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“Tristeza ou tristesa?”: em foco, a ortografia

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Oi, Olímpia!

Sou professora do 8º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública da periferia de Fortaleza/CE. Tenho, atualmente, 93 alunos, e a maioria não conhece as regras básicas de ortografia (também não sabe concordância, regência, pontuação, mas o foco da pergunta é ortografia).

Gostaria de receber orientações para melhorar a ortografia deles, pois chegaram ao oitavo ano assim, mas me incomoda profundamente passá-los para a série seguinte com essas dificuldades.

Aguardo retorno e, desde já, agradeço a atenção dispensada.

Benigna Soares – Fortaleza, CE

 

____________________________________________________________

 

Bom dia! Sou Rita Pinheiro, professora do Ensino Fundamental 1. Tenho dúvidas sobre a nova ortografia. Gostaria de receber sugestões de como estudar para sanar as minhas dificuldades.

Grata,

Profª Rita Pinheiro – São Sebastião, SP


Caras professoras Benigna e Rita,

Lendo as perguntas de vocês, fiquei pensando sobre como a ortografia (atrelada ou não ao recente Acordo Ortográfico) requer uma constante atualização, seja por parte de professores, seja por parte de alunos, dos menos aos mais “crescidos”! Em outras palavras, entendo haver sempre espaço, ao longo da vida (na escola e fora dela), para a troca de ideias e consulta sobre o assunto, pois todos temos facilidades e dificuldades (ou pelo menos hesitações) na hora de eleger a “letra correta”, não é mesmo?

Independente da ágil busca por informações na internet, que cercam o sistema ortográfico da língua, penso existir uma questão de fundo, ou seja, nossas dúvidas sobre o modo de grafar as palavras podem ter origem na maneira como aprendemos (e, talvez, como ensinamos) ortografia.

Pensem comigo: salvo exceções (e meu otimismo sempre me faz acreditar que existam!), nós, professores, vivenciamos práticas escolares (como alunos) voltadas a um ensino bastante mecânico das regras ortográficas, o que nos levou a pensar que “sabe mais ortografia quem consegue memorizar, decorar mais palavras”. Por trás de ideias como essa, está a crença de que apenas a memorização é responsável pelo nosso aprendizado. No entanto, sabemos que o sistema ortográfico é constituído por regularidades (há uma regra, fruto da convenção social, que define a maneira de escrever uma palavra) e irregularidades (não há uma regra que justifique a grafia de determinadas palavras). Então, a questão é: se há regras, precisamos ensiná-las! Vamos falar sobre como fazer isso?

Realidades como a retratada pela professora Benigna são muito frequentes em nossas escolas, o que corrobora a hipótese de que talvez nossos alunos não estejam aprendendo as regras do sistema ortográfico, a fim de poderem compreendê-las e aplicá-las aos distintos contextos de uso. Um exemplo, retomando o título desse texto: tristeza se escreve com “eza” por ser um substantivo derivado do adjetivo triste (há uma regra, uma regularidade morfológico-gramatical, que define a forma de escrever, e isso vale para todas as palavras constituídas dessa forma).

Assim, se nossos alunos chegam aos anos finais do EF com dificuldades ortográficas (mesmo que professores dos anos anteriores tenham realizado o trabalho com esse conteúdo), precisamos retomar a conversa e resgatar formas contextualizadas de trabalho com o sistema ortográfico.

Para tanto, seguem duas dicas. Tudo começa com o levantamento das dificuldades recorrentemente encontradas nos textos da turma, a fim de planejar análises mais reflexivas e ajustadas às necessidades dos alunos. Essa prática é fundamental para que o professor possa também tomar decisões sobre o que vai ensinar, em função de articulações com os conteúdos de cada ano (a ideia não é deixar de lado conteúdos previstos nos anos finais para ensinar ortografia, não é mesmo?). Então, poderemos planejar aulas de análise mais centrada em palavras (de textos escritos por alunos e eleitos para reescrita coletiva) e acrescentar reflexões sobre as regras do sistema ortográfico. Além disso, precisamos conversar com a turma sobre o uso do dicionário, por exemplo, para os casos de irregularidades. Uma leitura preciosa nesse sentido é o material do MEC, escrito pelos autores Egon Rangel e Marcos Bagno, disponível clicando aqui.

Para terminar, algumas outras sugestões de leitura:

- Sobre o ensino de ortografia, indico o livro “Ortografia: ensinar e aprender”, de Artur Gomes de Morais (SP, editora Ática), um grande estudioso do assunto, e dois vídeos:

Ortografia na sala de aula – parte 1

Ortografia na sala de aula – parte 2

Esses vídeos são apresentados pelo Prof. Dr. Artur Gomes de Morais (UFPE) e contam com breves relatos de prática de professores, que têm o ensino da ortografia como um constante desafio. Acredito que ainda que seja retratado o contexto de salas de aula do EFI, muitas dicas e orientações de especialistas poderão iluminar as práticas docentes de todos os educadores.

- Textos na internet que promovem uma rápida consulta e checagem de regras sobre a grafia correta das palavras: os documentos elaborados pelos autores Carlos Alberto Faraco (clique aqui) ou Douglas Tufano (clique aqui).

 

Obrigada pelo envio das perguntas!

Sucesso, um abraço e até já,

Olímpia


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