Saltar para o conteúdo Saltar para o menu Saltar para o rodapé Fale conosco
Portal da Olimpiada de Lingua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Linkes rede sociais.        

33ª Bienal - a arte de prestar atenção

Inicio do conteudo
Assunto: null
Autora: Camila Prado
29 Agosto 2018


Ao longo de sua história, que começou em 1951, a Bienal de São Paulo sempre teve a preocupação de ser um evento de caráter educativo, além de, claro, ser referência em arte contemporânea. Desde então, a perspectiva e ações educacionais foram se modificando, na busca de reverberar o papel da arte na sociedade como um campo do saber que pode promover reflexões e transformações individuais e coletivas.

padding: 10px;Em sua 33ª edição, a maior exposição de arte da América Latina “quer provocar uma tomada de consciência sobre a nossa atenção”, como explica o curador Gabriel Pérez-Barreiro. E justifica: “Algumas das empresas mais bem-sucedidas mundialmente (Facebook, Google, Apple) prosperam com a captura e a revenda de nossa atenção. Talvez seja revelador o fato de que essas empresas compreenderam melhor algo que o mundo da arte ainda tem dificuldade para perceber: que a atenção é nosso bem mais valioso”.

A proposta do Programa Educativo da Bienal e de sua publicação, precisamente chamada “Convite à atenção”, é convidar o público a ampliar os tempos e modos de se relacionar com a arte. A aposta é que, com isso, as pessoas poderão se debruçar sobre uma investigação acerca de suas “Afinidades afetivas” – título da 33ª Bienal – com as obras e ser afetadas positivamente a partir desta experiência, entrando em contato com suas próprias maneiras de prestar atenção e se relacionar com o mundo.

Num contexto de intolerância que permeia nossa sociedade, Lilian L´Abbate Kelian, consultora do projeto educativo, pondera: “Temos vivido com muita dificuldade de dialogar com posições políticas diferentes das nossas. Nós acreditamos que pode ser útil que a gente exercite nossa atenção para compreender como o outro pensa e sente o mundo. A obra também é uma espécie de outro. Um outro que não está lá para responder. Então se você ficar mais tempo com a obra, um diálogo interior pode acontecer: o que significa essa obra? O que o artista estava pensando? Faz-me pensar em quê? Por que tanto amarelo? Será que ele estava alegre? Eu estou como? Os exercícios de atenção nos ajudam a sustentar essa conversa interior, um movimento simultaneamente afetivo e reflexivo”.

 

Atenção em 4 tempos

“Convite à atenção” foi concebida como um baralho de cartas que propõe o exercício de dedicar a atenção a uma obra em quatro naipes, ou etapas. A primeira delas é “Encontrar uma obra” – aqui, espera-se que as pessoas se deem conta dos critérios que usam para eleger uma obra e que possam buscá-las de diferentes modos, evitando julgamentos mais automáticos, como bonito/feio, gosto/não gosto. A segunda etapa consiste em “Dedicar a atenção” – todas as cartas deste naipe sugerem experiências de 15 minutos, propondo um alargamento do tempo que geralmente dedicamos diante de uma obra. Na terceira etapa, “Registrar a experiência”, são oferecidos diferentes recursos para que as pessoas elaborem e registrem a vivência que tiveram. A última etapa, “Compartilhar”, é um momento de escuta sem julgamentos, que pode ser feito de forma individual ou coletiva e revelar muitas maneiras de se relacionar com as obras.

A afirmação de Rafael Sánchez-Mateos Paniagua, artista convidado da 33ª Bienal, ilustra bem o que se pretende com todos esses exercícios, também chamados de protocolos de atenção: “A atenção não é uma reconexão instantânea, espontânea ou imediata com o objetivo, o real ou o verdadeiro, mas o árduo e generoso gesto de se colocar em suspenso diante da indeterminação para imaginar novos sentidos”.

O intuito é que o próprio educador vivencie essa experiência e perceba como sua atenção se sustenta e flutua, para depois adaptar a uma proposta escolar. As formas de se trabalhar com esse material são inúmeras e cabe ao professor criar o que seja mais aderente à sua realidade.Quem trabalha com gêneros textuais na proposta do Programa Escrevendo o Futuro, por exemplo, pode criar alguma prática pedagógica estabelecendo uma ponte com “Convite à atenção”, que na etapa 3 oferece o texto descritivo, a narração e a memória entre as formas de “Registro da experiência”.

Disponível para download, o material educativo pode ser utilizado tanto na Bienal como em qualquer local, como explica Lilian: “Há objetos artísticos em igrejas, praças públicas, casas. Podemos realizar exercícios com músicas, literatura, audiovisual. Com elementos da arquitetura. Há professores que desenvolveram exercícios de atenção com objetos naturais, como o céu ou uma árvore”.

A consultora ainda deixa aos professores uma problematização válida: “Nós educadores estamos sempre às voltas com o problema da atenção dos estudantes, sempre lhes pedindo concentração”, comentando que não apenas o mundo tecnológico ou a economia são responsáveis por essa questão, mas também “a própria estrutura escolar, que propõe dispersão com uma rotina muito fragmentada. Se olhássemos a escola com um pouco mais de estranhamento, iríamos nos perguntar como alguém pode aprender se a cada 45 minutos um fragmento do conhecimento é oferecido numa lógica disciplinar diferente”. E o pensamento de Rafael arremata: “Que contraditório o fato de sermos nós, os adultos,a diagnosticar o ‘deficit de atenção’ das crianças quando elas não se adaptam bem ao difícil mundo no qual as inserimos! A que queremos que elas estejam atentas?”.

Bienal – Informações úteis

* Mostra – de 07/09 a 09/12/18, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo

* Itinerância – obras serão exibidas em unidades do SESC e outras instituições após o término da Bienal. Acompanhe a agenda.

* Material educativo da 33Bienal – baixe a publicação Convite à atenção

* Material educativo das bienais anteriores 

* Ações da Difusão (grupo que faz laboratório para educadores) -
instituições interessadas em parcerias, entrar em contato: programaeducativo@bienal.org.br


Imagens:

Cartaz da 33a Bienal de São Paulo - Afinidades Afetivas. Cartaz desenhado por Raul Loureiro para a 33a Bienal de São
Paulo. © Arp, Jean / AUTVIS, Brasil, 2017. Formas expressivas (1932). Coleção Museu de Arte Contemporânea da
Universidade de São Paulo. Reprodução: Eduardo Ortega / Fundação Bienal de São Paulo,
© Arp, Jean / AUTVIS, Brasil, 2017. Formas expressivas (1932). Coleção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de
São Paulo. Design: Raul Loureiro Reprodução: Eduardo Ortega / Fundação Bienal de São Paulo

Material Educativo da 33a Bienal de São Paulo. 01/03/2018 © Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo
Foto [Photo]: Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo


Conteúdo relacionado

Mais conteúdos sobre o Assunto

Comentários

Ver mais comentários

Adicionar comentário

Olá, visitante. Para fazer comentários e respondê-los você precisa estar autenticado.

Clique aqui para se identificar

Título

Fim do conteudo.
inicio do rodapé
Parceiros
Fundação Roberto Marinho
 
Futura
 
Undime, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação
 
Conséd, Conselho Nacional de Secretários de Educação
Coordenação técnica
Cenpec, Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária
Iniciativa
Itaú
 
Ministério da Educação
Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro
Cenpec - Rua Minas Gerais, 228 Higienópolis, CEP 01244-010 São Paulo/SP
Central de atendimento: 0800-7719310
Fim do rodapé