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Pergunte à Olímpia
Olímpia é uma professora apaixonada pelas palavras e estudiosa da Língua Portuguesa, que responde semanalmente a perguntas de professores sobre práticas de ensino da leitura e da escrita. Venha conversar com ela. Envie a sua pergunta para escrevendofuturo@cenpec.org.br!

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Produção de textos: onde está o autor?
Profª Olímpia

Confira as dicas da Olímpia para professora quer melhorar suas propostas de escrita em sala de aula.

 

Talentosos educadores,

Após várias semanas de prosa sobre a BNCC, vamos retomar nossa rotina semanal, marcada pela apresentação de uma pergunta enviada por vocês, queridos leitores, e acompanhada por minhas considerações e dicas.

A mensagem da semana vem lá da Bahia e revela a inquietação da professora Marisa, no trabalho com seus estudantes do 5o ano - EFI:

Olá, Olímpia!

Trabalho com alunos do 5o ano e preciso de sua ajuda para melhorar as propostas de produção. Eles estão terminando o EFI e escrevem textos sem criatividade, sem vontade, todos iguais e parece que só fazem por obrigação! Até conversei com a professora do 4o ano, mas nada muda… O que fazer?

Um bj e obrigada

 

Professora Marisa, percebo que você está realmente envolvida com a questão da qualidade da produção de textos de seus alunos e a parabenizo pela iniciativa de buscar referências da turma, no contato com a professora do ano anterior. Bem, mas ainda assim, você permanece sem entender exatamente por que seus alunos não demonstram interesse pela produção e, em consequência disso, escrevem textos “sem criatividade, iguais; por obrigação”, não é mesmo?

Vamos tentar iluminar alguns pontos, a fim de que você chegue à resposta! Para começar, é importante considerar que a criatividade e o interesse em escrever estão diretamente ligados à questão do repertório de conhecimento e da autoria. Em outras palavras, ao exercício de se ter o que dizer, para quem, para quê e como dizer, de modo a utilizar os recursos da língua para expressar maneiras de ver o mundo, estar no mundo e interagir com ele.

Esses elementos, como bem sabemos, não se apresentam “da noite para o dia”; são fruto de um processo de constituição de dizeres, em torno de diversas e diversificadas práticas de letramento, envolvendo variados gêneros discursivos.

Essa prosa me faz lembrar da antiga discussão entre redação e produção textual! Você, certamente, já ouviu os argumentos favoráveis à produção, especialmente os ligados à necessidade de se considerar e trabalhar com a situação comunicativa de cada texto, contando com a participação ativa dos alunos, para a busca por escritas mais significativas, não é mesmo?

Estou querendo sinalizar para a necessidade – ou urgência – de trabalharmos com propostas de produção em função de uma aposta, um investimento reflexivo sobre as etapas que antecedem o “pegar o papel e escrever”. Como professores, precisamos nos perguntar de que maneira os alunos têm vivenciado as práticas de produção de textos na escola e, especialmente, o que precisamos considerar, com vistas ao (re)planejamento das situações de ensino?

Para facilitar, segue uma “lista de ingredientes” do trabalho com a produção textual. Clique em cada um deles e leia meus comentários:

Conhecimentos prévios

É fundamental conhecer o que sua turma já sabe sobre o gênero que pretende ensinar. Assim, uma roda de conversa poderá ajudar a prever facilidades e dificuldades no trabalho com textos.

Seleção do gênero

Se a criatividade e o interesse estão vinculados a “ter o que dizer”, então, invista em um gênero discursivo significativo para a turma. Com a mobilização e o envolvimento dos alunos para a produção, as propostas terão chances efetivas de sucesso.

Contexto de produção

Fazer o levantamento dos saberes dos alunos sobre o gênero a ser destacado para o trabalho é um passo que poderá ser complementado pela investigação da situação de produção do texto, envolvendo o que será escrito, para quê, para quem, como é organizado e por onde o texto circula.

Alimentação temática

Invista na leitura e discussão coletiva de diversos textos – do gênero a ser produzido e outros gêneros – tendo como foco o assunto a ser tratado.

Propostas variadas

Aposte na condição de produção inicial de cada aluno (em função do que cada um sabe), desenvolvendo oficinas de exploração de diferentes elementos do gênero (por meio de uma sequência didática, por exemplo). Com diferentes propostas, realizadas individual e coletivamente, a partir de diferentes enfoques e práticas de linguagem, a produção tende a se compor de forma mais aderente às características do gênero em destaque.

Reescrita

Como escrever é reescrever, cabe um trabalho voltado aos escritos dos alunos, com vistas a promover novos momentos de reflexão, para ajustes e reelaborações.

Pronto! Não deixe de passar por aqui e deixar sua mensagem, contando sobre seu processo reflexivo, em função dessa prosa, combinado? Isso vale para todos os leitores, ok? rs

Bj carinhoso, obrigada e até já,

Olímpia

 

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