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Histórias do Escrevendo o Futuro
Aprendizagem no sangue e na ponta da Língua

Aprendizagem no sangue e na ponta da Língua

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Autor: Marina Rara
07 Dezembro 2016

A etapa final da 5ª edição da Olimpíada da Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro vem aí. E pela primeira vez existe a possibilidade de a medalha de ouro ser passada de irmã para irmã. Bianca Souza Soares, que foi vencedora nacional em 2010, está na torcida por Brenda, que hoje, com os mesmos 16 anos da irmã Bianca na ocasião, também está na final da categoria Artigo de Opinião.

As jovens são duas dos cinco filhos do casal Sheila e Wanderley Soares, moradores de Caldas Novas, Goiás. Depois da premiação na Olimpíada, Bianca concluiu o Ensino Médio e mudou para São Paulo. Na cidade, onde conquistou o prêmio há seis anos, está perto de concluir o curso de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie, como bolsista do ProUni.

“A Olimpíada traz confiança para o aluno. Depois disso, acho que fiquei mais segura para ir atrás de objetivos mais desafiadores. Provavelmente, eu teria feito faculdade em Caldas Novas – não que isso seja ruim, é que simplesmente passei a acreditar mais em mim mesma. Botei na cabeça que ia estudar em São Paulo”, conta a jovem, que hoje trabalha na Folha de São Paulo.

A história da família Souza Soares com a Olimpíada de Língua Portuguesa começa em 2008, quando Bianca participou pela primeira vez. Depois de ver um anúncio, ela mobilizou a escola para concorrer no gênero Memórias Literárias. “Ao ver uma menina lendo seu texto na televisão, eu disse pra minha mãe: ‘Ano que vem eu vou ler meu texto na TV também’ - E ela respondeu: ‘Vai sim!’”

Na primeira tentativa, a então adolescente ficou com a medalha de prata. E veio a gana de ganhar o ouro, no gênero Artigo de Opinião, dois anos depois. “Foi meio que um marco na cidade e na minha casa. A Olímpiada não é só um concurso, envolve um processo de formação do aluno e do professor, tem um potencial transformador de toda uma comunidade em que está inserida. Minha família e eu conseguimos sonhar mais alto”, relata Bianca, “O que me deixa mais feliz é saber que meus irmãos também passaram a acreditar mais neles, e meus colegas de classe também”.

 

Inspiração


Para Sheila, a dedicação da filha virou exemplo para os irmãos. “Depois que a Bianca participou duas vezes eles passaram a tê-la como espelho”. Foi o que aconteceu com a agora finalista Brenda. “Sempre escrevi, mas fui ficando mais interessada depois que ela participou a segunda vez. Fui me inspirando pelos passos da Bianca”, conta a irmã mais nova.

Com a assistência dos professores do Centro Educacional de Jovens e Adultos (Ceja) Filostro Machado Carneiro, mesma escola da irmã, Brenda escreveu um artigo de opinião com o tema “O lugar onde vivo”, sobre os impactos do festival de música sertaneja Caldas Country em sua cidade, e passou para a semifinal em São Paulo. Desta vez quem estava era a irmã mais velha. “Lembro que no último dia ela me ligou quase meia-noite, leu o texto pra mim e dei algumas dicas. Ela ficou até tarde trabalhando nisso, porque além de estudar, trabalha”, conta Bianca, que acompanhou a irmã na etapa na cidade, “Fiquei muito feliz e surpresa!”.

Brenda ainda vai participar da final, mas já faz planos: “Pretendo estudar Direito no Mackenzie, em São Paulo, e escrever livros. Participar da Olimpíada despertou um interesse muito maior, me fez querer estudar mais”. Agora, já pretende passar o bastão para a irmã mais nova, Beatriz, que este ano não passou na classificação do gênero Crônica. “Mas vai continuar tentando, daqui a dois anos no Artigo de Opinião. Agora está mais inspirada”.

A mãe só comemora. “Sinto muito orgulho das minhas filhas por estarem num concurso de nível nacional. As meninas sempre gostaram muito de ler, desde pequenas compramos livros. Mesmo nossa família sendo humilde, sempre incentivamos muito a leitura e os estudos. Todo mundo em casa gosta muito da língua portuguesa”, conta.

 

Resultado na escola

Não foi só dentro da casa da família de Bianca e Brenda que a Olímpiada de Língua Portuguesa promoveu mudanças, mas também dentro do CEJA - Centro Educacional de Jovens e Adultos Filostro Machado Carneiro, que depois da primeira participação em 2008 não deixou de se inscrever no concurso.

A vice-diretora da escola, Elisabete Batista Ottobeli, assistiu como docente de Língua Portuguesa a conquista de Bianca e agora acompanha como orientadora os passos da irmã mais nova. “Brenda está animada. Nós produzimos, caminhamos e chegamos lá. Qualquer que seja o resultado final, atingimos um grande sucesso e ela já se reconstruiu também”, conta Elisabete, para quem a participação das alunas na Olimpíada promoveu uma transformação na instituição. “Essas coisas estão causando motivação para a escola, para os professores.”

A docente relata que vai de sala em sala, na companhia de Brenda, falar da classificação e das expectativas. “Os alunos acham o máximo. Quando retornamos de São Paulo, os alunos do ensino médio vieram pedir para fazermos um grupo de leitores e escritores; disseram ‘vamos ajudar vocês (professores) a trabalhar com o ensino fundamental, para lerem mais’ e já combinamos o grupo para o ano que vem”, diz Elisabete.

Ela destaca também os incentivos por parte dos demais educadores. “Um professor chegou a admitir que andava desmotivado, e que agora viu que o trabalho tem resultado, que é possível, que a gente descobre novas pessoas, novos escritores, se surpreende e dá vontade de trabalhar a Olímpiada”, conta. A partir das experiências de Bianca e Brenda, para a vice-diretora o projeto “reavivou” a área da Língua Portuguesa e modificou a relação entre professores e alunos por mostrar que existem possibilidades.


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