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Leitura: conquista da participação e fluência dos alunos

Leitura: conquista da participação e fluência dos alunos

Boa noite Sra. Olímpia, me chamo Alice Pires, moro em Vargem Grande Ma, sou Professora de Língua Portuguesa e leciono nas turmas de 7º a 9º ano na Escola Pe. Carvalho. Bom, agora que me apresentei, passarei a o ponto que interessa: preciso urgente de ajuda, pois não sei como despertar o interesse dos meus alunos para a leitura e escrita embora já tenha feito inúmeras atividades, como incentivá-los a irem à biblioteca e a tecer comentários acerca do que leram, construir portfólios com resumos, resenhas e reescrita dos livros lidos. Mas, mesmo assim, ainda os vejo como distantes da leitura, parece que sempre vão forçados, por imposição da Professora e da Escola. Então, diante disso, clamo por idéias que me ajudem e ajudem meus alunos a perceberem o mundo mágico da leitura.

Desde já agradeço.

 

Sou Elisangela Ribeiro e gostaria de perguntar: de que forma podemos mediar a leitura do aluno quanto ao desempenho da fluência?

Meu nome é Juraci e sou professor da rede pública do Estado do Ceará, leciono Língua Portuguesa na cidade de Tururu para alunos do ensino médio na Escola Luíza Bezerra de Farias. Trabalho o projeto de leitura (roda de leitura) em que os alunos levam o livro para ler em casa com uma semana e depois eles ficam em círculo para apresentação dos trabalhos. Poucos apresentam e versão deles é: Não tive tempo, esqueci, não quero apresentar e alguns ficam tímidos e não fazem nada mesmo.

Pergunto o que devo fazer para mudar essa situação, pois é um projeto muito proveitoso que a gente implantou há cinco anos. Nele, trabalhamos leitura, escrita e oralidade, só que os alunos são resistentes quanto à participação.

 

 

Caros professores Alice, Elisangela e Juraci,

 

A leitura das perguntas de vocês prontamente despertou em mim a vontade de falar sobre a participação e o envolvimento dos alunos em propostas de leitura, já buscando a aproximação com alguns efeitos, entre eles, a conquista da fluência ao ler.

Como bem sabemos, o vínculo dos alunos com a leitura, com esse mundo mágico como salientou Alice, é fruto de um investimento, de um longo processo de construção de saberes e sentidos, envolvendo múltiplas possibilidades de ”voar pelas palavras”.

Pelos textos de vocês, constatei que os alunos, em diferentes níveis de escolaridade, apresentam dificuldades em estabelecer a relação entre a leitura e a condição de ampliar o repertório de conhecimentos sobre o mundo, de forma a utilizar de todas as palavras alheias, dos livros e demais materiais escritos, para enriquecer o olhar sobre as coisas, as pessoas e tudo que os rodeia.

Como ressaltou e bem exemplificou Juraci, temos projetos interessantes e amplos, mas que não cativam nossos alunos e acabam alimentando a resistência ou mesmo a idéia de imposição, como lembrou Alice.

Penso que ao lado de tudo isso, algumas questões se colocam: Se a leitura é um permanente processo de construção de sentidos e olhares sobre o mundo, e os alunos ainda não perceberam isso, o que fazer?Qual a relação entre a qualidade dessa participação e a fluência ao ler?

Para responder à primeira questão, precisamos retomar um aspecto já tratado por mim em textos do ano passado, a saber, as capacidades de leitura (ver os textos dessa seção:Ler por prazer e Leitura e interpretação). Entendo que o não envolvimento dos alunos seja também fruto do modo pouco efetivo com o qual leem e conseguem apreciar o texto. Isso significa que propostas de leitura como as destacadas aqui ganharão maior ênfase e participação por parte dos alunos se eles puderem, efetivamente, ver/ler o texto com olhares interpretativos, curiosos e colocando em jogo tudo que já sabem. Para tanto, nós professores precisamos, ao longo do ensino fundamental e mesmo no ensino médio, ajudá-los na tarefa de apropriação/ampliação de capacidades de leitura, fazendo uso de conversas para troca de hipóteses, relações entre textos, leitura pelo professor (mesmo que de um trecho inicial para provocar uma questão), entre outros caminhos. Segue um texto bastante interessante, da autora Kátia Lomba Bräkling, que poderá contribuir com dicas preciosas para a formação de leitores:

http://www.dejau.com.br/admin/arquivo/downs/040720121E-_Leitura__Formacao_de_Leitores.pdf

Agora, vamos à segunda questão, que envolve a fluência na leitura. Aqui, vale ressaltar a íntima relação entre fluência e modos como se lêe se entende um texto. Afinal, a fluência é fruto do repertório de conhecimento do leitor, do exercício constante da leitura e da forma como ele se coloca diante do texto e do conteúdo. Como bem sabemos, o mero treinamento para a fluência, como a repetição e leitura de parágrafos em voz alta de forma descontextualizada, até pode gerar uma leitura mais fluente, mas tende a pouco contribuir para a formação efetiva de leitores reflexivos e críticos.

Em poucas palavras: modos qualitativos de participação e a fluência na leitura são fruto de um trabalho processual que vise à constituição do sujeito com o leitor.

Assim, colegas professores, em qualquer tempo, temos de investir em atividades diárias que auxiliem nossos alunos a compor essa relação prazerosa e fluente que tanto desejamos. Nesse sentido, nosso papel como leitor para e com os alunos, em atividades de leitura em voz alta, pode fazer toda a diferença!

Para terminar, mais uma dica: um vídeo sobre os desafios da leitura em voz alta, com Edi Fonseca, do blog leitura em rede: http://leituraemrede.com.br/blog/leitura-em-voz-alta-que-bicho-e-esse/

 

Obrigada pelo envio das perguntas, sucesso, um abraço e até já,

Olímpia


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