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Rádio Altinomix – quando a escrita entra no ar

Rádio Altinomix – quando a escrita entra no ar

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Autora: Carolina Lobrigato / Edição: Camila Prado
09 Novembro 2017

 

Com o projeto “Vozes que encantam, comemoram e representam”, a professora Carolina Lobrigato, da EMEF Altino Arantes, em São Paulo (SP), compartilhou algo muito precioso com seus alunos do 7º ano: a importância de pensar – e muito – antes de falar. Isto porque, para trabalhar o spot radiofônico, as crianças tiveram que planejar detalhadamente textos escritos para só depois oralizá-los. Um mar de criatividade, interdisciplinaridade e inclusão se transformou em ondas que entraram no ar na rádio Altinomix para celebrar os 60 anos da escola, que é referência no bairro.

 

“Saber que seriam ouvidos diariamente na rádio da escola, durante o intervalo, e depois na mostra cultural, ajudou muito na empolgação dos meus alunos. ‘Ah, vamos fazer isso!’, responderam quando dei a ideia de comemorarmos o aniversário da escola com spots radiofônicos na Altinomix. Eles são bem motivados com as propostas que eu apresento muito por conta do que aconteceu no ano passado, quando viajei com uma aluna do 6º ano que foi semifinalista na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro.

Estamos na zona leste de São Paulo, na Vila Industrial, perto das comunidades Mangue, Casinha e Ilha. Queria desenvolver com minhas três turmas de 7ºs anos – são 30 alunos por classe – uma atividade que tivesse como objeto do ensino um gênero oral. Vi no spot a chance de mostrar que a oralidade poderia ir além daquela interação dialogal de sala de aula, como uma chamada oral, em que eu faço uma pergunta e o aluno responde, ou uma correção espontânea ‘Professora, é pra mim copiar?’ ‘Não, não se diz para mim copiar, se diz para eu copiar’. Essa era a oralidade do dia-a-dia. E há uma escassez de gêneros orais mesmo, podemos pensar em debate, que é um gênero mais espontâneo. Mas no caso dos spots, trabalhamos, além da oralidade, o planejamento do texto e a oralização do escrito. Os alunos tiveram que pensar muito para transformar os textos num áudio de 30 a 45 segundos.

Para eles foi um desafio, e para mim também. Tanto planejar como ir atrás do material, refletir sobre minha prática, sair um pouco da zona de conforto de ficar nos gêneros da Olimpíada. Li muita coisa sobre o tema.

Consegui desenvolver com eles bastante analogia e figuras de linguagem. No spot da feira, por exemplo, eles vendiam a educação ‘Uma educação de qualidade, quem vai querer? São só 60, 60, 60 anos de tradição’. Alguns escreviam muito bem, tinham ideias ótimas no spot escrito, mas na hora de gravar eram introvertidos.

Tem um aluno que era muito introspectivo, não falava com ninguém, a gente vivia fazendo relatório, com encaminhamento para o psicólogo. Agora ele quer fazer parte da rádio, sonha em ser radialista! Foi uma descoberta bem legal para ele também. Trabalhei com as turmas fluência, dicção, entonação. Expliquei que a pontuação dos spots dava dicas para quem ia gravá-los, que o ponto de exclamação poderia ser uma ordem etc. A gente também conseguiu ver bastante interjeição com vocativo, como: ‘Ei, você! Conhece o Altino Arantes?’

Despertaram para a escrita no sentido de que não adianta só saber escrever bem, mas precisa ‘ter’ o que escrever. Precisavam ter criatividade para conseguir transmitir a mensagem que queriam e convencer os ouvintes de que a escola realmente era um lugar bom de se estudar. 

 

Um projeto para todos

Uma característica da escola é que atendemos alunos de inclusão, como deficiência intelectual e síndrome de down. Dois desses alunos, que não conseguem produzir nada escrito, participaram do projeto e gravaram um spot dizendo que o Altino Arantes atende a inclusão. Escolher um gênero oral também tem a ver com a necessidade de desenvolver e de mostrar a capacidade e a habilidade de todos os alunos, incluindo aqueles que não dominam a escrita e que dificilmente teriam destaque em outras produções. E mesmo para os alunos que dominam a escrita e a leitura foi interessante mostrar que a oralidade também é uma modalidade da língua, e que não é oposta à escrita, mas complementar.

A gente começou a divulgar os spots através de grupos de Whatsapp, inclusive de ex-alunos da década de 70, 80, 90, dos anos 2000 e recebemos retornos como ‘Nossa, o Altino Arantes continua bom’, ‘Como estes alunos gostam da escola!’. Então, o projeto contribuiu para mudar a imagem que a comunidade tinha da escola. Outro ganho foi ratificar a importância que o pessoal do Altino sempre deu para o trabalho interdisciplinar. A parceria com o Gustavo, professor de informática, foi fundamental. Ver a habilidade dos alunos na sala de informática, mexendo no programa de edição de áudio Audacity, colocando trilha sonora, indo atrás dos recursos, nos mostrou como eles já nascem midiáticos e como uma boa aula não é só ‘giz e lousa’. Usei o celular, vivia com rádio embaixo do braço, bluetooth para cá, wi-fi para lá. A gente estava com a tecnologia ao nosso lado. Depois disso, muitos alunos quiseram aderir ao projeto da Rádio, que é no contraturno. Então, se antes o professor tinha que ‘caçar’ aluno, agora chove de interessado em vir à tarde para fazer parte da Altinomix!”

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Assista ao vídeo da mesa que a professora Carolina integrou durante o Seminário Nacional Escrevendo o Futuro:

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Em breve, o Portal Escrevendo o Futuro vai disponibilizar os relatos de prática dos professores participantes do Seminário. Acompanhe.


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