência, tradição e poder feminino, publicado por Kauê Vieira no portal Afreaka.
  • Como trilha sonora para inspirar a oficina, sugerimos a música Abayomi (É Preta), de Marina Iris, Marcelle Motta, Maria Menezes, Nina Rosa & Simone Costa.
  • Para a realização da oficina, é necessário dispor dos materiais artísticos para a confecção da boneca: tecidos pretos, tecidos coloridos e tesoura.

 

Atividades:

1. Antes de começar a oficina, é interessante apresentar para a turma a origem do nome Abayomi e explicar que existem diferentes versões para seu significado e história.

2. Comentar com as(os) estudantes que a simplicidade dos processos não é coincidência: uma vez que a confecção ocorria nos porões dos navio negreiros, era impossível que dispusessem de muitos materiais, daí a possibilidade de fazer a boneca apenas com os tecidos e amarrações.

3. Estimular que, independente do gênero, participem do processo. Pode haver resistência por parte de alguns, mas essa é uma proposta pedagógica como tantas outras e o objetivo vai além da confecção.

IX. Capítulo: “Alicerce”

Objetivos:

  • Leitura do capítulo "Alicerce".
  • Refletir sobre que características são associadas a Deus no texto.

 

Pressupostos:

  • Uma das passagens no conto que mais chamam atenção é o questionamento que Geni faz ao pai sobre a cor de Deus. Embora o tema seja polêmico e possibilite algumas tensões, é interessante investigar o que se tem falado sobre isso recentemente, a fim de embasar melhor discussões que por ventura surjam na aula. Vale ressaltar que a orientação não é, necessariamente, desenvolver esse debate com as(os) estudantes, por saber que nem todas(os) se sentem confortáveis para isso. Assim, a sugestões são, principalmente, para as(os) docentes, podendo, se for o caso, ser compartilhadas com a turma.
  • Sugerimos então a matéria Ponto de vista: por que é importante saber que Jesus não era branco, publicada pela BBC, que aborda aspectos científicos, históricos e geográficos sobre a origem étnica de Jesus; o artigo E Se Deus For NEGRO, de Walter Nunes; e o vídeo Jesus é negro, do Pastor Henrique Vieira.

 

Atividades:

1. Iniciar a leitura do capítulo. Ao longo da leitura, levantar questionamentos acerca do capítulo. Seguem aqui algumas sugestões:

  • A partir do título, Alicerce, o que podemos inferir sobre o capítulo?
  • Por que a imagem e a história de Pelé são tão inspiradoras para o pai de Geni?
  • “Pai, o que mulher pode estudar? / Pode ser costureira, professora… - deu um risinho forçado e quis encerrar o assunto. - Deixemos de sonho. / Vou ser professora. - falei num sopro.” O que essa afirmação revela sobre a época? Você acredita que, se fosse atualmente, a resposta ainda seria a mesma?
  • Qual era a importância do estudo para a família de Geni?
  • O que você imagina que o pai de Geni sentiu quando a filha afirmou que seria professora?
  • “[...] vocês de cor são feitos de ferro.” O que o administrador provavelmente quis dizer com essa afirmação?
  • Por que o pai de Geni ficou tão incomodado com a colocação do administrador?
  • O que vocês teriam respondido?
  • “Ele pode até ser branco. Mas, mais orgulhoso do que eu não pode ser nunca. Uma filha professora ele não vai ter.” Como vocês imaginam que Geni se sentiu ao ouvir essa afirmação?
  • Por que o pai de Geni considera uma blasfêmia imaginar que Deus seja preto?
  • “É que se ele fosse preto, quando ele morresse, o senhor podia ficar no lugar dele. O senhor é tão bom.” O que motivou Geni a falar isso para o pai?
  • Que concepção de Deus podemos imaginar que tem a menina? Quais características fazem parte desse Deus?
  • O que essa colocação de Geni revela sobre a relação dos dois?
  • Como o pai de Geni reagiu ao comentário da filha?
  • Depois de ler o conto, as hipóteses acerca do título se confirmaram?
  • O que o título nos revela sobre a relação de Geni com o pai?
  • Qual a importância de ter o pai como alicerce para a trajetória de Geni?
  • Existe alguém na vida de vocês que pode ser considerado como um alicerce?

Pedir que as(os) estudantes registrem as impressões em seus diários de leitura. Pode ser interessante sugerir que, ao longo da leitura, já estejam com os diários em mão e façam anotações de trechos ou comentários que acharem pertinentes.

X. Capítulo: “Força Flutuante”

Objetivos:

  • Leitura do capítulo "Força Flutuante".

 

Pressupostos:

 

Atividades:

1. Iniciar a leitura do capítulo. Ao longo da leitura, levantar questionamentos acerca do capítulo. Seguem aqui algumas sugestões:

  • Por que vocês imaginam que a diretora e as mães lançaram sobre Geni “olhares duvidosos”?
  • Quais seriam, provavelmente, as intenções veladas das mães ao observarem Geni e por que a professora sente que gostariam de ver seu certificado?
  • “Eu tenho medo de professora preta.” Como vocês imaginam que Geni se sentiu ao ouvir essa afirmação? E como vocês se sentiriam? O que essa afirmação revela sobre a criança? E sobre sua família?
  • “Não faz mal. Eu coloco ela na classe da outra professora de primeira.” Por que vocês imaginam que a diretora reagiu dessa maneira? Como vocês imaginam que Geni se sentiu com a reação da diretora? Será que ela se sentiu apoiada, amparada?
  • “Por favor. Deixe que nós nos possamos conhecer.” Como é a postura de Geni frente à colocação da diretora e a postura da criança?
  • “Vi, então que era muito pouco tempo para provar a tão nova gente minha igualdade, competência.” Que desafios Geni teve que enfrentar nessa situação?
  • É comum que, além do desafio de construir o conhecimento com os estudantes, as(os) professoras(es) tenham, antes de tudo, que se provar igualmente capazes e providas(os) dos mesmos direitos? Será que hoje em dia ainda é assim também?
  • “Gostaria que você entrasse na classe depois. Assim você senta na minha cadeira e toma conta da minha bolsa, enquanto eu trabalho.” O que vocês imaginam que estava por trás da estratégia adotada por Geni? Como a criança reagiu à proposta?
  • Como foi a reação de Geni ao ver o desenho da criança?
  • Vocês se lembram de alguma experiência vivida por Geni anteriormente que se parece com essa cena? (Episódio das cobrinhas sem cabeça)
  • Como a professora de Geni reagiu ao ver seu desenho?
  • Por que vocês acreditam que ela agiu de um modo diferente?
  • Como a menina se comportou ao final da aula?
  • O que o desfecho da história revela sobre a estratégia de Geni?
  • Como vocês se sentiram ao ouvir esse conto?

2. A partir da análise de notícias, comparar as experiências vivenciadas por Geni e pelas professoras da contemporaneidade.

Pedir que as(os) estudantes registrem as impressões em seus diários de leitura. Pode ser interessante sugerir que, ao longo da leitura, já estejam com os diários em mãos e façam anotações de trechos ou comentários que acharem pertinentes.

XI. Confecção da colagem

Objetivos:

  • Sistematizar conhecimentos e reflexões elaboradas ao longo do bloco.
  • Elaborar a partir do trabalho artístico pontos de identificação das(os) estudantes com a obra.

 

Pressupostos:

  • Para a realização dessa atividade é interessante orientar as(os) estudantes a buscar referências na obra que desejem ilustrar. Caso seja possível dispor alguns exemplares da obra, deve-se pedir que incluam na produção um trecho que tenha lhes chamado atenção.
  • Para a colagem, é importante ressaltar que a colagem deve funcionar como um quebra-cabeça, em que diferentes figuras se juntam para formar a composição geral. Assim, a ideia não é colar várias pequenas imagens separadas, mas criar uma cena, construir uma ideia, a partir dos vários recortes.
  • Como sugestão, propomos o texto Pequena oficina de colagem: o básico e a publicação do Wikihow, Fazendo uma colagem de papel.
  • Nesse encontro, é necessário dispor de materiais artísticos como tesoura, cola, canetas hidrográficas e revistas para ser recortadas.

 

Atividades:

1. Pedir que as(os) estudantes busquem retomar oralmente os momentos da obra que lhes marcou. Se for possível, pedir que localizem a passagem no livro e anotem.

2. Orientar sobre o objetivo da colagem: a ideia é sistematizar, refletir, a partir dos recortes as sensações e reflexões construídas a partir da narrativa.

3. É interessante aproveitar esse momento mais descontraído para conversar com  as(os) estudantes sobre o processo de leitura da obra, o que acharam do diário de leitura e das reflexões que surgiram ao longo dos encontros.


  1. Criada em 1978, e publicada anualmente e ininterruptamente desde então, a série Cadernos Negros tornou-se um marco, ao publicar contos e poemas de autoras e autores negros, tornando-se um dos principais veículos de divulgação da escrita afro-brasileira.
  2. MACHADO, Ana Rachel. O diário de leituras: a Introdução de um Novo Instrumento na Escola. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Referências

BRASIL/MEC. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília-DF: MEC, 2004.

CARNEIRO, Sueli. Epistemicídio. Geledés. 2014. Disponível em: https://www.geledes.org.br/epistemicidio. Acesso em 08 nov. 2018.

CASTRO, Hebe M. Mattos de. Laços de família e direitos no final da escravidão. In: ALENCASTRO, Luis. Felipe. História da Vida Privada No Brasil.Vol. 2. São Paulo: Cia das Letras, 1997.

CUTI, Luiz Silva. Literatura Negro-brasileira. São Paulo: Selo Negro, 2010.

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Tradução de Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2016

DUARTE, Eduardo de Assis; FONSECA, Maria Nazareth Soares. (Org.) Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011, vol. 4, História, teoria, polêmica.

GOMES, Nilma Lino. O Movimento Negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.

Sobre a autora:

Sobre a autora:

Lara Rocha é mestra em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, na área de Literatura Afrobrasileira e Educação Antirracista pela Universidade de São Paulo (USP). É Coordenadora de Educação do CEERT. Foi professora de Língua Portuguesa e coordenadora pedagógica da rede municipal de São Paulo. Além disso, foi por 10 anos coordenadora pedagógica e educadora no Cursinho Popular Florestan Fernandes. Participou da concepção e execução do Projeto Travessia - Remição de pena através da leitura na Penitenciária Feminina da Capital. Atua também como consultora sobre Educação e Diversidade em instituições privadas e do terceiro setor. Contato: lararocha.9.2@gmail.com

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