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Autora: Marina Almeida
04 Novembro 2020

Na terceira reportagem desta série, acompanhamos três estados que optaram por formatos mais curtos

As formações regionais de professores do Programa Escrevendo o Futuro têm apresentado uma diversidade de caminhos e possibilidades, mesmo no formato a distância. Na terceira reportagem da série sobre esses cursos, acompanhamos três estados que estão desenvolvendo projetos mais curtos: Amazonas, Paraná e Mato Grosso. Os motivos que levaram à escolha desse modelo de formação são diversos: a busca por ampliar o número de participantes, dificuldades regionais com reposição de aulas ou mudanças no ensino trazidas pela pandemia. Ainda assim, chama a atenção as soluções criativas encontradas para responder melhor às necessidades de cada região. 

Amazonas: ampliação das vagas on-line

No estado do Amazonas, a opção por esse cenário formativo visou a ampliação das vagas oferecidas. Francisca Hermógenes Pinheiro de França, representante do Consed, explica que a principal necessidade de formação era apresentar a metodologia da Olimpíada de Língua Portuguesa para os novos professores da área, que ingressaram recentemente nas redes, para que eles trabalhem com seus alunos da produção de textos e participem no concurso. 

A formação está prevista para novembro e as inscrições ainda não foram concluídas, mas a previsão é de que a formação atenda cerca de 200 professores das redes estadual e municipais, da capital e do interior.

Além de poder alcançar um número maior de professores, Francisca acredita que outra vantagem do formato on-line é a possibilidade de realizar lives e videoconferências, ainda que elas estejam sujeitas às dificuldades de acesso à internet. O encontro síncrono final do curso está previsto para o dia 24 de novembro e deve contar com a participação de Joaquim Dolz, professor da Universidade de Genebra (Suíça) e um dos maiores especialistas da atualidade no ensino de gêneros textuais e na metodologia da sequência didática.

Já os principais pontos negativos, para ela, são a distância entre os professores e o formador nesse formato e a limitação de algumas atividades. “No projeto presencial, traçamos uma formação com várias dinâmicas que iriam movimentá-la. Com a mudança para o on-line tivemos que fazer a adaptação para um formato de apresentação de slides e palestras”, conta.

Francisca explica que parte dos professores do estado, sobretudo na capital, estão lecionando de forma remota ou presencial. No interior, as aulas estão suspensas na maioria das regiões. “As dificuldades maiores neste momento são as aulas remotas, pois muitos têm dificuldades de acompanhar efetivamente a aprendizagem dos alunos e de fazer com que estes participem com assiduidade na resolução das atividades repassadas a eles.”

Paraná: questionários e fóruns orientam o trabalho

O Paraná também optou por ampliar suas vagas no formato on-line: foram 200 inscritos este ano e a equipe ainda prevê a realização de uma nova turma em 2021. Adilson Carlos Batista, representante do Consed, ressalta que o interesse dos professores foi grande e em menos de dois dias todas as vagas já tinham sido preenchidas. Ele ainda conta que foi feito um levantamento, no início da formação, sobre quem eram os inscritos que não estavam acessando o material: essas pessoas foram contatadas para tirar dúvidas sobre o ingresso no curso e incentivá-las a participar.

Eliana Merlin Deganutti de Barros, docente da Universidade Estadual Norte do Paraná (UENP), explica que a equipe optou por elaborar um curso autoinstrucional de um mês. Organizado em cinco unidades, o curso conta com fóruns de discussão e questionário para cada um dos tópicos. Ela diz que essas ferramentas trouxeram material para ser discutido no encontro síncrono, além de permitir a interação com os professores. 

Um dos fóruns, por exemplo, pede que o cursista discuta com seus colegas sobre suas angústias, dúvidas e experiências com o ensino da produção de textos na escola. “As respostas mostraram uma ideia, muitas vezes simplista, de que ser um bom leitor faz com que sejamos, consequentemente, um bom produtor de textos”, aponta Eliana. “Ensinar a produzir textos é uma tarefa complexa que perpassa, evidentemente, a atividade de leitura, mas vai muito além disso. Assim como o Joaquim Dolz, entendemos que produzir textos – orais, escritos, multimodais – é um processo árduo e complexo.” Graças a essa discussão, a percebeu a necessidade de retomar o tema na live final do curso.

Entre as dúvidas trazidas pelos professores, ela destaca as perguntas sobre critérios de avaliação dos gêneros da Olimpíada, sobre como trabalhar com a produção de textos de forma remota e sobre o novo gênero introduzido no concurso: documentário. “Percebi que muitos docentes têm a intenção de desenvolver projetos com o documentário, mas não se sentem capacitados. Intenciono levar a experiência de uma mestranda que desenvolveu, neste ano pandêmico, uma sequência didática com o documentário, de forma remota. É importante levar para a formação experiências reais de ensino. Isso faz com que os professores tenham maior adesão à nossa fala. Ao trazer essa experiência pretendo abordar os três questionamentos apontados aqui”.

Eliana ainda incluiu no curso um fórum sobre as dificuldades encontradas pelos professores neste ano de aulas remotas. “Sugerimos o vídeo da Professora Sonia Madi, que está no portal do Programa. Foi um dos fóruns que teve a maior participação dos professores, o que mostra como foi importante a inserção desse tema”, diz. 

Para ela, uma vantagem do formato on-line é conseguir falar diretamente com os professores da Educação Básica, já que no modelo presencial, muitas vezes as formações eram realizadas com técnicos pedagógicos multiplicadores. Outro benefício, segundo a docente, é a flexibilidade de estudo do professor. Por outro lado, o formato exige mais engajamento do cursista e um trabalho maior dos formadores.

 

Mato Grosso: mais que multiplicadores, incentivadores 

No Mato Grosso, a opção por um cenário formativo mais curto aconteceu antes mesmo do início da pandemia e se deu em decorrência das reposições de uma longa greve ocorrida no estado em 2019. Atualmente, as aulas acontecem de forma remota, mas a maioria dos alunos retira materiais impressos na escola para estudar, já que o acesso à internet ainda é pequeno. 

Hoje, 48 professores cursam a formação, além de representantes da Undime. Os participantes vêm de diferentes regiões do estado e houve preferência pelos professores que não apenas lecionam na área, mas que têm formação em língua portuguesa. “Nosso objetivo é que eles multipliquem este curso em suas escolas e redes, por isso a definição deste perfil. Mas, mais que multiplicadores, queremos que eles sejam incentivadores, que realmente estimulem os demais professores a se inscrever, a fazer as oficinas e a participar da Olimpíada”, diz Criseida Rowena Zampatto de Lima, representante do Consed. Ela conta que, por conta da greve, a participação do Mato Grosso na Olimpíada em 2019 foi pequena e que a ideia é aumentar esse número para o próximo ano.

Outra preocupação da Rede de Ancoragem foi ampliar a participação de professores de escolas do campo, indígenas e quilombolas no curso. Criseida explica que as questões relativas à comunidade aparecem com muita força nessas escolas e que os textos e vídeos produzidos por esses alunos podem trazer histórias e debates importantes.

A formação do estado conta com um tour pelo portal do Programa, ressaltando os artigos da revista Na ponta do lápis. “O curso também destaca a sequência didática de documentário, por ser um gênero novo e no qual os professores apresentam mais dificuldade, seja por desconhecimento, seja por não conseguirem fazer todos os passos da sequência.” Até por isso, a live final prevê a participação de um artista local que trabalha com poesia, vídeo e documentário.

Outro ponto que deve ser muito trabalhado no curso é a sequência didática. Criseida conta que percebe que muitas etapas previstas não são seguidas pelos professores. “Quando todos os passos são trabalhados, isso aparece na redação dos alunos. Vamos mostrar que a sequência é pensada para garantir que o texto tenha um caráter forte do gênero a que ele pertence”, diz. “Para trabalhar essas questões, o encontro final, por live, ainda trará uma mesa-redonda com professores doutores que pesquisam gêneros textuais e sequências didáticas”, explica.


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