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6ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa: escrevendo a educação de um novo mundo

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Texto: Marina Almeida

Fotos: Bianca Pimenta/Camila Kinker/Livia Wu (Itaú Social)

Escrevendo a educação de um novo mundo

Um espaço de formação, troca, aprendizado e descoberta. A 6ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa reuniu em São Paulo (SP) alunos e professores de todo o Brasil, da cidade e do campo, para discutir e celebrar a escrita, a literatura e a língua. Entre outubro e novembro, nos Encontros de Semifinalistas de cada categoria, e dia 9 de dezembro, na Final, celebrações, palestras, passeios, saraus, reflexões e discussões mostraram o poder da educação.

Grande homenageada desta edição e membro da Comissão Julgadora Nacional, a escritora Conceição Evaristo falou para os professores finalistas sobre o tema das produções: “O lugar onde vivo”. A autora defende que o reconhecimento, a valorização de si e de seu lugar tornam mais fácil também o contato com o outro e o respeito à diversidade. “A criação e a observação nos convocam a nos olharmos como sujeitos e como coletividade, é um processo educativo. Que essa Olimpíada consiga, cada vez mais, aprofundar esse processo de escrevivência, de escrever a partir de um lugar. E que mais escolas possam ser incluídas”. Ela ainda ressaltou a importância do processo, mesmo para quem não foi premiado, por propiciar a aprendizagem e a construção de cidadãos responsáveis no âmbito individual e coletivo. 

Além das etapas de competição, todos os inscritos na Olimpíada participaram de atividades formativas: os professores realizaram oficinas de escrita com seus alunos a partir das orientações dos Cadernos do Professor. Neste ano, foram mais de 85 mil professores participantes. Os textos são selecionados primeiramente na esfera escolar e, em seguida, nas etapas municipais e estaduais. 

Uma das principais inovações desta edição da Olimpíada foi a inclusão do gênero Documentário, um formato que permite o multiletramento em diferentes linguagens, como texto e audiovisual. Nos trabalhos apresentados, a diversidade de temas e abordagens chamou a atenção. “Muitos trouxeram algum tipo de denúncia, com questões sobre desigualdade social, moradores de rua, falta de espaços de lazer na comunidade, lixo, poluição do meio ambiente… Houve também muitos documentários de caráter histórico, falando sobre algum aspecto cultural do município, uma personalidade, uma tradição. Em menor número, encontramos trabalhos que falavam sobre urbanização, mobilidade e alguns que brincavam com o gênero, trazendo algum humor ou ficcionalização”, conta Cristina Teixeira, professora do departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro da Comissão Julgadora da Olimpíada. Ela ainda explica que as estratégias narrativas mais utilizadas nos vídeos foram o uso da voz em off com imagens de arquivo e as entrevistas. 

Na Semifinal, divididos em turmas, os alunos refletiram sobre o gênero Documentário, suas formas e possibilidades. No último dia, eles foram desafiados a produzir um vídeo de 1 minuto com o tema “Identidades”. Filmando pelos corredores do hotel, entrevistando pessoas e ensaiando cenas, eles discutiram de racismo a autoaceitação e meio ambiente. 

Para falar com esses estudantes, o convidado foi o produtor e diretor Luis Lomenha. Ele contou sobre sua trajetória no audiovisual e falou sobre a importância de trazer outras narrativas para as telas: “um filme que nasce numa cidade do interior tem uma forma diferente de contar uma história, porque traz um outro modo de enxergar o mundo.”

No passeio cultural pela cidade, os participantes conheceram o Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu. A exposição, multimídia e interativa, apresentou a história do esporte no Brasil e sua relação com as lutas contra o machismo e o racismo.

Para os semifinalistas do gênero Crônica, a visita programada foi para conhecer a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Para muitos, foi a primeira vez em um grande museu de arte. Além de apreciar as obras, os alunos fizeram fotos do passeio. A partir dessas imagens, eles foram convidados a redigir uma nova crônica sobre o instante captado na fotografia. 

Jessé Andarilho contou para os alunos e professores sobre sua experiência com a escrita, a inspiração surgida no cotidiano de uma favela do Rio de Janeiro e seu primeiro livro, redigido no celular, no trem: “as pessoas falavam ‘você é maluco, escrever um livro no trem!’, porque elas pensavam no livro inteiro. Eu não. Eu só pensava na próxima palavra, e que depois vem outra, depois um parágrafo, outro, um capítulo, um livro, depois outro…”

Já os semifinalistas de Memórias Literárias entrevistaram a escritora Geni Guimarães: os alunos elaboraram perguntas, anotaram as respostas e depois redigiram um novo texto sobre as histórias da autora. Ela contou sobre suas memórias de vida, a infância na roça, os versinhos que fazia desde criança, o apoio de sua família e também sobre o racismo que precisou enfrentar muitas vezes. Os alunos também perguntaram sobre seu trabalho com a escrita: “não escolhi ser escritora, quando a gente vê já é”, contou. 

Para os docentes, Geni falou sobre sua trajetória como a primeira professora negra de sua cidade e as dificuldades que estudantes negros enfrentam: “a escola não ensina a criança negra que ela é negra, que ela pode, que tem capacidade”. 

Os participantes de Memórias Literárias também visitaram o Museu Afro Brasil, onde puderam conhecer mais sobre a forte influência dos povos africanos na cultura brasileira.

Para pensar na construção do poema, Ricardo Aleixo resgatou a importância da fala: “a primeira leitura será sempre em voz alta. Sem a escuta dessa voz, que séculos de predomínio da palavra escrita não conseguiram silenciar, torna-se praticamente impossível incorporar o poema como algo prazeroso e vivenciá-lo plenamente”. O poeta, músico, artista visual, pesquisador e educador ainda falou sobre sua trajetória no mundo das palavras e defendeu a ideia do poema como um objeto aberto a diferentes abordagens. 

Os semifinalistas desse gênero conheceram o Museu Catavento, de ciências. No dia seguinte, os alunos foram desafiados a transformar em versos as descobertas e sensações vivenciadas no passeio. 

Os jovens poetas também foram convidados a ler trechos de seus poemas selecionados num estúdio de gravação, montado no próprio hotel. A partir dos áudios, o compositor e arranjador Luiz Ribeiro criou trilhas sonoras exclusivas. O resultado foi uma surpresa emocionante para os alunos, que levaram para casa a gravação de seus poemas.

A principal atividade para os alunos semifinalistas em Artigo de Opinião foi a participação em um debate. Com tempo cronometrado, réplicas e tréplicas das respostas, eles discutiram o futuro da Amazônia. Os alunos foram divididos em dois grupos, que defenderam posições diferentes: priorizar a conservação ambiental ou privilegiar o desenvolvimento econômico na região. Além disso, havia outros quatro grupos de provocadores, que se dedicaram a pesquisar as diversas temáticas envolvidas na questão e a formular perguntas aos debatedores. Após a atividade, o exercício foi redigir um novo texto sobre a Amazônia. 

Já os professores assistiram a uma palestra com a jornalista e escritora Bianca Santana. Partindo do percurso de diferentes intelectuais negras brasileiras, ela falou sobre escrita e combate às desigualdades. “Se vivemos em uma sociedade desigual, uma escrita que não se proponha a abalar essa estrutura, na minha perspectiva, faz menos sentido – e o artigo de opinião, como texto de análise, de interpretação, pode ter o objetivo de fazer as pessoas refletirem sobre uma realidade que pode ser alterada a partir da nossa ação.”

Final 

Ao final desses Encontros foram anunciados os finalistas de cada categoria. Eles receberam medalhas de prata e participaram da Final, em que foram premiados os quatro grandes vencedores de cada gênero com o ouro. Antes da cerimônia – que contou com a participação da escritora Conceição Evaristo e apresentações de Lenine e Liniker –, todos os finalistas foram conhecer o espaço do Museu da Língua Portuguesa, atualmente em reforma, e conferir uma prévia da exposição que será inaugurada em 2020, em sua reabertura.

 

Histórias da educação

Uma das grandes riquezas desses encontros é poder conhecer mais sobre as histórias dos participantes e da educação no país. Em Santa Bárbara do Leste (MG), o ânimo com a classificação de uma escola que está há cinco anos sem prédio próprio, realizando as aulas em espaços adaptados, levou a comunidade a se mobilizar por mudanças. No próximo ano, a nova unidade deve ser inaugurada, para alegria da professora Silvania Paulino Teixeira e seus alunos. 

Já em Ribeira do Pombal (BA), a seleção de uma crônica para a semifinal mobilizou toda a comunidade escolar: aluno e professora receberam homenagens, deram entrevistas para as rádios locais e apareceram até nos outdoors da cidade.

Também ouvimos as palavras e as músicas de Rafael Caxàpêj Krahô, jovem indígena defensor da floresta e de sua cultura, que nos mostrou como seu modo de vida é afetado pelos desmatamentos. No sarau, ele cantou uma música do povo Krahô, que aprendeu com os anciãos de sua aldeia, em Goiatins (TO).

Conhecemos ainda a força dos processos iniciados na Olimpíada ao conhecer histórias como a do professor Éricles da Silva Santos, de Japaratuba (SE). Em 2008, 2010 e 2012, ele participou como estudante da competição nos gêneros Poema, Crônica (quando sua redação foi medalha de ouro) e Artigo de Opinião. Em 2019, Éricles volta à Olimpíada em uma condição diferente: “o suprassumo da felicidade foi voltar para a Olimpíada de Língua Portuguesa como professor.” 

Tantas histórias nos fazem acreditar ainda mais nas palavras da homenageada desta edição, Conceição Evaristo: “nós temos nas escolas, nas classes populares, grandes potências para as artes, a única coisa que é preciso criar é oportunidade”.


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