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Uma proposta para o trabalho com ortografia

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Cara Olímpia!

Sou Manuela Santos, professora de Língua Portuguesa em Cabo Verde e estou a escrever-lhe pela segunda vez. Estou trabalhando com quatro turmas com alunos na faixa etária dos 12 aos 14 anos, 7º ano de escolaridade. Meus alunos estão com muitos problemas de escrita, e para remediar esta situação, quero realizar com eles um concurso de ortografia na sala de aula, dividida em três eliminatórias. A primeira consiste na cópia de um pequeno texto. A segunda e a terceira consistem na realização de exercícios de preenchimento de lacunas para a distinção de palavras que se escrevem com s, ss, z, c, ç, entre outros. Quero saber se estou no caminho certo ou se existe um método mais eficaz.

Aguardo sou resposta. Obrigada! 

 

Cara professora Manuela,

Que alegria receber mais uma pergunta sua! Espero que você tenha apreciado a resposta que ofereci da primeira vez... Bem, agora sua pergunta nos convida a “ajustar os óculos”, na tentativa de focalizar a questão do ensino da ortografia. Então, vamos novamente pensar juntas?

Pra começar a conversa, gostaria muito que soubesse que admiro seu modo reflexivo de ação, diante das dificuldades dos alunos com o sistema ortográfico. Afinal, propor um concurso e envolvê-los com a ideia de pensar sobre “regularidades e irregularidades” parece ser uma forma interessante de potencializar a aprendizagem!

Nesse contexto, uma questão merece destaque: ao elegermos um ou outro aspecto da ortografia como conteúdo para o trabalho pedagógico, precisamos ter em mente que “está em jogo” um aprendizado processual, fruto de muitas e diversificadas investidas dos professores, ao longo de vários anos da escolaridade. Isso porque, como bem nos lembra Artur Gomes de Morais (2000), dada a sua natureza de convenção social, o conhecimento ortográfico é algo que a criança não pode aprender sozinha, sem ajuda. [...] Incorporar a norma ortográfica é consequentemente um longo processo para quem se apropriou da escrita alfabética. 

Então, se a norma ortográfica precisa ser incorporada pelos alunos, temos de tomá-la como algo que exige um ensino sistemático, planejado em função de propostas que deem conta das regularidades (há uma regra, que precisa ser compreendida pelo aluno) e das irregularidades (não há uma regra e, portanto, exige memorização).

Voltando aos seus adolescentes do 7o ano, entendo que o concurso poderá ser utilizado de forma ainda mais significativa, se planejarmos um trabalho em três passos:

 

1-) Levantamento dos conhecimentos prévios, ou seja, um diagnóstico dos saberes e não saberes dos alunos sobre o sistema ortográfico. Você poderá utilizar textos, palavras ou até mesmo jogos para chegar a esses dados;

2-) Em função dos resultados do primeiro passo, poderemos planejar atividades que levem os alunos a ampliar conhecimentos sobre o sistema ortográfico (para tanto, vale conferir as dicas presentes no texto já publicado nessa seção, “Tristeza ou tristesa?”: em foco, a ortografia”;

3-) Hora do Concurso! Selecionar um pequeno texto e exercícios (pensando nas suas três etapas eliminatórias), que convidem as turmas a refletir sobre tudo que já sabiam e que aprenderam com você sobre ortografia. Uma sugestão: ao invés de propor a cópia do texto e o preenchimento de lacunas das palavras, tente apostar na produção escrita de um gênero (ou um fragmento dele) já trabalhado em sala de aula (como sinopse de filme/livro/série de TV/game; produção de um novo parágrafo final, criado pelo aluno, para uma história já conhecida) e de palavras que focalizem regularidades (como portuguesa e beleza) e irregularidades (como cidade e piscina). 

Penso que seja importante escolher textos e palavras que coloquem em cena o trabalho já realizado e o processo de aprendizagem já vivido pelos alunos, isto é, que o concurso seja um momento de desafio para, ao mesmo tempo, relembrar regras (no caso das regularidades) e “ativar” a memória, no sentido de buscar a “fotografia da palavra” (no caso das irregularidades).    

 

Para terminar, convido você e nossos leitores a um pequeno passeio por vídeos e textos, que poderá alongar essa prosa:

-       Texto da revista Na Ponta do Lápis, nº 25, “Ortografia e ensino”, de Carlos Alberto Faraco;

-       Texto da Revista Nova Escola, “As duas faces da ortografia”;

-      Mais um vídeo com o professor Artur Gomes de Morais, sobre o ensino da ortografia (para além dos dois já presentes no texto “Tristeza ou tristesa?: em foco, a ortografia");

-       Caderno "Ortografia na sala de aula", CEEL / MEC

-       Glossário do Ceale - verbete escrito por Artur Gomes de Morais;

-       Vídeo com a professora Maria José Nóbrega, em um bate-papo, oferecido pela Plataforma do Letramento;

 

Muito obrigada pelo envio de sua pergunta, um abraço e até já,

Olímpia


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