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Autora: Marina Almeida
15 Dezembro 2020

Na última reportagem da série sobre as formações regionais deste ano, acompanhe as ações desenvolvidas em Roraima, Rondônia, Paraíba e Ceará

Enfrentando desafios como problemas de conexão à internet e de uso das ferramentas digitais, as formações regionais do Programa Escrevendo o Futuro têm conseguido levar debates, trocas e acolhimento a professores de todo o país. Na última reportagem desta série, acompanhamos as ações de quatro estados que vivenciam realidades distintas e se organizaram de diferentes formas para levar a formação aos seus professores de forma remota este ano.

Roraima: almanaque para driblar dificuldades de conexão

Em Roraima, a qualidade da conexão com a internet em diversas regiões do estado trouxe desafios para a formação remota. Para ajudar os professores a contornar esse problema, Carmem Véra Nunes Spotti, docente da Universidade Estadual de Roraima (UERR), conta que a equipe elaborou um almanaque com os conteúdos do portal que seriam discutidos nos encontros virtuais. Outra vantagem desse almanaque é permitir que os professores sem acesso a impressoras pudessem manusear os materiais de trabalho. 

Ela avalia que a mudança para o formato on-line este ano, por conta da pandemia, permite que a formação chegue até professores que não conseguiriam participar do curso presencial. “As desvantagens são por conta da nossa dificuldade de internet e do pouco conhecimento de muitos sobre o uso de novas tecnologias, entre outros. Durante o período do curso tivemos muitas quedas de internet, inclusive com regiões ficando dias sem sinal. Isso dificultou a participação e muitos não conseguiram completar o curso”, diz.

Com os imprevistos, dos 40 professores inscritos, 19 concluíram a formação, que incluía a realização de um curso on-line mediado do portal. Outros fatores, além da internet, que influenciaram o número de desistências foram o tempo necessário para os professores se adaptarem a lecionarem aulas remotas e os casos de profissionais doentes ou com casos de covid na família. “Muitos dos que não concluíram disseram que não possuem habilidades com a tecnologia (tanto das aulas da escola quanto do curso), além de fazerem uso do celular e não do computador”, explica Carmem. Ela lembra que, para orientá-los, incluiu na formação um módulo de orientação sobre o uso das tecnologias utilizadas no curso.

Em Roraima, a opção foi pelo cenário de longa duração, porque a equipe avaliou que os professores se beneficiariam de uma formação mais estendida. Outra preocupação foi incluir professores dos 15 municípios do estado – da capital e do interior, das redes municipais, estadual e de escolas indígenas. “O critério foi estar em sala de aula e ter disposição para participar”, aponta Carmem. O curso contou com seis aulas e duas lives, uma no início e outra ao final do percurso, ambas voltadas para a escuta dos professores e discussão de suas dúvidas. Além disso, a equipe atendeu os professores via WhatsApp e Google Meet.

O módulo de avaliação de gêneros, um dos tópicos do curso, foi o que mais despertou o interesse dos alunos, lembra Carmem. Já nos planos de aula que eles precisavam desenvolver para concluir a formação, apareceram outras questões: “as maiores dúvidas foram sobre como relacionar o trabalho com os gêneros em relação a BNCC (foco do trabalho nas escolas neste momento) e a avaliação”, conta.

Rondônia: webconferência sobre ensino surgiu de demanda dos professores

Em Rondônia, que optou pelo cenário de média duração, o acesso à internet também representou um desafio para a formação remota. Maria do Socorro Dias Loura Jorrin, docente da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), conta que gravou três videoaulas, que foram divididas em seis vídeos de 20 minutos cada, porque os alunos tinham dificuldade para baixar arquivos mais pesados devido aos problemas de conexão.

Ela conta que a adaptação do curso para esse formato a distância também representou um desafio pessoal: “a mudança foi muito repentina, de repente trouxemos o trabalho para dentro de casa e a demanda aumentou. Sou professora há mais de 30 anos com experiência de ensino presencial. Gravar as aulas foi muito complicado, fiz o melhor que pude!” Por outro lado, ela defende que os aprendizados deste momento permanecerão e serão úteis para as futuras aulas presenciais. 

Os critérios para inscrição foram que o professor estivesse atuando em sala de aula no ensino de língua portuguesa, com preferência para os que já participaram da Olimpíada em outras edições. No estado, os problemas de acesso e as novas demandas trazidas pelas aulas remotas impediram que muitos inscritos concluíssem a formação. “Inscreveram-se 47 professores, entretanto 11 desistiram, ficaram 36 participantes e 21 participaram efetivamente”, calcula Maria do Socorro. Apesar disso, ela conta que o retorno foi bastante positivo entre os que conseguiram concluir o curso. 

As três aulas abordaram diferentes temas – leitura, escrita e oralidade – e todos os gêneros contemplados na Olimpíada de Língua Portuguesa. Também foram realizadas quatro lives, que abriram espaço para as discussões. As professoras participaram ativamente, perguntando, respondendo, opinando, tanto pela câmera e microfone quanto pelo chat”, lembra a docente. 

O curso ainda contou com uma webconferência sobre ferramentas digitais e produção de conteúdo para o ensino remoto. “A temática foi escolhida pelas professoras a partir do levantamento das respostas dadas em um formulário que propusemos a elas”, conta. Para ampliar as possibilidades de comunicação, também foi criado um grupo de WhatsApp com os professores e a equipe.

Paraíba: repensar saberes para os novos tempos

Na Paraíba, a opção inicial era pelo cenário de média duração no formato presencial, mas o agravamento da pandemia exigiu que a formação fosse repensada: além do aumento da carga de trabalho dos professores nas aulas remotas, alguns apresentaram dificuldades para lidar com as ferramentas digitais. A equipe reformulou a formação para realizá-la a distância e no cenário de curta duração. 

Maria de Fátima de Souza Aquino, docente da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), acredita que neste momento as formações on-line podem contribuir com a acolhida e o incentivo que os professores estão precisando para lidar com o ensino remoto. Além disso, ela destaca o fato de que o novo formato permitiu a participação de um número maior de professores: “considerando que as duas videoaulas e o webinar estão gravados, teremos mais possibilidades de replicação da formação com a divulgação desse material junto aos demais professores que não participaram do evento”, avalia. Já entre os pontos negativos, ela elenca a dificuldade de alguns professores para lidar com as tecnologias e a pouca qualidade da conexão com a internet que prejudica a participação, sobretudo nos encontros síncronos.

No estado, 80 professores se inscreveram para a formação – 40 da rede estadual e 40 das redes municipais. No entanto, apenas 60 acompanharam os encontros, que ocorreram de forma síncrona. Entre os temas abordados, ela cita as mudanças no processo de ensino-aprendizagem, os gêneros textuais e o conteúdo das oficinas. “Enfatizamos a necessidade de repensarmos os nossos saberes para atender as demandas do contexto atual, inclusive do ensino remoto”, diz a docente.

Já o webinário contou com a presença de convidados. “A professora Patrícia Calheta, do Cenpec, apresentou o portal do Programa Escrevendo o Futuro e falou sobre o Gênero Documentário. A professora Edvana Vieira, finalista da última edição da Olimpíada, abordou a temática da literatura afro-brasileira e falou sobre sua experiência como participante no gênero Crônica”, lembra. O evento contou ainda com a participação de Uilma Mendes, representante da Undime, falando sobre a importância das ações do Programa para o desenvolvimento da leitura e escrita. A docente ainda apresentou os textos dos alunos finalistas do estado e convidou os professores a falarem sobre suas experiências com os materiais e os cursos do portal. 

Maria de Fátima lembra que o webinário foi também um momento para ouvir os professores e, com isso, o tempo não foi suficiente para a discussão que ela havia programado sobre algumas sequências didáticas. “Como eu coordeno o Subprojeto de Iniciação à Docência (PIBID) na minha instituição, sugeri outros encontros virtuais, organizados pelas Regionais de ensino, nas formações pedagógicas do início do ano letivo para discutirmos esse tema”, diz. Segundo ela, a proposta foi bem recebida pelos participantes no chat e o encontro deverá contar também com a participação dos alunos bolsistas do PIBID.

Ceará: rede de diálogo une professores de todo o estado

No Ceará, a opção da equipe foi pelo cenário de média duração, que dialogava com a formação realizada pela própria rede estadual, com videoconferências e a criação de uma rede de comunicação entre os professores. Apesar dos desafios do formato remoto, Wilson Rocha Rodrigues, representante do Consed, aponta como relevantes a quebra da barreira da distância e o alcance de municípios e professores que dificilmente conseguiriam participar de uma formação presencial. “A resposta deles tem sido muito positiva, falam da alegria e satisfação de poder, pela primeira vez, estar participando de uma formação em rede. Eles relatam que muitas vezes fazem os cursos, acessam o portal, mas não têm esse diálogo”, diz.

Wilson ainda conta que a formação foi viabilizada na rede somente depois de terem conseguido responder a questões urgentes trazidas pelo agravamento da crise sanitária. “Após ações do Busca Ativa e de acolhimento socioemocional, que eram muito necessárias naquele momento, conseguimos organizar a formação. Ela teve de ser um pouco postergada e só ocorreu em novembro, mas num cenário mais positivo e com uma resposta bem mais interessante”, avalia.

A formação contou com a participação de 165 professores, das redes estadual e municipais. “Conseguimos a adesão de mais de 100 municípios – que participam com pelo menos um representante –, além de todas as 23 regionais do estado, com professores que têm a perspectiva de replicar essa formação”, explica Wilson. Apesar do bom resultado, ele avalia que a eleição pode ter trazido dificuldades localizadas: “a adesão foi muito boa, mas nosso período de inscrição coincidiu com o final do primeiro turno, o que pode ter causado impacto na adesão de alguns municípios”. Ele acredita que ao final das ações multiplicadoras, a formação alcance os professores de língua portuguesa de cerca de 500 mil alunos.

No estado, a formação foi composta por uma live inicial, apresentando o Programa e a proposta de formação, e uma live de encerramento do curso e preparação para o próximo ano. Já as aulas tiveram como foco os gêneros textuais presentes na Olimpíada, e sua interação com a criação dos planos de aula e atividades. Wilson ainda destaca o engajamento dos professores no grupo de WhatsApp criado para a interação e discussão de dúvidas entre os participantes e a equipe de formação.


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