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biblioteca / indicações: ler, ver e ouvir

Para ler, ver e assistir nas férias (ou em qualquer outro momento)

Marina Almeida

06 de dezembro de 2023

Para inspirar, educar e ampliar horizontes, reunimos uma série de indicações de livros, plataformas de filmes e exposições virtuais. Confira!

 

PARA LER

A palavra que resta, de Stênio Gardel (Companhia das Letras, 2021):

“Raimundo Gaudêncio de Freitas, traço incerto, arredio ao toque do papel. Lápis danado, domado, e ele escrevia o nome completo pela primeira vez.”

Na infância, no sertão, o trabalho na roça impediu Raimundo de estudar, mas, aos 71 anos, ele decide aprender a ler. Uma carta, guardada há mais de 50 anos, motivou a decisão. Cícero partiu sem deixar pistas quando o amor entre os dois foi descoberto, restou apenas a carta, que Raimundo finalmente vai poder ler. No romance de estreia de Stênio Gardel, acompanhamos os conflitos familiares, a fuga de casa e a reconstrução do destino de Raimundo.

Com linguagem cuidadosa, a obra discute temas como miséria, analfabetismo, preconceito e solidão. Em 2023, Stênio Gardel recebeu o National Book Award de melhor obra traduzida de literatura, pela edição em inglês de A palavra que resta (The Words That Remain), com tradução de Bruna Dantas Lobato.

Originárias - Uma antologia feminina de literatura indígena, organização de Trudruá Dorrico e Mauricio Negro (Companhia das Letrinhas, 2023):

Reunindo contos e recontos de 12 autoras indígenas, Originárias valoriza o papel das mulheres como guardiãs das memórias e da sabedoria de seus povos. Mesclando ficção e não-ficção, as escritoras partilham suas vivências subjetivas e coletivas em narrativas sobre os mais diversos temas: histórias de origem, aventuras, relações familiares, amor e amizade. Inspiradas por suas experiências, seus sonhos, a observação da natureza e as histórias ouvidas de geração em geração, o livro nos apresenta textos de Auritha Tabajara, Bruna Karipuna, Chirley Maria Pankará, Eliane Potiguara, Glicéria Tupinambá, Lidiane Damaceno Krenak, Márcia Mura, Naine Terena, Simone Karajá, Telma Taurepang, Trudruá Dorrico e Vanessa Kaingang.

A obra, indicada para o público infantil/juvenil, também pode ter muito interesse para adultos e interessados na temática. Originárias conta ainda com ilustrações de Maurício Negro.

Essa ilha no coração da cidade, de João Caetano do Nascimento (Editora Lavra, 2023):

“Pés que correm ágeis em impetuosos movimentos.
Pés nus que se ferem na terra escura, nas pedras pontiagudas, nos cacos de vidro, nos lixos acumulados, nos declives dos terrenos.
Pés que viajam sobre as águas podres que cortam aquelas ruelas.
Pés feridos a levarem consigo as marcas do caminho.
Pés negros a carregar o corpo miúdo. Voam, ganham asas.
Pés asas. Seis asas.”

Neste romance, acompanhamos a saga de duas famílias, uma de remanescentes quilombolas e outra de agricultores do interior mineiro, por cerca de 150 anos na história do Brasil. Entre o êxodo rural, a sombra da ditadura e a volta à democracia, suas histórias vão culminar numa disputa por terra no centro de uma grande metrópole em 2017. De um lado, os moradores de uma favela que lutam para não serem expulsos de suas casas, do outro, um megaprojeto imobiliário para aquele espaço. A luta geográfica, humana e de classes acontece em pleno coração da cidade, alternando entre imagens de paraíso e inferno,que o autor transporta do imaginário popular para os dias atuais.

A obra é o segundo romance do autor, que é morador da periferia de São Paulo e atua nos movimentos populares de arte da zona leste da cidade. João Caetano é também jornalista e foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura.

Macabéa: Flor de Mulungu, de Conceição Evaristo (Oficina Raquel, 2023):

“A Flor de Mulungu não ia fenecer. Não. A posição fetal em que ela se encontrava era um indício de que uma nova vida se abria. Ela ia nascer por ela e com ela. Macabéa ia se parir. Flor de Mulungu tinha a potência da vida. Força motriz de um povo que resilientemente vai emoldurando o seu grito.”

Nesta obra, Conceição Evaristo reescreve a vida e as possibilidades de Macabéa, protagonista do livro A hora da estrela, de Clarice Lispector. Se no texto original, Macabéa é uma jovem nordestina, pobre e imigrante, com uma trajetória marcada por dores, silêncios e apagamentos, a versão de Conceição vai evocar a ancestralidade da personagem para imaginar uma nova e outra história para ela, criando um manifesto literário em que escrita é uma forma de fazer vingar a vida. O livro ainda é ricamente ilustrado por Luciana Nabuco.

Parque industrial, de Pagu (Companhia das Letras, 2022):

“— Nós não podemos conhecer os nossos filhos! Saímos de casa às seis horas da manhã. Eles estão dormindo. Chegamos às dez horas. Eles estão dormindo. Não temos férias! Não temos descanso dominical!”

O livro de Patrícia Galvão, a Pagu, que foi a homenageada deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), um dos principais eventos da área no Brasil, ganhou nova edição em 2022. A obra aborda as consequências da industrialização brasileira do século XX e reflete sobre temas como classe, gênero e poder. Ao criar um retrato da época, Pagu mostra as precárias condições das trabalhadoras da indústria têxtil paulistana, alinhando a isso as frustrações, traumas e vivências pessoais dessas mulheres.

Escrita em 1932, quando a autora tinha 22 anos, o livro foi publicado pela primeira vez no ano seguinte, sob o pseudônimo de Mara Lobo. Segundo a autora, em sua Autobiografia precoce, ela não tinha confiança em seus “dotes literários”, mas sua intenção era denunciar a situação das operárias num livro que fosse revolucionário.

Água funda, Ruth Guimarães (Editora 34, 2018):

"A gente passa nesta vida como canoa em água funda. Passa. A água bole um pouco. E depois não fica mais nada".

Romance de estreia da autora, uma das primeiras escritoras negras a ganhar destaque na cena literária brasileira, Água funda foi lançado em 1946 e reconstitui o universo e a linguagem caipira. Entrelaçando diferentes tempos, num arco temporal que vai da época da escravidão até os anos 1930, seus personagens retratam a vida de uma comunidade rural na Serra da Mantiqueira. Construída numa prosa ágil e fluida, a narrativa é permeada de ditos populares e causos marcados pela superstição e pelo fatalismo, que antecipa em certos aspectos o realismo mágico.

Primeira escritora negra eleita para a Academia Paulista de Letras, em 2008, Ruth Guimarães publicou crônicas e artigos na imprensa, participou do Conselho Estadual do Folclore, foi professora e escreveu diversos livros, além de fazer traduções. Faleceu em 2014, aos 93 anos.

Risque esta palavra, de Ana Martins Marques (Companhia das Letras, 2021):

“um poema não é mais
do que uma pedra que grita".

A obra de Ana Martins Marques reúne uma série de poemas sobre o trabalho com a escrita, como já aponta o título do livro. Em uma das seções do livro, chamada “Noções de linguística”, encontramos uma série de poemas sobre língua, linguagem e tradução. Outra seção é dedicada ainda à Wislawa Szymborska, escritora polonesa ganhadora do prêmio Nobel de Literatura em 1996.

Risque esta palavra também traz uma série de poemas que investigam a memória, o luto e o amor, que se faz “quase só de palavras”. Com lírica íntima e metalinguística, Ana Martins é um dos grandes nomes da poesia brasileira contemporânea.

Cinema Vivido: raça, classe e sexo nas telas, de bell hooks (Editora Elefante, 2023):

“O cinema produz magia. Modifica as coisas. Pega a realidade e a transforma em algo diferente bem diante dos nossos olhos”.

Autora de diversas obras sobre questões de raça, gênero e classe, educação, crítica cultural e amor, além de poesia e livros infantis, bell hooks também se dedicou a pensar o cinema. Apaixonada pela sétima arte, a autora busca intervir criticamente na cultura cinematográfica, de modo a promover mudanças. Segundo ela, o cinema não apenas retrata a cultura, mas a transforma, abrindo caminho para uma nova consciência.

Neste livro, bell hooks analisa, sobretudo, o trabalho de diretoras e diretores que retrataram a vida e o drama de pessoas negras. Suas críticas se voltam para os principais filmes de seu tempo, sejam produções independentes ou hollywoodianas, como as de Quentin Tarantino, Mike Figgis, John Singleton, Julie Dash e Spike Lee, o cineasta que mais chamou a atenção da autora ao longo dos anos. A edição ainda traz entrevistas com os realizadores Wayne Wang, Camille Billops, Charles Burnett e Arthur Jafa.

 

PARA VER

Espaço Itaú Cultural - Ocupação Machado de Assis:

Machado de Assis é o homenageado da vez na Ocupação Itaú, que celebra personalidades da cultura brasileira. Além da exposição presencial no Itaú Cultural, em São Paulo, que vai até 4 de fevereiro de 2024, o site da Ocupação reúne vídeos e textos sobre nosso grande mestre da literatura.

A vida do autor, suas referências literárias, sua atuação na luta abolicionista e músicas que remetem à sua obra estão entre os materiais da página. Entre os vídeos, vale destacar a aula do professor Alcides Villaça, da USP, sobre o conto “O caso da vara”, para estudantes de Ensino Médio e as análises dos escritores Jeferson Tenório e Conceição Evaristo sobre a linguagem machadiana. Clique aqui para acessar a exposição.

Museu da Língua Portuguesa – materiais de apoio à(ao) docente:

Com exposições sobre a diversidade linguística brasileira, o Museu da Língua Portuguesa possui uma série de materiais educativos sobre os temas que são abordados no espaço, todos disponíveis on-line. De línguas indígenas, à Jorge Amado, Oswald de Andrade e Cazuza, passando pelas discussões sobre norma padrão, os Cadernos Educativos trazem um rico material para inspirar educadoras(es) ou mesmo serem utilizados em sala de aula.

Já no espaço virtual Lab_língua, a série de vídeos “Língua da rua, rua da língua” discute a linguagem na vida urbana contemporânea e convida estudantes e professoras(es) a produzir uma atividade sobre o assunto e enviar para o Museu. O “Caderno do Professor”, em formato PDF, orienta docentes a trabalharem a temática. Veja também a série de vídeos e o material de apoio sobre o tema “Nossa língua do Brasil”, que reúne depoimentos sobre as muitas formas de falar no Brasil e também sugere que estudantes desenvolvam projetos sobre o tema e compartilhem os resultados com o Museu.

Museu da Pessoa – exposição “Vidas em Cordel”:

A exposição virtual “Vidas em Cordel”, do Museu da Pessoa, reúne uma série de cordéis sobre personalidades da cultura brasileira: Ailton Krenak, Kaká Werá, Tula Pilar, Roberta Estrela D’Alva, a sambadeira Dona Dalva, Francisca Carneiro Nawa... Escolha um deles e folheie virtualmente um cordel sobre sua história em versos. Ao clicar em “Pessoa”, acesse um pequeno resumo de sua vida e em “História de vida completa” assista a narração de sua história feita pela própria pessoa. Já na opção “Cordel narrado”, podemos ouvir os versos do cordel. Algumas personalidades ganharam ainda uma animação, o “Cordel animado”.  Além dos textos, as ilustrações remetem à xilogravura tradicional.

Veja também o menu “Cultura de cordel”, que traz informações sobre essa literatura, sua estrutura, temática, ilustrações e grandes clássicos do gênero. O material educativo traz ainda orientações para professoras(es). Clique aqui para acessar a exposição.

 

PARA ASSISTIR

Websérie Ancestrais do Futuro:

Buscando dar espaço para que as juventudes possam se expressar, essa websérie reúne episódios produzidos por jovens de regiões periféricas do país, como Ceilândia (DF), São Gabriel da Cachoeira (AM), Belo Horizonte (MG), São Luís (MA), Santa Maria (RS), Ilha de Itamaracá (PE), Santarém (PA) e Belém (PA), entre outros. Os curtas das três temporadas tratam de temas diversos como justiça social, cultura, preservação ambiental, religião, memória e ancestralidade. As discussões revelam o olhar dessas(es) jovens para seus territórios, as lutas e conquistas, as descobertas e os obstáculos.

Criados com apoio da Fundação Tide Setubal, que selecionou coletivos audiovisuais periféricos e realizou laboratórios com essas(es) jovens sobre temas técnicos, como roteiro e produção, os episódios estão disponíveis no canal Enfrente, do YouTube. Acesse a temporada 1, a temporada 2 e a temporada 3.

Libreflix:

A plataforma virtual de acesso gratuito reúne produções audiovisuais independentes e de livre exibição, entre filmes, documentários, curtas e séries. O Especial #DitaduraNuncaMais, por exemplo, traz documentários sobre personagens desse período da história, como Jango e Marighella, além de histórias de pessoas comuns, como as retratadas no “Filhos da Ditadura”. Os povos indígenas também são tema de uma série de filmes, como Hotxuá, Raoni, Expedição Xingu, e o curta Xetá, que participou da mostra “É Tudo Verdade”. Outros temas frequentes são feminismo, meio ambiente, história, movimentos sociais e tecnologia.

Na temática educação, encontramos vários documentários sobre as escolas secundaristas que foram ocupadas pelos estudantes, o filme “Quando sinto que já sei”, sobre práticas educacionais inovadoras e o “Educação proibida”, que questiona o sistema de ensino e retrata experiências educativas não-convencionais. Clique aqui para acessar a plataforma.

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