Jogo perigoso

Jogo perigoso – brincando com antecipações e adivinhações do leitor

Por Luiz Percival Leme Britto

Este texto corresponde à primeira parte, editada e revista, do artigo “Jogos de leitura”, originalmente publicado em Série ideias, 13, São Paulo, FDE, 1994, 47-58.


No processo de leitura, além da decifração, o leitor lança mão, com diferentes níveis de consciência e controle, de diferentes estratégias de leitura, fundamentais para a compreensão e para a produção de sentidos do texto. Uma delas, muito importante, é a antecipação do conteúdo, numa espécie de adivinhação com base nas expectativas que cria tanto pelos conhecimentos que tem do autor, do gênero, do tema como pelos indícios que se vão pondo no decorrer do texto.

Neste trabalho, apresento uma forma de intervenção pedagógica com leitura em que se explora de forma dirigida a estratégia de antecipação e a quebra de expectativa. Para tanto, apresento sucintamente o problema da antecipação de sentido e, em seguida, sugiro uma atividade de leitura relacionada com ela. Desde já ressalvo que, mais importante que a atividade em si, é o princípio que a rege: oferecer aos participantes do processo pedagógico – professor e alunos – condições de leitura participativa e instigante. Só assim as pessoas estarão “aprendendo a ler”.

Antecipação de leitura pode ser definida como a atitude que o leitor, a partir de alguns índices textuais e de sua experiência, seus valores e seu repertório cultural, desenhar hipóteses, imaginar possibilidades de enredo, supor os rumos da história que esteja lendo. Em certas vezes, isto ocorre sem que a gente ao menos perceba o que acontece; em outras, particularmente no caso de histórias emocionantes ou tensas, a gente explicita esse processo, perguntando-se como vai acabar a história, opinando sobre seu desenlace (“acho que o herói não vai morrer”).

É com base nesse processo de antecipação que ocorre o escritor produz a quebra de expectativa, isto é, o surgimento de um acontecimento inesperado e contrário aquilo que se imaginava. É também com base nesse processo que o autor cria charadas, casos em que o leitor sabe qual será o final, mas precisa descobrir como será (como acontece, por exemplo, com as histórias de Sherlock Homes). É ainda através de um processo de projeção que o leitor interpreta, dentro de seu quadro de referências e de seu repertório cultural, o sentido da história, a razão dos acontecimentos, a mensagem.

A maestria do escritor estará exatamente em, conhecendo este jogo, lançar mão dos mais variados recursos para criar uma narrativa verossímil e impressionante, permitindo uma leitura instigante, provocativa.

 

O jogo da adivinhação

Toma-se uma narrativa, de preferência curta, e que invista na quebra de expectativa. Recorta-se o texto em vários fragmentos, como se cada um correspondesse a um pequeno episódio; não precisam ser do mesmo tamanho, importa é que os cortes devem coincidir com momentos em que a(s) personagem(ns) toma(m) uma atitude (mudança de cena); deve-se cuidar para que o fragmento não seja nem demasiadamente pequeno, aponto de não oferecer informação nova. Nem muito grande, para que a atividade não fique enfadonha; evita-se dizer, de início, o nome do autor, porque seu conhecimento pode gerar expectativas outras e eventualmente diminuir a surpresa (isso por causa do estilo, da temática, das posições políticas).

A atividade começa assim que se oferece aos participantes o primeiro fragmento (normalmente o título ou este e o primeiro parágrafo), pedindo-lhes do jogo que escrevam (individualmente) o que imaginam que vai acontecer com uma história assim. É importante que desde logo se obtenha a adesão de todos, de modo que eles se engajem em buscar soluções verossímeis e “sinceras”; o humor descomprometido destrói o jogo, porque daí qualquer coisa pode aparecer.

Faz-se, então, a leitura de alguns palpites e a discussão deles, anotando-se as expectativas criadas pelo fragmento e o que as teria motivado – normalmente algum indício presente no título ou o valor mais comum de certas palavras ou, ainda a projeção ideológica ou o desejo de um leitor. Se possível, confrontam-se expectativas contraditórias, opostas (isso acontece, até com frequência).

Passa-se, de imediato à leitura do segundo segmento, que pode confirmar a primeira adivinhação ou contrariá-la, e repete-se o procedimento. E assim sucessivamente até o fim da história. A leitura será sempre um acréscimo, de modo que a cada retomada se lê o texto desde o início; isso ajuda na captação das nuanças e truques narrativos e reforça a tensão sobre qual será o desfecho.

O fluxo e tom da narrativa são determinados pelo leitor guia; cabe a ele ditar o ritmo, explorar as modulações de voz que dão cor e movimento à cena. Não se pode negar que isso tem efeito interpretativo, mas não agride nenhuma singularidade.

É importante deixar claro aos leitores-jogadores que não precisam acertar, que a brincadeira está em imaginar possibilidades e não em descobrir uma verdade ou teimosamente insistir no que não se confirma (alguns participantes têm dificuldades em abrir mão de sua hipótese, como se isso fosse um fracasso; outros não se permitem pensar soluções que não lhes pareçam dignas); por isso. É necessário frisar que eles não têm de insistir na sua versão quando os acontecimentos levarem a história para outro lado; se o que adivinharam num segmento não se aplica mais após a leitura do seguinte. Devem abandonar a adivinhação e começar outra.

O jogo aguça a curiosidade do leitor, contribui para o entendimento do texto e explicita recursos importantes da língua. No entanto, sua finalidade não é ensinar técnicas de leitura ou conceitos escolares, mas sim promover a leitura provocativa, instigante, viva. Pode ser aplicado em qualquer nível escolar, bastando escolher um texto de acordo com o nível da classe.

A título de exemplo, trago uma sugestão de leitura com jogo de adivinhação com o conto Passeio noturno – parte I, de Rubem Fonseca. Os comentários que apresento são resultado daquilo que ocorreu nas várias vezes em que fiz esse exercício.

1° fragmento:

Título: Passeio Noturno – parte I

O título da história, numa primeira aproximação, indica uma atividade de lazer, descanso, descompromisso que se faz à noite; a ideia é de um processo suave, agradável, que promove bem-estar e satisfação. Imagina-se, normalmente, uma caminhada por um parque, um bosque, um bulevar, um caminho de praia, uma rua tranquila. O protagonista, em seu passeio, só ou acompanhado de um ente querido, estaria relembrando um passado feliz, pensando na vida, divagando em suave melancolia, admirando o céu.

Tem-se aí um exemplo típico de projeção ideológica e de modelo cultural atuando sobre a leitura: passeio é lazer, descanso e, portanto, não combina com dor ou violência, agressão ou tristeza. Não há dúvida de que o escritor considerou e todas essas questões ao escolher o título de seu conto.

Um detalhe passa despercebido, contudo: o adendo ao título (parte I) sugere continuidade, a exemplo dessas séries de filmes comerciais; isso cria uma pequena tensão no título, e aproximando a história de certas narrativas de suspense e abrindo novas possibilidades. Como se verá, isto fazia parte da estratégia do autor.

O professor, após apresentar o título, pede aos alunos que escrevam o que imaginam que acontecerá em uma história com esse título; claro que são muitas as possibilidades e alguma coincidirá com a que se narrará; mas isso não tem importância, o que vale é criar expectativa. É interessante que, na leitura de algumas das possibilidades sugeridas, se façam contrastes, comparações, especulações (por que pensaram tal ou qual coisa? Como aconteceu de aparecerem possibilidades tão díspares)

2° fragmento:

Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa-de-cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando empostação de voz, a música quadrafônica do quarto do meu filho. Você não vai largar essa mala? Perguntou minha mulher, tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar.

De imediato, a história frustra a expectativa criada: ao invés de encontrar um ambiente suave, tranquilo, que convidaria ao passeio e à reflexão, o leitor se depara com um ambiente fechado – um apartamento – e um clima inóspito, opressivo; o personagem narrador surge como alguém que, não obstante ser rico (atenção aos índices), é desconsiderado pela mulher e pelos filhos.

Mas isso não invalida a ideia de um passeio, ao contrário, reforça-a: um sujeito nessa situação precisa sair para desanuviar a cabeça, descansar, esquecer.

O coordenador da atividade, após essas considerações, volta a solicitar aos participantes que retomem suas elucubrações e as refaçam, ajustem ou mantenham, se possível; e, acima de tudo, que imaginem o que vai acontecer com uma história que chama passeio noturno e tem como protagonista este senhor de vida enfadonha e infeliz.

3° fragmento:

Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. Você não para de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar?

Outra vez a narrativa frustra a expectativa: ao invés de sair para espairecer, o narrador prefere se fechar ainda mais, indo para a biblioteca, “o lugar da casa onde gostava de ficar”. E cresce a tensão: a mulher parece insuportável, é, uma alcoolista histérica, não lhe dá a mínima e ainda o acusa de trabalhar demais.

Identificando-se com o narrador, o leitor se apena dele, e passa ater raiva ou desprezo pela mulher. Nas adivinhações começam a aparecer possibilidades de catástrofe: o marido vai convidar a mulher para um passeio e assassiná-la; de traição: o narrador, entediado e abandonado, sai à procura de outra mulher, de uma aventura amorosa. Mas também sobrevive a tentativa de salvar as imagens primeiras: o passeio suave por lugares idílicos ganha uma nova versão: um “passeio mental”, uma viagem introspectiva pelo pensamento.

4° fragmento:

A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescidos, eu e a minha mulher estávamos gordos. É aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta.

Vamos dar uma volta de carro?, convidei.

A tensão, o mal-estar, o sentimento de nulidade e vazio ganham dimensões extraordinárias: num jantar milionário, “servido à francesa”, imperam a frivolidade e a hipocrisia, gestos que exasperam o “bom pai”. É evidente a posição de coitadinho em que o narrador se coloca, justificando a necessidade do passeio (aí está de volta o mote inicial) ou de uma aventura salvadora ou, até, de um crime o liberte de seu algoz.

Mas o parágrafo seguinte, em tom direto, introduz um elemento novo na narrativa: o carro. Assim aparece o convite: “uma volta de carro”. Não é exatamente um passeio, não há o bucolismo imagino quando lemos o título.

O convite é para saírem juntos. Ela aceita? Se saírem, farão as pazes ou seguirão brigados? Será que ele a mata, num gesto de desespero? E se ela recusar, ele sairá sozinho ou voltará para sua biblioteca? Que fará? Matar-se (atirando-se o carro de um despenhadeiro) seria uma solução? Encontrará alguém e viverá uma aventura (o passeio)? Vai encontrar com a amante (outro passeio)?

Nesse momento do jogo já é grande a curiosidade dos leitores de como vai acabar essa história. O líder pode aproveitar o momento para esquentar o debate, sugerindo perguntas polêmicas e provocadoras, do tipo “o que você faria sesta circunstância?”

5° fragmento:

Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu.

Não vai. Ela não vai sair com ele, que, aliás, já esperava por isso. Era puro jogo de cena, parte da rotina neurótica da casa. E ele vai, sim, sair, ele sai todas as noites e com um carro caríssimo, destes de quem gosta de se exibir!

Torna-se mais forte a hipótese de uma amante ou de uma atividade misteriosa; perdem força as hipóteses de aventura ou suicídio; desaparece a possibilidade de assassinato.

Isso se dá em função de alguns índices que o escritor vai inserindo no texto e que o leitor descuidado ou desavisado pode perder: ele sai todas as noites, a relação doméstica não tem por que mudar; o que ganha destaque na fala da mulher é o carro, “carro”. As hipóteses precisam ser refeitas, há que desconfiar, tem coisa aí.

Pois, então: ele vai sair para quê? Espairecer a cabeça? Encontrar a amante? Beber? Talvez, nesta saída, diferentemente de todas as outras acontecerá algo inusitado (está ideia é razoável se se considera que uma história tem quase sempre um conteúdo incomum).

6° fragmento:

Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu carro. Tirei o carro dos dois, botei na rua, tirei o meu e botei na rua, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os para-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico,

O carro ganha uma importância desmesurada. Há, claramente algo de fetichista na conduta do personagem, sugerindo a possibilidade real de uma catástrofe, de um crime, de gesto hediondo. O narrador começa a mostrar uma outra face, que pode ser a de um quarentão playboy ou de um facínora disfarçado de pai de família. A forma como comenta om carro, o prazer perverso que demonstra quando observa o reforço especial duplo de aço cromado” dos para-choques do carrão, incomodam o leitor e destroem a imagem de pessoa frágil e tratada com desleixo criada nos parágrafos anteriores.

Já não espaço para um passeio como imaginado de início. O leitor, por mais incomodado que esteja, tem de pensar em outros processos de progressão da narrativa.

7° fragmento:

Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade que tem mais gente do que moscas. Na Avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher?, realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior.

 Texto definitivamente toma uma direção que impede qualquer romantismo: manifestando-se com toda a força a sugestão de que o narrador é uma pessoa problemática, talvez um tarado ou um homossexual enrustido (“homem ou mulher não faz diferença); o cenário torna-se macabro (“rua deserta e mal iluminada”, “mais gente que mosca”) fazendo com que a ideia de estupro parece bastante provável, talvez seguido de assassinato. Além disso, há sugestões de sadismo ou masoquismo (“comecei a ficar tenso”, “alívio maior”).

O ritmo é tenso, as palavras saem com ódio da boca do narrador. Coisa boa não virá!

Mesmo assim, como no início do jogo havia a projeção de uma narrativa suave, que tema gentil, participantes que investiram nisso parecem ter dificuldade de mudar de proposta, reconhecendo a mudança de direção; contribuem também para essa dificuldade as projeções ideológicas do leitor que se nega a admitir uma história má (ela não tem razão se não tiver um final positivo, com uma mensagem apropriada) e a inexperiência com o gênero, que faz com que não se atende para certos indícios no texto.

8° fragmento:

Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mail fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou quitanda, estava de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia.

Agora, está bem estabelecida a imagem de violência, que, aliás, mostra-se como a razão mesmo do passeio noturno. Mas o que será? Ele atacará a mulher, vai sequestrá-la e estuprá-la? Ou tentará abordá-la e seduzi-la? Por que mulher é mais fácil? Para matar? Como será sua abordagem: descerá do carro para falar com ela ou apenas reduz a velocidade e convida-a a subir? Usará de um tom atencioso e sedutor ou se imporá com estilo autoritário e agressivo? Há que lembrar que isso acontece notas as noites.

O leitor está angustiado, irritado, quer saber o desfecho da história e tem raiva do narrador.

9° fragmento:

Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som das borrachas dos pneus batendo no meio-fio. Pequei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em onze segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de vermelho, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.

O desenlace é ainda mais sádico do que o leitor podia imaginar, chegando a requintes de violência. Um crime diário, realizado por prazer, violentíssimo, expressando um ódio visceral à pobreza e a gente simples e comum. O texto joga na cara do leitor, com mordaz ironia, toda a violência da vida urbana moderna. }e faz isso mostrando um frieza e calma tais que a agressão, em sua dimensão simbólica, fica ainda mais maior.

10° fragmento:

Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos para-lamas, os para-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.

A família estava vendo televisão. Deu a sua voltinha, agora está mais calmo?, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. Vou dormir, boa noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia. 

O epílogo oferece uma pitada de cinismo. Satisfeito com seu gozo perverso, orgulhoso de sua máquina, o personagem-narrador retorna aliviado para casa, onde reencontra o ambiente de vida esgarçada em que cada um ignora todos os outros; já o leitor não lhe tem pena nem outro sentimento qualquer de identificação. Mas assim coo com usa família, isso pouco importa ao empresário.

Terminada a fase da adivinhação, faz-se uma nova leitura completa do texto, o que permite perceber melhor e reinterpretar os indícios, entender como e porque não se tinha atentado para este ou aquele aspecto, descobrir o quanto a visão de mundo de cada atua na interpretação do texto.

Muitas vezes, o professor interessado pergunta-se como escapar à rotina da aula de leitura feita sempre do mesmo gesto de ler – silenciosamente ou em grupo – seguido de questionário de intelecção e interpretação de texto. É claro que não nada de errado com essa atividade, ela é útil e necessária àqueles que buscam a convivência com a escrita, mas não é a única maneira de trabalhar a leitura, principalmente quando se pretende que o aluno vivencie o texto de literatura.

O jogo de adivinhação traz à tona as estruturas subjacentes da narrativa, ampliando a percepção dos recursos expressivos usados pelo autor e os processos de composição da narrativa pelo leitor. A explicitação e a nomeação desses recursos e estruturas é uma atividade que até pode ser levada adiante, se forem do interesse do professor, mas não é fundamental. O mais importante foi o aluno-leitor poder experimentar esses aspectos em sua leitura.

One thought on “Jogo perigoso

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *