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Geovani Martins lança "O sol na cabeça"

Geovani Martins lança "O sol na cabeça"

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Autor: José Victor Nunes Mariano
28 Março 2018

O escritor carioca lançou seu livro de contos, "O sol na cabeça", em São Paulo. Confira os principais destaques do evento e os possíveis diálogos entre a obra e a sala de aula.

foto: Chico Cerchiaro/Divulgação

No dia 19 de março, o escritor carioca Geovani Martins lançou seu primeiro livro, intitulado O sol na cabeça, no Teatro Eva Herz, em São Paulo. O bate-papo foi mediado pelo escritor Antonio Prata e organizado pela editora Companhia das Letras, em parceria com a Livraria Cultura e a Folha de São Paulo. Durante duas horas e meia, o autor trouxe à tona um pouco sobre sua trajetória e processo criativo.

O autor iniciou abordando sua vida pessoal, falando sobre sua vivência em diferentes favelas do Rio de Janeiro, desde o Complexo do Alemão à comunidade do Vidigal, passando por seus inúmeros “bicos” na adolescência – o autor já trabalhou como atendente de lanchonete, garçom e “homem-placa”. Aprofundando-se em sua formação como leitor e escritor, Geovani relata como o sonho de escrever um livro estava tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe: "Para mim escritor era como astronauta. Eu sabia que existia, mas nunca tinha visto”.

Aclamado pela crítica especializada como a nova pérola da literatura brasileira e uma das maiores apostas do mercado editorial, Geovani iniciou sua carreira na Festa Literária das Periferias (FLUP), em 2013. No entanto, foi em 2015, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que os originais do livro foram parar nas mãos de Antonio Prata. A partir daí iniciou-se o processo de confecção do livro.

Nos 13 contos que compõem a obra, a infância na periferia, a violência no cotidiano carioca e a relação do morro divido entre polícia e narcotráfico são temas constantes em suas narrativas. Porém, suas histórias vão muito além, atingindo um sentimento universal e humano, a partir de personagens que refletem a condição daqueles à margem da sociedade.

Em um contexto escolar, o rico conteúdo de seu livro possibilita boas reflexões e atividades com os alunos. Além dessas temáticas e situações serem vividas por muitos dos estudantes, elas também já fazem parte de um imaginário popular, podendo ser recuperadas para serem trabalhadas em sala de aula. No conto Rabisco, por exemplo, o cotidiano de um grafiteiro encurralado ao tentar deixar sua marca em um prédio escancara o poder da escrita como forma de comunicação, colocando-nos em diálogo com um espaço urbano e uma forma de linguagem já usual para grande parte dos jovens de periferia.

A língua coloquial é outro recurso que é trabalhado em muitas histórias do livro e que pode ser aproveitado em aula pelo professor. Partindo da discussão sobre linguagem popular e as diversas formas de dialetos no Brasil, o docente pode se apropriar do vocabulário da obra e aproximá-lo à realidade dos alunos. O primeiro conto do livro, Rolézim, emprega um falar popular que nos aproxima da realidade do narrador, um jovem morador de uma favela da zona sul do Rio de Janeiro.

Além disso, os territórios representados podem servir como estratégias de diálogo. Perpassando vários espaços da cidade do Rio de Janeiro, a favela, a praia, os trens e a cidade urbana estão sempre presentes e muito bem demarcados nos contos. Todas as imagens são minuciosamente trabalhadas, mostrando-nos de forma realista a rica paisagem do Rio de Janeiro, criando um recorte representativo de diferentes classes sociais e experiências de vida.

Ao ser perguntado por uma espectadora como ele via o desinteresse de tantos alunos pela sala de aula, Geovani nos fala sobre como a escola não dialoga com as experiências dos estudantes nas principais regiões periféricas do Brasil. Sua fala aponta para a necessidade de aproximação entre a instituição escolar e o repertório e história do aluno. Por fim, o autor nos dá uma dica valiosa: “A escola teve o papel daquilo que eu não queria ser. Deem perspectiva e liberdade para seus alunos”.


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