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Flip 2019 homenageia Euclides da Cunha e inova incorporando o slam

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03 Julho 2019

Texto: Suzana Camargo

Edição: Esdras Soares e Alana Queiroz


Evento de maior prestígio da cena literária brasileira, a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, chega à sua 17ª edição, que acontece entre os dias 10 e 14 de julho, com a presença de 33 escritores de 10 nacionalidades e ampla programação artística e cultural. Fernanda Diamant, editora da Quatro Cinco Um, revista mensal de resenhas e ensaios, estreia na curadoria da festa, que este ano homenageará um autor de não ficção: Euclides da Cunha.  

Levar para a Flip escritores de não ficção deverá ser uma tendência da nova curadora. “Em Os Sertões, especialmente, ele [Euclides da Cunha] faz uma retrospectiva da história do Brasil para chegar naquele momento da Revolta de Canudos. Achei que o momento que estamos vivendo no Brasil, seria perfeito falar sobre tudo isso”, comenta Fernanda.

Tomaz Silva/Agência Brasil

Mauro Munhoz, responsável pela direção geral e artística da programação principal da Flip, comenta que a curadoria de Fernanda Diamant estabelecerá uma relação com as conquistas da Festa nos últimos anos e as "novas demandas que estão surgindo no atual cenário político e cultural do Brasil e do mundo". 

De acordo com ele, no contexto de hoje, o papel da literatura como um espaço público e de inovação e mediação de diferentes ideias faz-se ainda mais necessário. "É isso que queremos reforçar nas mesas literárias da Flip e na ocupação dos espaços de Paraty com os nossos conteúdos", afirma.

Ao todo, o evento terá nesta edição 21 mesas de discussão, que vão ocorrer nos formatos de conferência, performance e entrevista. Os títulos das mesas fazem referência a pontos geográficos e elementos de Os Sertões.

Apesar de algumas alterações, Fernanda Diamant já declarou que dará seguimento ao trabalho realizado por sua antecessora, Josélia Aguiar, a primeira curadora mulher da Flip. Munhoz ressalta que "Joselia Aguiar fez na Flip uma série de inovações, abrindo espaço a novos autores e reforçando o caráter artístico do evento".

Walnice Nogueira Galvão, uma das principais críticas literárias do país e especialista na obra de Euclides da Cunha fará a conferência de abertura. A apresentação teatral Mutação de apoteose, inspirada na primeira parte da maior obra de Euclides da Cunha, o clássico Os Sertões, também será destaque da noite de abertura da Flip no próximo dia 10 de julho. O espetáculo tem direção artística assinada pela atriz Camila Mota e foi criado a partir de canções compostas por autores como Tom Zé, Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhotto e Chico César, para a adaptação da obra de Cunha feitas pelo Teatro Oficina na década passada.

Slam na Flip

Outro destaque da 17ª edição da Flip são ações de slam, que se constitui em uma competição entre poetas que recitam um trabalho original na forma de performances, e em seguida são julgados por membros selecionados da plateia que compõem uma comissão de jurados.

O slam foi levado para o centro da programação da Flip com curadoria de Roberta Estrela D’Alva, uma das pioneiras desse movimento no Brasil. Roberta afirma ser vital que poetas da oralidade estejam no centro da ação na Flip porque "são vozes diversas que precisam ser ouvidas e o slam tem o papel de engajar o público, que participa ativamente dessa riqueza de estéticas e linguagens que surgem a partir da poesia em presença”, afirma.

Uma das ações realizadas será a “Flip Slam”, competição de poesia falada que  contará com a participação de seis poetas: o escritor e rapper Edyoung Lennon, de Cabo Verde, a britânica Joelle Taylor, a artista e professora Pieta Poeta, representando o Brasil, a americana Porsha Olayiwola, a portuguesa Raquel Lima e o espanhol Salva Soler. 

Biografia de Euclides da Cunha

Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha (Cantagalo, Rio de Janeiro, 1866 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1909). Escritor, professor, sociólogo, jornalista, engenheiro e militar. Nasce na região serrana do Rio de Janeiro, filho de um contador. Após o falecimento de sua mãe, passa a morar com os tios maternos, em Teresópolis, onde reside até 1871. Seus tios morrem e o autor é obrigado a mudar para São Fidélis, onde estuda no Instituto Colegial Fidelense.

São várias as mudanças em sua vida em decorrência das mortes familiares: entre 1877 e 1879, mora na Bahia, junto com a avó paterna; volta ao Rio de Janeiro em 1879, passando pelos colégios Anglo-Americano e Aquino. Neste último, dá início à sua vida literária, escrevendo os primeiros poemas e publicando seu primeiro artigo em um jornal do colégio. Em 1886, matricula-se no curso de engenharia da Escola Militar, onde continua a dar vazão ao seu talento com a escrita, colaborando para a Revista da Família Acadêmica. Dois anos depois, passa a publicar artigos anti-imperialistas no periódico A Província de São Paulo, posteriormente renomeado como O Estado de S. Paulo.

Casa-se, aos 24 anos, com Ana Emília Ribeiro e, em 1892, forma-se no curso de engenharia, sendo, em seguida, promovido a tenente. Ainda nesse ano, estagia no trecho paulista da Estrada de Ferro Central do Brasil e passa a trabalhar como professor na Escola Militar do Rio de Janeiro. Insatisfeito com o governo do marechal Floriano Peixoto, escreve ácidas invectivas ao regime, que acabam sendo rejeitadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Como resultado de inúmeras críticas ao governo, em particular acerca do respeito para com os presos políticos da Revolta da Armada, acaba sendo transferido para Campanha (Minas Gerais) e, após um período de licença, devido a de problemas de saúde, desvincula-se do exército.

Retorna, então, ao jornalismo e recebe o convite do editor do jornal para cobrir a quarta expedição contra Canudos. Realiza a cobertura de toda a batalha, ao mesmo tempo em que faz anotações para aquela que será a sua grande obra: Os Sertões, publicado em 1902. O sucesso do livro faz com que Euclides da Cunha seja aclamado membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1903. 

Fonte: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa1779/euclides-da-cunha


Veja ainda uma “entrevista” com Euclides da Cunha. No vídeo, o ator Aury Porto dá vida ao escritor:

Clique aqui para conferir a programação completa da Flip.

 

Dica da equipe do Programa Escrevendo o Futuro:

Escrevivências e andanças: prazer em ler, direito de escrever

Dia 11/07, das 14h15 às 15h30, na Casa da Cultura

Com Conceição Evaristo, escritora homenageada da 6ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa, e Jessé Andarilho

Mediação de Angela Dannemann, do Itaú Social

Escrever é um ato político. Mulheres, negras e negros, e as populações ditas periféricas foram historicamente apartadas do acesso à leitura e de estar no protagonismo da escrita de suas próprias narrativas. O ato de contar e de escrever uma história é uma experiência necessária para a ampliação do pertencimento do escritor e do leitor e a valorização de lugares de fala. Esta mesa traz luz à potência de narrativas que têm possibilitado a quebra de estruturas sociais excludentes e estimulado as pessoas a se aproximarem da leitura e da escrita como direito humano fundamental.


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