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Prezada Olímpia,

Sou Ediane Alexandre, leciono português em uma escola da zona rural, no município de Apiacá (ES), nas turmas do 6º ao 9º ano. Diagnostiquei dois alunos no 6º ano com dificuldades na escrita e na leitura. Tenho procurado investir em leitura de textos curtos, enviados como tarefa de casa, duas vezes por semana, inclusive para o restante da turma como um estímulo maior, já que a escola não dispõe de internet. Será que estou no caminho certo?

Ediane Alexandre - Apiacá, ES

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Cara Olímpia,

Ensino língua portuguesa nos 6º anos e temos alunos que ainda não conseguem ler e nem interpretar pequenos textos. De seis turmas que leciono, tenho 20 alunos que apresentam essas dificuldades (leitura e interpretação de diferentes gêneros textuais). A pergunta é: o que é preciso fazer como professora para que esses 20 alunos não fiquem prejudicados com relação aos demais?

Obrigada,
Eliane Souza de Freitas - São José da Laje, AL

 

Caras professoras Ediane e Eliane,

Ao ler as perguntas de vocês, logo me ocorreu a possibilidade de uni-las, considerando não apenas a preocupação comum, atrelada às demandas de trabalho com leitura e escrita no 6o ano, mas especialmente por entender que um diálogo com e entre vocês poderia ser bastante significativo!

Bem, se olharmos de perto para as duas realidades, constataremos que vocês precisam lidar com alunos que, embora alfabetizados, permanecem às voltas com a leitura que ultrapassa o limite da decodificação e, portanto, convoca um trabalho com as capacidades de compreensão e apreciação de textos, com vistas à produção escrita.

Para tornar nossa prosa “mais letrada”, trago a voz de Joaquim Dolz que, recentemente, esteve em São Paulo, participando do Seminário Internacional Escrevendo o Futuro “Práticas de escrita: da cultura local à sala de aula”. Entre outros consistentes e competentes dizeres, o professor mencionou a necessidade de sempre articularmos escrita e leitura, escrita e oralidade, na tentativa de contemplarmos o ensino de gêneros, sem o isolamento de habilidades. Além disso, merece destaque aqui a proposta de se tratar o gênero discursivo como uma ferramenta semiótica que transforma o pensamento, que favorece o exercício de, no ato da leitura, por exemplo, pensar e entrar no pensamento do autor.  

Entendo que tais afirmações devem provocar a reflexão do professor em variadas direções, incluindo uma tomada de posição que favoreça um amplo e diversificado “passeio” por gêneros, já que não há escrita sem leitura. Quero com isso enfatizar que nosso trabalho em sala de aula precisa estar intimamente vinculado à apresentação de gêneros, lidos pelo professor ou por colegas da turma, a fim de favorecer o encontro mais efetivo do sujeito com o texto, acompanhado por uma discussão coletiva sobre os efeitos provocados pelo autor, texto e leitor.

A prática cotidiana da leitura e o diálogo que professor e alunos têm sobre o texto favorecem a aprendizagem, a escuta cada vez mais atenta e a compreensão cada vez mais efetiva.

Então, professora Ediane, continue apostando na leitura de textos (curtos, médios e longos, dentro e fora da escola) como uma oportunidade de fazer circular mais e mais informações, procurando reservar momentos de reflexão, discussão e socialização de impressões, inquietações e descobertas próprias da relação entre textos e leitores!

Assim, professora Eliane, seus 20 alunos não “serão prejudicados em relação aos demais”, pois encontrarão, na leitura, maneiras de entender, modos de olhar e representar o mundo; as pessoas, os lugares, os acontecimentos...

Agora, uma dica para essa dupla (de nomes quase idênticos): procurem realizar a leitura previamente, ou seja, antes dos alunos, a fim de alcançarem, pelo menos, dois objetivos: conseguir provocar o interesse da turma pela leitura do texto e tentar antecipar possíveis obstáculos para a aprendizagem. Esse “duplo movimento” favorecerá o planejamento de propostas mais aderentes às necessidades da classe, com possibilidades reais de reflexão e apropriação do conhecimento.

 

Por fim, sugestões para ampliar nossa conversa:

-       Curso virtual “Leitura vai, escrita vem: práticas em sala de aula” (com turmas abertas ao longo de todo o ano; fiquem atentos ao Portal);

-       Texto “Algumas reflexões sobre formação de leitores”, de Maria Zélia Versiani Machado, publicado na revista Na Ponta do Lápis, nº 22;

-       Texto da seção De olho na prática, intitulado “Ensinar leitura lendo”, também publicado na revista Na Ponta do Lápis, nº 22.

 

Desejo muito sucesso e agradeço pelo envio das perguntas.

Um “duplo abraço” e até já,
Olímpia


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