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Pergunte à Olímpia
Olímpia é uma professora apaixonada pelas palavras e estudiosa da Língua Portuguesa, que responde semanalmente a perguntas de professores sobre práticas de ensino da leitura e da escrita. Venha conversar com ela. Envie a sua pergunta para escrevendofuturo@cenpec.org.br!

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O assunto mais votado da enquete
Profª Olímpia

Olímpia fala sobre as diferentes linguagens presentes na cultura digital e na sala de aula. Confira.

 

Queridos parceiros de reflexão,

Na semana passada, dando início às publicações do segundo semestre, organizei uma enquete (que continua à disposição de todos para votação), em função de questões anunciadas na BNCC.

Quero agradecer a todos que já participaram da proposta, não apenas apontando o tópico de maior interesse, mas também revelando inquietações para a produção de novos textos. Prometo responder a todas as perguntas!

Bem, por enquanto, o tópico que recebeu a maior parte dos votos refere-se à questão: como as diferentes linguagens presentes na cultura digital podem entrar na sala de aula?

Entendo que aspectos variados da resposta para essa pergunta também estarão presentes nos demais questionamentos sugeridos na enquete, já que tal reflexão está aliada a um entendimento mais amplo sobre o trabalho com os letramentos na escola, considerando, particularmente, as práticas da cultura digital.

Assim, como um início de conversa, destacarei alguns elementos que considero importantes para as intervenções docentes:

Leitura e análise da proposta da BNCC

Um passo fundamental para pensar na entrada das diferentes linguagens em sala de aula é se apropriar do texto apresentado na BNCC, não apenas do ponto de vista da leitura crítica das habilidades destacadas para cada ano, mas sobretudo da análise das considerações a respeito da apresentação dos pressupostos teóricos, das noções centrais próprias de cada área do conhecimento, das relações entre campos de atuação, práticas de linguagem, objetos de conhecimento e habilidades, como evidenciado na área da Língua Portuguesa. Esse “primeiro passo” será importante para a discussão com toda a equipe escolar, no intuito de buscar relações entre os documentos/orientações curriculares (de uma instituição ou de uma rede) e a proposta da Base, permitindo um movimento significativo e efetivo de implementação. Para favorecer uma aproximação e alimentar o exercício reflexivo, vale a pena ler o texto “Escrevendo o Futuro e BNCC: sobre pontos de encontro”, de Patrícia Calheta, formadora e colaboradora do Programa.

Investigação sobre os saberes dos alunos

Todo o estudo sobre a BNCC só terá e fará sentido se o professor abrir espaço para os dizeres dos alunos. Em outras palavras, abrir caminho para as práticas de linguagem contemporâneas que podem já fazer parte do repertório de conhecimento dos estudantes, como forma de mobilizar a atenção da turma para o aprendizado de diferentes habilidades, as quais promoverão uma participação mais ativa, reflexiva e crítica, dentro e fora da sala de aula. Dar vez e voz aos alunos, então, possibilitará a investigação sobre os gêneros mais ou menos conhecidos que, tomados como objetos de conhecimento na escola, ampliarão os modos de participação dos alunos, diante das mais heterogêneas práticas sociais, tornando-os sujeitos capazes de sustentar posicionamentos mais éticos e críticos. Como ressalta a professora doutora Jacqueline Barbosa, da Unicamp, “trabalhar na perspectiva dos novos e multiletramentos ou tomar a tecnologia como lugar em que novas práticas sociais, culturais e de linguagem têm espaço não é somente incluir novos gêneros ou usos de ambientes e ferramentas no currículo, nem tampouco propor que os alunos façam o que já fazem fora da escola. As dimensões ética, estética e política precisam permear as atividades e discussões”. Para saber mais, acesse o texto “Sobre novos e multiletramentos, culturas digitais e tecnologias na escola”.

Planejamento do trabalho

Para que as práticas contemporâneas integrem o fazer docente, também é preciso que o professor construa modelos didáticos para o ensino de gêneros multimodais, com vistas a explorar, entre outros aspectos, o estudo de cada gênero e de modos de organização do trabalho pedagógico, como por meio de sequências didáticas e projetos. Para entender melhor sobre a questão do modelo didático, vale conferir o texto “A sequência didática”, de autoria de Anna Rachel Machado, que foi uma competente estudiosa da teoria de gêneros e autora de muitos textos sobre o assunto.

Busca de inspirações práticas

Todo professor precisa lançar um olhar demorado para experiências docentes que possam servir como inspiração, provocando o efeito de “acreditar que poderá dar certo”, não é mesmo? Nessa direção, sugiro a leitura dos textos “As práticas de linguagem contemporâneas e a BNCC”, de Jacqueline Barbosa (UNICAMP) e “Práticas documentárias na escola, em busca de novos olhares”, da professora Cristina Teixeira Vieira de Melo (UFPE), ambos publicados na revista Na Ponta do Lápis, número 31. Além disso, é possível conferir projetos realizados por professores participantes da Olimpíada e apresentados em dois seminários do Programa Escrevendo o Futuro: “Práticas de escrita: da cultura local à sala de aula” e “Com a palavra, o professor-autor”.

Antes de terminar, preciso fazer duas observações:

  1. como destaquei anteriormente, com essa reflexão, pretendo apenas introduzir a discussão sobre o trabalho com as diferentes linguagens. Entendo que a produção de outros textos, vinculados aos assuntos da enquete, promoverá uma análise mais abrangente;

  2. Pela leitura das questões/inquietações apontadas por vocês, saltou aos olhos o desafio de trabalhar com as diferentes linguagens presentes na cultura digital, considerando dificuldades objetivas, como a falta de equipamentos e de acesso à internet. Fiquem de olho nas próximas publicações, pois, sem dúvida, trataremos dessas questões, ok?

 

Continuem participando da enquete!

Um bj caprichado a todos, obrigada e até já,

Olímpia

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