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BNCC: espichando a prosa sobre o tópico mais votado
Profª. Olímpia

Olímpia conversa sobre as práticas de linguagem na BNCC: oralidade, leitura, produção e análise linguística.

 

Queridos educadores,

No texto da semana passada, começamos a refletir sobre as relações entre práticas de linguagem e campos de atuação, o tópico mais votado em nossa enquete.

Dada a abrangência do assunto, continuaremos nossa prosa, agora focando a atenção nas práticas de linguagem: oralidade, leitura/escuta, produção (escrita e multissemiótica) e análise linguística/semiótica.

Para tanto, é fundamental considerar que tais práticas:

  • - envolvem tanto gêneros consagrados pela escola, ligados à cultura do impresso, quanto gêneros digitais, vinculados aos novos letramentos;
  • - evidenciam o trabalho com os gêneros do discurso, em diversas esferas/campos de atuação, sendo entendidas como eixos de organização para o elenco de habilidades referentes a cada ano escolar.

Vamos analisar de que forma essas ideias aparecem, lendo alguns trechos do texto da BNCC?

1 Fragmento 1 – Práticas de linguagem contemporâneas (p. 66)

As práticas de linguagem contemporâneas não só envolvem novos gêneros e textos cada vez mais multissemióticos e multimidiáticos, como também novas formas de produzir, de configurar, de disponibilizar, de replicar e de interagir. As novas ferramentas de edição de textos, áudios, fotos, vídeos tornam acessíveis a qualquer um a produção e disponibilização de textos multissemióticos nas redes sociais e outros ambientes da Web. Não só é possível acessar conteúdos variados em diferentes mídias, como também produzir e publicar fotos, vídeos diversos, podcasts, infográficos, enciclopédias colaborativas, revistas e livros digitais etc. Depois de ler um livro de literatura ou assistir a um filme, pode-se postar comentários em redes sociais específicas, seguir diretores, autores, escritores, acompanhar de perto seu trabalho; podemos produzir playlists, vlogs, vídeos-minuto, escrever fanfics, produzir e-zines, nos tornar um booktuber, dentre outras muitas possibilidades.


Percebem como a questão do ensino de gêneros aparece de forma ampliada? Isso significa que nosso desafio, em sala de aula, será o de favorecer a discussão sobre esses diferentes gêneros, seus usos e funções, de forma que os estudantes sejam capazes de pesquisar, selecionar e utilizar um determinado gênero, de acordo com a situação de produção, de forma crítica e ética.

2 Fragmento 2 – Leitura (p. 69)

O Eixo Leitura compreende as práticas de linguagem que decorrem da interação ativa do leitor/ouvinte/espectador com os textos escritos, orais e multissemióticos e de sua interpretação, sendo exemplos as leituras para: fruição estética de textos e obras literárias; pesquisa e embasamento de trabalhos escolares e acadêmicos; realização de procedimentos; conhecimento, discussão e debate sobre temas sociais relevantes; sustentar a reivindicação de algo no contexto de atuação da vida pública; ter mais conhecimento que permita o desenvolvimento de projetos pessoais, dentre outras possibilidades.


Essa prática de linguagem, então, vincula-se não apenas a textos escritos, mas também a imagens estáticas (fotos e quadros, por exemplo) e em movimento (como em vídeos), assim como o som (música). Assim compreendida, a leitura será contemplada por meio do trabalho com habilidades diversas, definidas de modo progressivo, ao longo do Ensino Fundamental.

3 Fragmento 3 – Produção de textos (p. 74)

O Eixo da Produção de Textos compreende as práticas de linguagem relacionadas à interação e à autoria (individual ou coletiva) do texto escrito, oral e multissemiótico, com diferentes finalidades e projetos enunciativos como, por exemplo, construir um álbum de personagens famosas, de heróis/heroínas ou de vilões ou vilãs; produzir um almanaque que retrate as práticas culturais da comunidade; narrar fatos cotidianos, de forma crítica, lírica ou bem-humorada em uma crônica; comentar e indicar diferentes produções culturais por meio de resenhas ou de playlists comentadas; descrever, avaliar e recomendar (ou não) um game em uma resenha, gameplay ou vlog; escrever verbetes de curiosidades científicas; sistematizar dados de um estudo em um relatório ou relato multimidiático de campo; divulgar conhecimentos específicos por meio de um verbete de enciclopédia digital colaborativa; relatar fatos relevantes para a comunidade em notícias; cobrir acontecimentos ou levantar dados relevantes para a comunidade em uma reportagem; expressar posição em uma carta de leitor ou artigo de opinião; denunciar situações de desrespeito aos direitos por meio de fotorreportagem, fotodenúncia, poema, lambe-lambe, microrroteiro, dentre outros.


Como podemos observar, a produção de textos abrange diferentes linguagens e mídias, de modo a promover um trabalho guiado por práticas situadas e significativas, atreladas a diversos gêneros. Assim, precisamos ampliar o estudo do texto, a fim de contemplar a reflexão para além do escrito/impresso, partindo da análise das condições de produção de cada gênero.

 

Agora, as duas últimas práticas de linguagem, oralidade e análise linguística:

4 Fragmento 4 – Oralidade (p. 76-77)

O Eixo da Oralidade compreende as práticas de linguagem que ocorrem em situação oral com ou sem contato face a face, como aula dialogada, webconferência, mensagem gravada, spot de campanha, jingle, seminário, debate, programa de rádio, entrevista, declamação de poemas (com ou sem efeitos sonoros), peça teatral, apresentação de cantigas e canções, playlist comentada de músicas, vlog de game, contação de histórias, diferentes tipos de podcasts e vídeos, dentre outras. Envolve também a oralização de textos em situações socialmente significativas e interações e discussões envolvendo temáticas e outras dimensões linguísticas do trabalho nos diferentes campos de atuação.

5 Fragmento 5 – Análise linguística (p. 78)

O Eixo da Análise Linguística/Semiótica envolve os procedimentos e estratégias (meta)cognitivas de análise e avaliação consciente, durante os processos de leitura e de produção de textos (orais, escritos e multissemióticos), das materialidades dos textos, responsáveis por seus efeitos de sentido, seja no que se refere às formas de composição dos textos, determinadas pelos gêneros (orais, escritos e multissemióticos) e pela situação de produção, seja no que se refere aos estilos adotados nos textos, com forte impacto nos efeitos de sentido.


Com a apresentação desses dois trechos, fica ainda mais evidente uma das grandes contribuições da BNCC: avançar na reflexão acerca do estudo e análise dos gêneros do discurso – anunciados como foco desde os PCNs -, de modo a permitir um olhar contemporâneo para as práticas de linguagem e as formas pelas quais os textos são produzidos e circulam socialmente.

 

Assim, nesse contexto, caberá a todos nós, educadores, uma dupla tarefa: levar para as salas de aula a reflexão sobre a efetiva atuação dos alunos em práticas de linguagem que envolvem a leitura e a produção de textos, buscando sempre problematizar e analisar a experiência de realização dessas práticas.

Por enquanto, é isso! Continuo à espera da voz de vocês, ok? Deixem comentários, perguntas e registros da experiência de contato com a BNCC em sua escola.

Um bj carinhoso, obrigada e até já

Olímpia

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