Entrevista com Marcelo D’Salete

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Entrevista com Marcelo D'Salete

21 novembro 2018

Marcelo D’Salete é quadrinista, ilustrador e professor. Reconhecido por abordar temas como o racismo e o colonialismo no Brasil, suas obras tratam-se de tentativas de reconstruir a história nacional, visibilizando heróis negros e periféricos. O autor lançou recentemente Angola Janga – Uma história de Palmares (2017), em uma tentativa de transpor a história do Quilombo dos Palmares para o universo das histórias em quadrinhos. Recentemente, a obra foi anunciada vencedora do Prêmio Jabuti, do Grampo de Ouro 2018 e do 30º Troféu HQMIX 2018. O quadrinista também é aclamado internacionalmente por Cumbe (2014), grande vencedora do prêmio Eisner, considerado o "Oscar dos quadrinhos".

Em entrevista exclusiva para o Programa Escrevendo o Futuro, Marcelo conta um pouco de seu primeiro contato com o universo das HQs, seu processo criativo e a história do povo negro no Brasil. Além disso, propõe possibilidades e compartilha experiências sobre o uso das histórias em quadrinhos em sala de aula, dando dicas aos professores de todo o país. Confira a entrevista nos vídeos abaixo.

3 thoughts on “Entrevista com Marcelo D’Salete

  1. Trabalhar com esse tipo de narrativa é muito interessante, pois aproxima o leitor das imagens, gestos dos personagens, espaços, cores e palavras facilitando a aprendizagem. As HQs são ferramentas importantes para o desenvolvimento da relação com a nossa historicidade quanto negro, índio e periferia. Permitindo ao aluno o acesso a essas obras fantásticas.
    Seria interessante que todos nós tivéssemos acesso a essas obras.
    Belissima entrevista.

  2. Parabéns professor Marcelo pelo belíssimo trabalho com história em quadrinhos voltado para o estímulo e a criatividade da leitura e escrita, dos alunos em geral e, principalmente como resgate e conhecimento da história do nosso povo, dos nossos irmãos “negros”. Pois já irei utilizar estas estratégias para com os meus alunos de nono ano. Sou formada em Letras e busco muitos dos recursos literários como apoio na difícil arte de “ler e escrever ” para uma grande maioria dos meus alunos.

  3. Boa entrevista do professor. Concordo que precisamos avançar na abordagem do tema quando se fala na cultura negra na escola. Falar apenas de escravidão, de preconceito contra os afrodescendentes e de débito de 500 anos para com estes só reforça e coloca em evidência uma desigualdade. Busco trazer para reflexão a contribuição não só dos afrodescendentes como também dos indígenas e dos brancos para nossa formação como povo braseiro; coloco-me como uma braseira na qual corre sangue de negro e de índio nas veias e quando os alunos perguntam minha etnia digo que sou brasileira porque só negra eu não sou nem só indígena. Sou esta braseira como todos os brasileiros somos, misturados. Se realmente queremos vencer ou diminuir o preconceito, temos que entender que todos têm sua parcela de contribuição. Lógico que os negros também. Aqui na escola estamos enfatizando uma consciência humana. Ora, o ser humano aprendendo a respeitar o humano entende que somos todos iguais nas diferenças. Logo, em nome desta igualdade, devemos aos três povos o nosso legado cultural e consequentemente devemos respeito a todos. Em um momento de oração na escola, pela data 22 de novembro, ouvi que consciência negra é conhecer e reconhecer o ser humano. Esta frase diz muito. Vamos parar de enfatizar os negros como se fossem seres distantes, irreais e vistos apenas em novembro. Somos seres de carne e osso e merecemos respeito, todos, independente de características. Trazer HQs ou qualquer outro gênero textual para reflexão é um recurso muito bom para o trabalho com a leitura e com a produção textual. Refletir sobre temas diversos com autores também diversos, e portanto de visões de mundo e de etinias diversos, representa uma riqueza de conhecimento significativa com uma concepção de igualdade. Gostei da entrevista. Vou buscar e indicar a leitura da obra (Angola Janga – Uma história de Palmares ) aos alunos pois ainda não tinha conhecimento dela.

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