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Autora: Marina Almeida
23 Junho 2020

 

“Educação hoje também é linha de frente”, resume a Coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação de Ribeira do Pombal (BA), Maria José Pereira de Jesus Silva. Além da preocupação com o ensino remoto para alunos que muitas vezes não têm acesso à internet ou a aparelhos celulares, a Rede Municipal se preocupa com a saúde e o bem-estar dos estudantes em meio à precarização das condições já vulneráveis de vários alunos.

Nesta reportagem, as redes de ensino compartilham os desafios e as soluções que têm encontrado para reduzir os danos trazidos pela pandemia e interrupção das aulas presenciais. Programas de rádio, formação sobre as plataformas tecnológicas e momentos de trocas sobre literatura, arte e expressão são alguns dos caminhos apontados, mostrando que o papel da escola vai muito além do ensino dos conteúdos programados.

Fomento à leitura, merenda e rádio escolar

Em Ribeira do Pombal, no semiárido baiano, há duas semanas as escolas começaram a entrega dos kits do Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar) que, com o auxílio do município, não incluem apenas um lanche, mas também outros itens alimentícios. “Organizamos um cronograma para entrega dos kits nas escolas evitando a aglomeração. Junto com eles, as famílias recebem mais uma etapa de atividades impressas”.

No município, o trabalho para implementar o ensino remoto neste período precisou considerar o grande número de alunos sem acesso à internet e a dispositivos eletrônicos, como celular ou computador. Para esses alunos, muitos da zona rural, a Secretaria de Educação preparou materiais impressos. “Mas nos preocupamos sobre como se dá esse aprendizado sem o contato com os professores”, diz Maria José. Junto com o material didático, algumas escolas, sobretudo na zona rural, conseguiram enviar também um livro para os alunos lerem. “As crianças não têm acesso a esse tipo de material em casa”, explica a coordenadora.

Nas regiões com acesso à internet, os professores também enviam explicações e atividades via WhatsApp, mas nem sempre esse contato on-line funciona bem. Uma das formas encontradas para contornar esse desafio e ampliar o contato da escola com os alunos e suas famílias tem sido o rádio. Num programa diário de uma hora, cada escola fica responsável pela programação de um dia da semana. “Os professores, os estudantes e outros convidados falam sobre diversos temas, como a importância da leitura. É um meio de chegar também aos alunos do campo”, conta Maria José. Entre outras ações, a Secretaria tem buscado incentivar os alunos a postarem suas dicas de leitura nas redes sociais e tem divulgado vídeos de contação de histórias gravados pelas professoras da rede.

“É um ano complexo, 2021 vai exigir a organização de aulas de reforço e no contraturno. Temos nos esforçado, mas alguns aprendizados só podem acontecer presencialmente”.

Diversidade de estratégias

No município de Pilar (PB), a criação de um programa de rádio também foi a forma encontrada pela Secretaria de Educação de manter um contato maior com os alunos. São três horas diárias, em que professores, alunos e diretores podem falar sobre as atividades que estão sendo realizadas no período, trazer orientações e motivar os estudantes.

“Também começamos a postar fotos dos alunos fazendo as atividades, que eles mesmos nos enviam. Essas ações foram importantes para que eles vissem que os colegas também estão estudando, se sentissem incentivados, e para as famílias verem que as atividades estão acontecendo. No início, tinha-se a ideia de que ninguém estava fazendo nada em casa”, explica a coordenadora pedagógica da rede, Heloísa Helena Cavalcanti. E, para não sobrecarregar os alunos – outra crítica que surgiu no início das atividades –, o calendário foi organizado com duas disciplinas por dia e, no máximo, três atividades.

A coordenadora conta que, nas primeiras semanas de isolamento, a Secretaria de Educação buscou entender quais seriam as condições dos alunos para realização das aulas a distância. Com uma grande área rural, a conclusão foi de que as atividades realizadas pela internet não poderiam atender a todos e a rede preparou materiais impressos para serem distribuídos a cada aluno. “A escola recebe o material da gráfica, encaderna, esteriliza e entrega. Numa das escolas do campo, às vezes a diretora vai de casa em casa entregando os cadernos”, explica.

Nas unidades onde a maioria dos alunos acessa a internet, os professores também gravam explicações e enviam para os alunos, apesar da dificuldade de muitos deles com as ferramentas tecnológicas. “Organizamos alguns cursos no início da pandemia para ajudá-los. E lembramos que o material impresso e o conteúdo on-line devem estar sempre alinhados”, ressalta. Nessas turmas, a preocupação é com os estudantes que não interagem. “Temos dúvida de como esses alunos vão estar na volta. Numa escola da sede do município, por exemplo, 30% dos estudantes não pegaram nem o material impresso, não sabemos deles”.

Apesar das dificuldades de uma atividade de escrita a distância, a coordenadora incentivou os professores a trabalharem a produção textual. “Uma das ideias foi a de trabalhar com o gênero entrevista: apresentar o conceito aos alunos e pedir que eles entrevistem seus familiares sobre como estão lidando com este momento de pandemia: as mães estão trabalhando mais? Como é ter os filhos em casa o dia todo? Ao final, as escolas têm um documento sobre como a comunidade vivenciou a pandemia”, explica Heloísa.

Em vez de entrevistas, o professor Francisco de Assis Alves resolveu trabalhar com cartas dos alunos para os profissionais de saúde, tema que conseguiu motivar os estudantes para a escrita. As cartas chegaram aos profissionais por meio das redes sociais – publicadas sempre com a autorização dos familiares – e pelo grupo do Programa Saúde na Escola (PSE). “Eles ficaram emocionados de receber essas cartas de jovens que nem conheciam”, lembra Heloísa. Ela ressalta que, nesse momento, a espontaneidade das cartas foi mais valorizada que o trabalho com a gramática dos textos, que ficou para uma discussão posterior.

Formação tecnológica

Já na região noroeste de Santa Catarina, o maior desafio para a implementação das aulas a distância era a falta de familiaridade dos professores com as ferramentas tecnológicas. Alex Tardetti, Secretário de Educação de São Lourenço do Oeste, conta que um levantamento mostrou que 92% dos alunos da rede tinham acesso à internet. A questão era como organizar as aulas da melhor maneira possível. Um primeiro passo foi a criação de uma plataforma virtual para os professores postarem as atividades complementares – etapa realizada com a contratação de uma empresa de ensino a distância, que ficou responsável também pela importação dos dados dos alunos para o ambiente virtual.

Para capacitar os professores a utilizar as ferramentas de ensino a distância, foi organizada uma formação em parceria com outras secretarias da região, por meio da Associação dos Municípios do Noroeste Catarinense. O curso de 20 horas foi realizado pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), com a coordenação de Neli Bastezini Kronbauer, da Coordenadoria Regional de São Lourenço do Oeste, da Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina. Na coordenação do evento esteve também o professor Élcio Cechetti, representando, juntamente com Neli, a Unochapecó.

“Apresentamos as ferramentas metodológicas de educação virtual para 450 professores da nossa região. Tudo realizado a distância, o que também já traz uma experiência de aprendizado virtual. Às vezes os professores conhecem as ferramentas, mas não têm o domínio, só conhecem as funções mais básicas”, relata Neli.

Eles ainda ressaltam o papel do Conselho Municipal de Educação (CME) de São Lourenço do Oeste na organização das ações durante a quarentena. “O Conselho foi fundamental para as deliberações e realização das atividades neste período. As reuniões, previstas para ocorrerem a cada bimestre, se tornaram semanais e a distância”, diz Alex. Ele conta que o CME participou da definição da plataforma virtual adotada na rede e que, em maio, emitiu uma resolução legalizando a contagem dos dias letivos realizados no ambiente virtual de aprendizagem – o documento segue agora para a Câmara de Vereadores, para ser transformado em lei.


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