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Pergunte à Olímpia
Olímpia é uma professora apaixonada pelas palavras e estudiosa da Língua Portuguesa, que responde semanalmente a perguntas de professores sobre práticas de ensino da leitura e da escrita. Venha conversar com ela. Envie a sua pergunta para escrevendofuturo@cenpec.org.br!

Pergunte à Olímpia

A infância e o ensino da leitura e escrita
Profª. Olímpia

Nesta semana, a professora Olímpia traz para discussão o trabalho de práticas de leitura e escrita para alunos dos anos iniciais.

 

Queridos educadores,

Após semanas refletindo sobre os assuntos apontados em nossa enquete, é hora de retomar o “foco original”, com a apresentação das perguntas de vocês, acompanhadas de meus comentários.

Hoje, trataremos da dimensão da infância, voltando nosso olhar ao ensino da leitura e da escrita. Para entendermos melhor a questão, segue a mensagem enviada pela professora-coordenadora Katy:

Olá Olímpia,

Coordeno pedagogicamente uma equipe de 42 professores e tenho encontrado muita dificuldades em atrelar a infância com a prática de escrita e leitura. Tenho uma visão de concepção de infância acima de qualquer outro objetivo; porém, não vejo outra maneira de ler e escrever a não ser ler e escrever, mas pra isso é necessário tornar a experiência marcante para querer ser contada ao outro, pra querer registrar esses e outros acontecimentos. Qual seria a forma mais adequada em proporcionar esta prática para crianças em fase inicial de escrita e leitura?

Katy Ismênia Rodrigues Abrunheiro (n/d)

 

Como podem perceber, a Katy está “inquieta” com a questão do “como fazer”, ou seja, de que forma conseguir trabalhar com as práticas de leitura e escrita, de modo a otimizar a condição de aprendizado dos alunos “ainda miúdos”, nos anos iniciais do EFI.

Ao ler esse questionamento, prontamente me lembrei de um relato de prática sobre o gênero poema, no qual a professora Gercilene Santos registra suas experiências, retratando um fazer pedagógico aderente à realidade e às necessidades dos alunos.

Nesse texto, chama a atenção o quanto a professora estava implicada no trabalho. Um olhar refinado, demorado e reflexivo promoveu à Gercilene a condição de enxergar e dar voz aos seus alunos, abrindo espaço para uma “leitura da realidade” que promoveu encontros e conhecimentos.

Assim como ela, que trilhou um caminho de idas e vindas, em busca de práticas consistentes de leitura e escrita, entendo que poderemos seguir, inspirando-nos em seus passos, com algumas dicas:


Dica 1: traçar o perfil dos alunos a partir do ponto de vista dos conhecimentos prévios atrelados ao, letramento, a fim de planejarmos ações vinculadas, intimamente, ao que é preciso saber, tomando como base o que já se sabe. Dito de outra forma, uma das maneiras de se trabalhar com os estudantes do EFI (e não só com eles) é justamente apostar no diálogo e na escuta como elementos reveladores das situações/práticas sociais da leitura e da escrita já vivenciadas pelos alunos, com vistas à ampliação do repertório. Vale destacar que muitas crianças contam exclusivamente com a escola como agência de letramento, já que, em outros contextos, elas não têm oportunidade de participar de situações vinculadas ao ler e escrever. Esse aspecto, sem dúvida, torna ainda mais urgente a intervenção docente de qualidade!

Dica 2: traçar o perfil dos alunos a partir ponto de vista dos saberes sobre o sistema de escrita. Comumente, a sondagem das hipóteses de escrita (atrelada às fases anunciadas por Emilia Ferreiro – pré-silábica, silábica, silábica-alfabética e alfabética) é o procedimento utilizado pelos professores. Entendo ser fundamental vincular tais dados aos apontados na dica 1, a fim de favorecer o investimento em práticas bem planejadas e significativas, que envolvam a turma e promovam condições favoráveis ao aprendizado.

Dica 3: planejar, como uma atividade permanente, momentos para leitura, isto é, o investimento na formação do “leitor literário” que encontra na literatura maneiras de enxergar, ser e estar no mundo. A aposta em eventos de letramento, atrelados à leitura literária, contribui imensamente na formação do aluno como um leitor, que tem a possibilidade de “ver e se ver”, reconhecer - a si e ao outro - na/pela literatura – pelos dilemas, conflitos, aventuras, alegrias e tristezas vividas por personagens. Olhar o mundo “atravessado” pela literatura é, em última instância, um exercício que favorece o empoderamento dos sujeitos, pois passam a utilizar a palavra, de forma ajustada e consistente, diante de qualquer situação de interlocução.

Dica 4: apostar no trabalho com gêneros do discurso próprios ao universo infantil. Retomando os dizeres da professora Katy ao afirmar: não vejo outra maneira de ler e escrever a não ser ler e escrever, mas pra isso é necessário tornar a experiência marcante para querer ser contada ao outro, pra querer registrar esses e outros acontecimentos, fica evidente a importância de elegermos gêneros que “falem de perto com os alunos”, no sentido de que devem apresentar assuntos e modos de organização compatíveis ao “fôlego discursivo” e aos interesses das crianças. De modo mais simples, precisamos partir de situações reais de produção, a fim de que os estudantes possam entender, de modo claro, o quê, para quê e como devem escrever um determinado texto. Nessa direção, vale a aposta em modalidades organizativas, como a sequência didática, que permitam traçar um passo a passo para a produção textual.

Dica 5: agir com flexibilidade, abrindo espaço para a constante investigação e o (re)planejamento. Muito mais do que minhas palavras, o relato de prática da professora Gercilene, no parágrafo final, revela essa aposta e seus efeitos:
[...] Percebi que "o pulo do gato" muitas vezes está em nós, na arte de fazer o "clic" para a aprendizagem. É tempo de "pôr a mão na massa"! Ao ensinar a aprender, precisamos nos reinventar, aprender, desfazer nós, construir escadas. A sala de aula é palco de transformações. Mas a ciranda da leitura e da escrita precisa ser valorizada para que liberte o aluno das amarras do iletrismo, como diz o professor Joaquim Dolz.

 

Bem, hora de terminar! Devolvo a voz para vocês, com a pergunta: 

Quais outros passos vocês julgam importantes para o
trabalho com a leitura e escrita nos anos iniciais?

Um bj e obrigada,

Olímpia

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