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Ensaio sobre a confiança

Ensaio sobre a confiança

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Autora: Camila Prado
19 Julho 2018

“A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, não é uma olimpíada que te dá uma medalha. Te dá uma experiência. E nos inspira a confiar na gente mesmo. No professor. Na escola. Parodiando o título de José Saramago,  Ensaio sobre a cegueira, eu diria que a Olimpíada de Língua Portuguesa é um ‘Ensaio sobre a confiança’.” A fala de Júlio César da Silva, de Quixeramobim (CE), foi uma entre tantas na lufada de esperança trazida pelo encontro de 27 jovens finalistas e semifinalistas do gênero artigo de opinião das últimas edições do Programa. O grupo, vindo de todas as regiões do Brasil, se reuniu para refletir sobre o redesenho do concurso, colaborar com sua reformulação e contar um pouco sobre como anda a vida após a participação no Programa e a conclusão do Ensino Médio.

Coloque-se uma generosa lupa sobre estas linhas e ainda assim não estará contemplada toda a riqueza dos relatos que ocorreram no dia da reunião.

Os impactos da Olimpíada ecoaram sob diversas nuances, como na fala de Maria Eduarda de Souza da Silva, de Ceilândia (DF): “Quando voltei do concurso, falei para minha família que continuaria escrevendo. E continuei! Graças a essa escrita, tirei uma nota muito boa e estou estudando Letras – Português na Universidade de Brasília. Sou a primeira a conquistar tal feito em todas as gerações da minha família. Com a Olimpíada, passei a ter uma percepção de futuro de que poderia fazer uma universidade pública!”

Para muitos, foi um divisor de águas ter conhecido pessoas de cada canto do Brasil, como conta Josseane Fátima de Lima, de Picuí (PB): “O contato com minha colega de quarto Thayná, do Rio Grande do Sul, na semifinal, e com Mariani, do Amazonas, na final, me chocou pela diferença cultural. Foi um grande ‘boom’ sobre a realidade dos lugares, suas gírias... Senti que cresci muito. Discutir com pessoas de todos os lugares é produção viva de conhecimento.” Sobre essa descoberta dos Brasis, Lauandecy Costa de Morais, de Araguatins (TO), sintetizou: “Você começa a se importar com uma cidade de que nunca tinha ouvido falar. A melhor parte foi ouvir todas as ideias através dos mais diversos sotaques nas rodas de conversa.”

Muito além da Olimpíada

No leito dessa escuta crítica, da observação e da argumentação, inerentes ao artigo de opinião, os jovens autores afluem para o exercício da cidadania. “O artigo de opinião me fez olhar o mundo por vários ângulos diferentes, desconstruiu muitas ideias e fortaleceu outras. Hoje me sinto um ser humano mais defensor da minha raça, classe social e de todos que são oprimidos por serem diferentes do que é padrão”, contou Jefferson de Oliveira Ferreira.

Nesse mesmo fluxo, muitos compartilharam as iniciativas de que estão participando, motivados pelas vivências durante a Olimpíada, como Sarah Evellyn Oliveira Borges, de Rio Branco (AC), que faz trabalho voluntário alfabetizando crianças e está envolvida com o ImpactaJovem; Monalisa Iris Quintana, de Campo Grande (MS), que logo no ano seguinte à Olimpíada de Língua Portuguesa, participou e foi selecionada no concurso de redação do projeto Jovem Senador; o Luiz Rodrigues de Oliveira Neto, de Itarema (CE), que na universidade está enveredando pela produção de artigos sobre o direito das pessoas com deficiência; e a Natália Samara Nobre, de Arapiraca (AL), que está cursando Psicologia na Universidade Federal de Alagoas e na faculdade se engajou na pesquisa em estudos de gênero.

“A Olimpíada me ajudou a escolher Biblioteconomia. Quero levar informação para as pessoas. Isso é poder. Na Universidade de Brasília, estou envolvida em projetos voltados para bibliotecas comunitárias e escolares, políticas de leitura e iniciação científica em acesso aberto e ciência aberta”, conta Ana Karolina Alves Amorim, de Brasília (DF). Já João Pedro de Souza Silva, de Marinópolis (SP), revelou “se eu hoje estou cursando Medicina na Federal do Triângulo Mineiro, devo muito à Olimpíada de Língua Portuguesa. Foi a partir de minha participação na edição de 2016 que enxerguei o quão longe tinha chegado e que tinha condições de atingir algo ainda maior. Com o Programa, passei a apreciar ainda mais a arte de escrever e isso foi decisivo no meu vestibular. A Olimpíada é muito grande”.

Diante de tanta diversidade, o que poderiam ter em comum estudantes de direito, biblioteconomia, engenharia mecânica e elétrica, teologia, uma babá, um profissional da área de vendas, futuros psicólogos, médicos e professores? Um quer viajar; outro, mudar o mundo; outro, comprar uma moto, mas o que todos descobriram - e levam para a vida - é algo que Layla Monique Nunes de Lima, de Orós (CE), colocou em uma só frase: “as palavras podem te levar até onde você nem imagina!”.

 

Confira as fotos do encontro:

O que estamos lendo?


“Escrever é consequência de ler. Se você lê, isso transborda para a escrita.”
Quem não se inspira com essa frase do Luiz Rodrigues?! Seguem algumas dicas literárias de participantes. Qual pode ser seu próximo livro de cabeceira?

Ana Karolina Alves Amorim – Quem tem medo do feminismo negro?, Djamila Ribeiro
Brenda Souza - Memórias do cárcere, Graciliano Ramos
Jefferson de Oliveira Ferreira –  Fique onde está e então corra!, John Boyne
João Pedro de Souza Silva – Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis  
Josseane Fátima de Lima – O caso dos exploradores de cavernas, Lon Fuller
Júlio César da Silva – Ensaio sobre a cegueira, José Saramago
Lauandecy Costa – Sherlock Holmes em : Um Estudo em Vermelho, Arthur C. Doyle
Luiz Rodrigues de Oliveira Neto – E o vento levou, de Margaret Mitchell
Maria Eduarda Krasny – A cor púrpura, Alice Walker
Monalisa Iris Quintana – Ficções, Jorge Luis Borges
Natália Samara Nobre – Ética para meu filho, Fernando Savater
Sandra Machado Limas – O presente, Cecília Ahern


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