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Alunos do 7º ano que “não sabem ler e escrever”: o que fazer?

Alunos do 7º ano que “não sabem ler e escrever”: o que fazer?

 

Olá, Olímpia!

Sou Fátima Pereira, de Porto Calvo (AL). Estou participando do Curso de Formação dos Professores Multiplicadores da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, em Maceió. Atualmente, não estou em sala de aula, mas trabalho dando formação continuada aos professores do município. E tenho uma grande preocupação enquanto professora de Língua Portuguesa: chego em uma sala de 7º ano, por exemplo, e encontro aluno que não sabe ler nem escrever.

Como posso ajudar esse aluno a chegar ao nível que deveria estar? Pois essa é umas das queixas de alguns professores, que não sabem o que fazer quando encontram alunos nesta situação.

Estou precisando urgentemente de uma luz. Você pode me ajudar?

Obrigada!

  

 

Cara profa. formadora Fátima,

Bom demais receber perguntas de formadoras de professores de língua portuguesa, pois percebo o quanto nosso “fôlego reflexivo” está voltado a questões comuns, demandas constantes, ainda que em lugares tão distantes, como Alagoas e São Paulo!

Sem dúvida, olhar para o “não saber ler e escrever” no EFII requer uma atenção especial e bastante investigativa, já que estamos diante de um desafio que, via de regra, deveria ter sido vencido no EFI, se vinculado ao domínio do sistema de escrita alfabético. Bem, mas se há alunos que precisam desse trabalho nos anos finais, vamos pensar juntas em como auxiliar os professores a trilhar esse caminho, ao lado da turma, certo?

Para tanto, entendo que a primeira medida importante é analisarmos cada situação, ou seja, conversarmos com os docentes sobre a necessidade de investigação da queixa atrelada ao não saber ler e escrever, já que ela pode abrigar desde dificuldades voltadas às relações entre sons e letras, passando por relações com o sistema ortográfico, até dificuldades próprias da leitura, interpretação e produção de gêneros discursivos, entre outras tantas possibilidades e combinações... Aqui, vale a pena pensar, com cada grupo, em estratégias variadas, que contemplem propostas de leitura e produção tanto de palavras (em listas utilizadas na sala de aula, por exemplo) quanto de textos mais complexos (selecionados entre os que estão previstos para o ensino no ano). Ainda, vale investir na discussão sobre a eleição de atividades que possam revelar o que cada aluno sabe sozinho e o que consegue fazer na parceria com colegas mais experientes (pensando nos níveis de desenvolvimento real e potencial, como descritos por Vygotsky, com vistas ao trabalho na Zona de Desenvolvimento Proximal).

Reveladas, de forma precisa, as demandas e necessidades de cada aluno em relação à leitura e escrita, seguiremos o caminho, agora com a segunda medida, qual seja, o planejamento de situações de aprendizagem que mobilizem os alunos a apreender os conteúdos ainda não internalizados. Para isso, indiquei abaixo, vários materiais (de natureza teórico-prática) que certamente auxiliarão tanto no seu planejamento dos encontros com esses professores, quanto no trabalho direto do docente com os alunos. Entendo que a questão central aqui seja a aposta na “homologia de processos” ou, em termos simples, na ideia de “viver para poder fazer”. Entende-se que o professor deva vivenciar, de forma reflexiva e não meramente transmissiva, as situações de aprendizagem que utilizará com os alunos, podendo refletir sobre os conhecimentos que estão em jogo, as formas de resolução da proposta e os recursos e estratégias que poderão ser utilizados, visando à efetiva aprendizagem do estudante. Isso significa que o planejamento dos encontros formativos deverá estabelecer claras relações com o planejamento de atividades a serem desenvolvidas pelo professor, em sala de aula.

Todo esse trabalho precisará, como bem sabemos, partir dos “saberes docentes” e de discussões sobre as dúvidas e inquietações de cada grupo de formação, pois, afinal, esses momentos só têm sentido se intimamente vinculados à realidade de cada professor, “falando bem de pertinho” com cada turma.

Assim, chegamos à terceira e última medida, o acompanhamento, o qual deve envolver tanto a ação do formador em relação aos professores quanto dos professores em relação aos alunos que apresentam tais dificuldades. Isso porque entendo que o processo de formação, para ser efetivo, não pode parar no encontro com os docentes, mas, na medida do possível, assegurar a continuidade do diálogo, a fim de podermos pensar, no grupo, quais os efeitos do planejamento e a necessidade de replanejamento, pensando nas singularidades do processo de aprendizagem.

 

Bem, agora, vamos aos convites à reflexão:

 

1. Plataforma do Letramento:

- Projeto Aceleração da Aprendizagem;

- Entrevista com Magda Soares, “Como mediar o processo de aprendizagem da língua escrita”;

- Entrevista com Roxane Rojo, “Alfabetização e os multiletramentos”;

- Estudo sobre o INAF e a evolução do alfabetismo.

 

2. Secretaria Municipal de Educação de São Paulo:

- Estudos de Recuperação – cadernos do professor e do aluno, com diversas orientações didáticas e atividades, voltadas a alunos do EFII.

 

3. Revista Nova Escola:

- Alfabetização de alunos no 6o e 7o anos do EFII.

 

4. Universidade Federal de Pernambuco:

- Jogos de Alfabetização;

- Alfabetização: apropriação do sistema de escrita alfabética;

- Leitura e Produção de Textos na Alfabetização.

 

5. Ação Educativa

Livro: Letramentos em espaços educativos não escolares: os jovens, a leitura e a escrita.

 

Obrigada pelo envio de sua pergunta e muito sucesso na formação de professores! Sempre que quiser, passe por aqui, para relatar achados, ler novos escritos e fazer mais perguntas, combinado?

 

Um abraço e até já,

Olímpia


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