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Um olhar para a ortografia no EFI

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Assunto: Correção
Autor(a): Pergunte à Olímpia
24 Setembro 2015

 

Professora Olímpia,

Tenho dúvidas em relação à correção dos textos dos meus alunos. Faço produção textual três vezes por semana com eles, procuro primeiro circular os erros ortográficos e pedir para que eles reflitam como escreveram e que eles procurem a maneira correta. A correção sempre é feita em duplas, um ajudando o outro. Depois, escolho uma produção e coloco na lousa como o aluno escreveu e fazemos a correção coletivamente. Gostaria de saber se está correta a maneira que faço as correções, ou se devo adotar outro critério. Leciono para 4o ano do Ensino Fundamental I.

Abraço,

Márcia Lessa

 

Cara professora Márcia,

Quero começar nossa conversa agradecendo pelo envio de sua pergunta, especialmente pelo fato de que, a partir dela, poderei falar com você e os demais leitores sobre a produção de textos e o trabalho de correção, considerando as necessidades de alunos no EFI.

Além disso, entendo ser importante iluminar o constante investimento que você faz no trabalho com os escritos de seus alunos, pensando que eles são convidados a refletir sobre os textos, em diferentes momentos da semana, na tentativa de aliar os conhecimentos que já apresentam aos que vão sendo construídos, por meio das relações entre alunos, nos momentos de correção. 

Em muitos textos dessa seção, já enfatizei a importância de tomarmos os escritos dos alunos para um trabalho de análise sobre os saberes e não saberes, com vistas a planejar nossas ênfases no planejamento de propostas que encontrem, de forma consistente, as principais necessidades de aprendizagem de cada turma. Assim, tomando como base a ideia de que seu trabalho de correção ortográfica esteja vinculado a esse levantamento prévio, penso ser importante considerarmos duas questões. Vamos pensar juntas?

A primeira questão diz respeito ao próprio trabalho de correção dos textos, do ponto de vista do fazer do professor. Explico melhor: especialmente no EFI, nossos alunos estão bastante “colados” à ideia de que escrever bem é sinônimo de produzir textos sem erros, tomando o termo “erro” na dimensão do sistema de escrita, quer em sua natureza alfabética, quer ortográfica.

Como bem sabemos, as questões que cercam o aprendizado da ortografia estão muito além dos limites dos anos iniciais do EF, já que envolvem um fazer ainda bastante sistemático do professor, também nos anos finais, em termos de diversos “investimentos reflexivos” na apresentação e revisão de regularidades, assim como na ampliação de irregularidades, próprias de nosso complexo sistema ortográfico.

Desse modo, entendo que a prática do professor deva ser desenvolvida no sentido de sempre atrelar o ensino da ortografia, pensado como um recurso estilístico do gênero, em sua natureza linguística, às demais dimensões, discursiva e textual, que devem inaugurar as práticas de leitura e produção escrita e que são, de fato, amplamente responsáveis pela qualidade textual, já que respondem por aspectos abrangentes do gênero.

Em outras palavras, precisamos fazer nossos alunos entenderem que o modo de escrever, por exemplo, “felizes”, em “viveram felizes para sempre”, deverá ser enfatizado somente quando eles tiverem condições de compreender os usos e sentidos do termo no gênero conto de fadas. Isso significa que a ortografia está à serviço desse gênero, que deve ser estudado como tal, considerando desde a situação de produção, passando pelo plano global do texto, até, finalmente, chegar às convenções da escrita, próprias desse “modo do dizer”.

Agora, a segunda questão, necessariamente contemplada a partir da primeira: precisamos pensar na correção, do ponto de vista das práticas em sala de aula. Para tanto, vamos retomar o caminho percorrido por você e seus alunos, que parte da produção textual, passa pelo movimento de marcação pelo professor, por círculos, dos erros ortográficos, seguido pelo pedido para reflexão e correção em duplas, até chegar à eleição de um texto para correção ortográfica de forma coletiva.

Bem, entendo como acertada a sua estratégia de sinalizar as palavras que demandam uma análise mais cuidadosa dos alunos, assim como a aposta no trabalho em duplas e coletivo. Sugiro que você tente alternar esse momento de marcar as palavras com perguntas e pistas instigantes que favoreçam o trabalho investigativo da turma, de forma que possam tentar descobrir o que precisa ser corrigido, em um determinado trecho ou parágrafo do texto. Ainda nessa direção, penso ser igualmente interessante sempre analisar previamente os escritos dos alunos, a fim de favorecer a ação das duplas.

Um exemplo para esclarecer essa questão: se você constatar que as dificuldades ortográficas presentes nos textos representam regularidades do sistema, vale solicitar que os alunos possam consultar anotações no caderno, exercícios ou mesmo quadros de sistematização de conhecimentos, nos quais a regra esteja apresentada, a fim de que retornem aos dois textos e analisem, com critérios claros, as palavras que precisam de correção, sabendo como fazê-la. Já quando o termo representar o volumoso conjunto de irregularidades ortográficas, a dupla precisará recorrer à memorização ou, ainda, se houver dificuldade, talvez contar com a ajuda de um banco de palavras ou mesmo a leitura para localização do termo, utilizado em textos já lidos e escritos.

Em suma: a correção deve ser tomada como um dos focos do processo de reescrita, como um momento de aprendizado, de atualização de informações e ampliação do repertório de conhecimento dos alunos. Afinal, refletir sobre a natureza ortográfica de nosso sistema de escrita será uma constante na vida de quem lê e produz textos, dentro e fora da escola, não é mesmo? Assim, quanto maiores as oportunidades de investir em recursos que poderão ser utilizados para “saber como escrever tal palavra”, maiores serão as chances de os alunos escreverem corretamente.

Por fim, seguem dicas que darão continuidade a nossa prosa (vale lembrar que algumas já foram apresentadas em outros textos da seção e estão aqui novamente, como forma de realçar a necessidade de apreciação):

 

1. Textos da seção “Pergunte à Olímpia”

- Uma proposta para o trabalho com ortografia

- “Tristeza ou tristeza”: em foco, a ortografia

- Hora de corrigir o texto; e agora?

 

2. Outros textos e materiais do Portal Escrevendo o Futuro

- Percurso Formativo sobre Aprimoramento de textos

- “Ortografia e Ensino”, de Carlos Alberto Faraco (Na Ponta do Lápis, nº 25)

- “O significado da reescrita de textos na escola: a (re) construção do sujeito-autor”, de Elizabeth Dias da Costa Wallace Menegolo e Leandro Wallace

- “A língua é viva”, de Heloísa Amaral

 

3. Vídeos e outros textos sobre o ensino da ortografia

- “Letra e Vida”, com Artur Gomes de Morais

- Ortografia na sala de aula, CEEP-UFPE (parte 1) / (parte 2)

- Textos da Revista Nova Escola sobre ortografia

 

4. Plataforma do Letramento

- Ortografia reflexiva: caminho entre letras e sons

- Bate-papo com Maria José Nóbrega

 

Obrigada, mais uma vez, pelo envio de sua pergunta.

Um abraço e até já,
Olímpia


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