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Pergunte a Olímpia

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Autor Profª Olímpia
Pergunta:

Oficina para professores, “leitura silabada”, correção de textos e organização de gêneros para o ensino são temas desta semana.

 

 

Caros Professores,

Lembram-se de quando reuni diferentes assuntos, em um único texto, para uma prosa bem “dinâmica”? Nesta semana, teremos mais uma “dose” das “pílulas da Olímpia”, mas com uma diferença: todas as perguntas dizem respeito ao EFI!

Como sabem, muitos professores enviam questões para a nossa seção, e tento sempre pensar em modos de dar voz a cada um, ainda que em tempos distintos. Agora, as perguntas “falarão” de pertinho com os “professores polivalentes”, mas certamente poderão promover reflexões para os demais. 

Vamos lá? Confiram os assuntos da semana:

  1. oficina sobre produção de textos para professores;
  2. informações inventadas na biografia;
  3. “leitura silabada”;
  4. correção de textos;
  5. organização de gêneros para o ensino.

Pergunta 1

Chamo-me Vaniza, moro em Porto Seguro – BA. Sou professora de Redação e preciso de sua ajuda, pois tenho de dar uma oficina de produção de texto para os professores de Ensino Fundamental I. Preciso de dicas!

Obrigada.

Professora Vaniza, que excelente oportunidade você tem em mãos! Afinal, poder discutir com professores a questão da produção de textos é um privilégio; mas entendo que, ao mesmo tempo, pela abrangência do tema, você deve estar se perguntando “por onde começar”, certo? Não tenho informações precisas sobre a carga horária que você dispõe, nem mesmo o número de pessoas envolvidas. Ainda assim, tentarei ajudar com algumas dicas: como você terá professores de EFI, certamente a alfabetização será um assunto de interesse, para além das dificuldades na produção escrita de alunos que já dominam a base alfabética da língua. Pensando nisso, sugiro que você escolha alguns exemplares de textos (de preferência, dos estudantes doseducadores participantes da oficina), a fim de que você possa fazer uma análise das questões mais relevantes, compondo um planejamento que englobe o olhar para os escritos dos alunos, elegendo alguns pontos de destaque (como, por exemplo, as hipóteses de escrita, a importância da situação de produção, a organização do texto em parágrafos, entre tantos outros). Quando realizado trabalhos assim, procuro definir um gênero discursivo (previsto para o ensino), a fim de pensar com o grupo sobre as características mais importantes e as estratégias de leitura, produção e reescrita. Assim, em função de um gênero, conseguimos fazer todo o caminho reflexivo, para auxiliar os professores na sala de aula, com esse e todos os demais gêneros que venham a trabalhar. Outra dica é fazer a leitura de nossos Cadernos Virtuais, para entender melhor a proposta da sequência didática, adaptando atividades que sejam aderentes ao segmento e realidade do grupo. Há, ainda, a possibilidade de você consultar materiais que convidam o leitor a refletir sobre a produção escrita, favorecendo o seu planejamento, tais como, os Percursos Formativos sobre produção escrita e aprimoramento de textos, o vídeo “Escrevendo na sala de aula”, sobre o trabalho com poema, o projeto “Cantos Distantes”, da seção Lente de aumento na escrita, além de materiais da Plataforma do Letramento, como o Especial Aprendizado Inicial da Escrita: uma proposta de sistematização. Estou certa de que essas dicas proporcionarão um trabalho muitocerteiro e significativo! Sucesso!

 

Pergunta 2

Olímpia, boa tarde. Sou Lucélia dos Santos Gimenes Seleguim, de Sorocaba- SP, professora do 3º ano do ensino fundamental.Trabalhamos nesse bimestre com o gênero biografia. Em sala, construímos a biografia de Monteiro Lobato e gostaríamos de fazer em prova a biografia de algum personagem do Sítio. Dentro da proposta, não se tem as informações necessárias para compor a biografia de nenhum dos personagens, só tivemos a do Monteiro Lobato e lemos de outras pessoas para darmos repertório. Ficaria fora da realidade se algumas dessas informações fossem inventadas?

Obrigada.

Professora Lucélia, o ensino do gênero biografia costuma “render excelentes frutos” em sala de aula, especialmente em relação à melhora na seleção e organização cronológica das informações voltadas ao “relatar de uma história vivida”. Quando li sua questão, logo fiquei a imaginar como deve ter sido significativo para seus alunos o estudo da história de Monteiro Lobato... Mas confesso que fiquei preocupada com sua opção por eleger, para uma prova, a biografia de um dos personagens do Sítio. Explico melhor: o gênero biografia tem como característica o fato de ser produzido em função do estudo, levantamento e investigação de dados, fatos e passagens vividas por alguém, que marcam, de forma singular, a história de uma pessoa (ou personagem), como o escolhido por você, Monteiro Lobato. Como você já trabalhou com esse gênero, voltado a uma pessoa, certamente conversou com seus alunos sobre a importância de se coletar informações em diferentes fontes, como documentos, fotos, entrevistas, publicações, entre outras. Apesar de a biografia poder evidenciar também a vida de uma personagem, entendo que essa reflexão “escape aos limites” de uma prova, no sentido de não haver tempo suficiente para que seus alunos de 3o ano possam criar um texto exemplar do gênero, ainda que com o conhecimento prévio das histórias e personagens do autor.Talvez fosse mais significativo pensar em apresentar diversificadas informações, de forma aleatória, no enunciado da atividade (sem a necessária ordenação cronológica), a fim de solicitar que cada aluno possa compor o texto, de acordo com as características do gênero estudado, abrindo espaço para a criação de apenas algumas informações. Então, para resumir, quando você pergunta se “ficaria fora da realidade se algumas dessas informações fossem inventadas?”, digo que sim, pela complexidade da proposta para uma prova, mas com a ressalva de que é possível criar biografias sobre personagens com alunos do 3o ano, desde que se possa investir tempo amplo para discussão e seleção de dados favoráveis e pertinentes, assim como para a apresentação e articulação de todas as informações, nos diferentes parágrafos. Para inspirar uma ação mais processual, vale a pena conferir o produto “Como seria o perfil de Dom Casmurro no Facebook?”).Desejo um excelente trabalho!  

 

Pergunta 3

Bom dia! Sou a professora Tatiane e estou precisando de ajuda para meus alunos de 5 o ano, que estão lendo, mas leem silabando. O que eu posso fazer para ajudar esses alunos, levando em conta a falta de interesse deles?

Professora Tatiane, entendo sua preocupação! Seus alunos estão quase concluindo o EFI, e as dificuldades de leitura poderão trazer consequências na compreensão e interpretação dos gêneros discursivos que serão ensinados, ao longo do EFII. Bem, mas vamos pensar juntas em como ajudá-los agora, certo? Precisamos entender bem direitinho o porquê da “leitura silabada”, ou seja, os alunos leem fazendo pausas entre as sílabas porque ainda estão apreendendo a decodificar sílabas/palavras ou será que isso se deve à leitura de textos não conhecidos, que envolvem termos mais difíceis, do ponto de vista da decodificação e compreensão? Será que estamos diante de alunos que não vivenciam práticas de leitura e, portanto, têm dificuldades com a fluência da leitura e a consequente atribuição de sentidos ao que leem? Saber por que os alunos apresentam essa dificuldade pode ser a porta de entrada para o nosso trabalho, já que teremos maior clareza para darmos os próximos passos. Para isso, faça uma avaliação de leitura, elegendo dois textos, do mesmo gênero, sendo um texto já trabalhado em aula, e outro desconhecido, assim como de um gênero estudado e outro pouco explorado. De todo modo, precisamos investir em práticas de leitura que possam envolver os estudantes e, para isso, a ajuda deles é fundamental! Sugiro que você faça uma roda de conversa e discuta sobre o que gostam de ler/ouvir/escrever. Em função dos achados, selecione (com a ajuda deles) materiais escritos - desses gêneros que fazem parte do repertório da turma – para as atividades de leitura. Vale a pena fazer a leitura de outros textos já publicados nessa seção, com dicas para um melhor encaminhamento, como Alfabetização no 5o. e 6o. anos: o que fazer?, que apresenta variados links para vídeos, textos e outros materiais sobre o assunto. Aposte em propostas de leitura em voz alta, como a apresentada no vídeo Dizer o texto, que focaliza o trabalho com poemas. Aliás, indico todos os produtos reunidos no Especial de Poema, já que você encontrará muitas propostas de leitura e apreciação de textos que, certamente, envolverá seus alunos “com falta de interesse”, como você salientou, além do projeto “Contos de fada do mundo inteiro no toque das mãos”, da seção Lente de aumento na escrita, e do Especial Multimídia: Práticas de leitura na escola, da Plataforma do Letramento. Siga em frente! 

 

Pergunta 4

Boa noite. Sou professora Elizabete, moro em Curitiba e trabalho com uma turma de 29 alunos, do 5° ano do ensino fundamental, na cidade de Araucária. Mesmo estando nesta etapa, meus alunos têm muitas dificuldades de escrever. Já tentei diversas formas de correção para que eles não se desmotivem da escrita, mas pouco temos avançado. Gostaria de dicas legais para correção de ortografia e gramática, de uma forma que o texto não fique maçante.

Obrigada.

Professora Elizabete, veja como o olhar atento para as questões que cercam o ler e o escrever realmente mobilizam muitos educadores! Já conferiu a inquietação de sua “colega” Tatiane? De fato, estamos todos no mesmo barco... Então, vamos remar na direção certa, não é mesmo? Bem, você tem, lá em Araucária, uma turma de alunos com dificuldades de escrita e precisa de dicas para a correção, sem que os alunos desanimem e deixem de investir na reescrita. Diante desse cenário, o mais importante é pensar nas estratégias que você tem utilizado para corrigir os textos. Digo isso por ser muito comum que os professores analisem os escritos dos alunos e marquem, das mais diversas formas (com asterisco e anotações, setas com comentários, círculos, grifos ou outras formas/legendas de sinalizar tipos de erros), tudo que precisa ser revisitado pelo aluno. O fato é que, muitas vezes, esses erros são de diferentes ordens e reúnem desde questões voltadas à situação de produção, passando por relações equivocadas de coerência e coesão, até erros ortográficos... Puxa, quase perdi o fôlego só de tentar enumerar...rs. O que estou tentando mostrar é que a análise do professor terá maiores chances de êxito, pensando na reescrita dos alunos, se houver um foco preciso na hora da correção. Dito de outro modo, a “dica mais legal”, conforme você solicitou, é essa: não é possível devolver um texto corrigido para o aluno, com diversas solicitações, de diferentes ordens, para a revisão. Ele correrá o risco de apagar o que estava bom e, ainda, piorar o que precisava rever! Assim, para que as correções se tornem menos maçantes (para professor e alunos) é preciso estabelecer prioridades, em função das expectativas de aprendizagem previstas para o gênero que está sendo estudado. Afinal, se o aluno não conseguir atingir o objetivo do texto (um dos elementos da situação de produção) de que vale fazer a correção ortográfica/gramatical? Assim, sugiro que invista em estratégias diversificadas para a reescrita, em função de focos bem determinados, com a “ajuda” da publicação Estratégias para a reescrita de textos (e todos os links indicados) e do Especial da Plataforma do Letramento sobre Ortografia Reflexiva: caminhos entre letras e sons. Conte com minha torcida e parceira sempre!

 

Pergunta 5

Olá, professora Olímpia! Sou a professora Mira Mendes, do Pará. Estou revendo a organização dos conteúdos programáticos da escola onde trabalho. É de 1 o ao 5 o ano. Gostaria de uma orientação acerca de como organizar uma rota de gêneros textuais (foco na produção), desde o primeiro ao quinto ano. Obrigada!

Obrigada.

Professora Mira, finalmente chegou a sua vez! Depois de passearmos pelos estados de São Paulo, Bahia e Paraná, o destino final de nossa prosa será o Pará! Percebo que sua pergunta é bastante ampla e que sugere a necessidade de se estabelecer um “norte” para a organização dos conteúdos atrelados ao ensino de gêneros, certo? Essa “rota”, como você destacou, é fundamental, pois promoverá a condição de se desenhar uma “progressão” para o ensino de gêneros, tendo como base a ideia da “aprendizagem em espiral”. Em outras palavras, pensar no ensino, ao longo do EFI, requer um olhar que convoque todas as práticas de linguagem (oralidade, leitura, escrita e análise linguística), de modo que possam ser trabalhadas a partir da seleção de gêneros discursivos, nos diferentes anos, entendendo que tal definição não poderá ser feita sem critério, mas a partir da apresentação e análise processual de conteúdos. Assim, um gênero voltado ao 1o. ano, como a receita culinária, poderá retornar em um ano posterior do EFI, para que um novo aspecto do gênero seja analisado. Esse movimento de aproximação e distanciamento dos gêneros em relação ao aluno (como uma espiral) favorecerá o aprofundamento e a análise mais detalhada de características próprias de cada gênero. Então, uma sugestão de rota é a definida em função de gêneros, pertencentes a diferentes esferas (literária, cotidiana, jornalística, científica, etc), de modo a assegurar o ensino de “elementos da língua” próprios dos gêneros selecionados em cada ano, assim como de capacidades de leitura, produção oral e escrita. Por fim, mesmo que seu foco seja a produção escrita, é fundamental que haja um investimento nas demais práticas de linguagem, já que promovem a produção efetiva de textos, de forma bem aderente às características típicas de cada gênero. Para saber mais, sugiro a consulta a um “grande mestre”, Prof. Dr. Joaquim Dolz, que muito tem contribuído para discussões como a sua! Pra começar, indico a entrevista sobre o ensino de gêneros e a conferência, apresentada no Seminário Escrevendo o Futuro, 2015, Os 5 grandes desafios do ensino de língua portuguesa.


Bem, hora de terminar a prosa! Queridas parceiras Vaniza, Lucélia, Tatiane, Elizabete e Mira, espero que essas “pílulas” possam inspirar boas ações em suas turmas. Muito obrigada pelo envio das perguntas e até a próxima!

Cinco abraços carinhosos (e muitos outros, para cada leitor),
Olímpia

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