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Os caminhos da escrita nos levam à alegria da conquista

Os caminhos da escrita nos levam à alegria da conquista

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Autor: Vânia Rodrigues Ribeiro
10 Maio 2017

Escola Municipal Nilda Margon

Catalão/GO

 

Lembro-me das minhas primeiras experiências com o Prêmio Escrevendo o Futuro*, no ano de 2004, em uma escola na zona rural onde trabalhava: a dificuldade em traçar estratégias nas oficinas devido à falta de experiência, mas uma vontade já gritante de ajudar os alunos a sentir o gosto pela produção e pela leitura de textos. O tempo foi passando e, trabalhando com muito planejamento e dedicação, adquirimos mais prática e tivemos êxito sendo semifinalistas em 2010 e 2012, e vencedores em 2014.

O tema "O lugar onde vivo" pode ser o mesmo, mas cada edição da Olimpíada traz uma realidade diferente. São novas turmas, novos olhares sobre o lugar, novas formas de dizer a vivência, novas vozes com suas urgências e sentimentos pessoais. Cabe a nós, professores, saber dar o direcionamento, mostrar o caminho que faz esse turbilhão de novidades vir à tona. E, para isso, é muito importante contar com um apoio sólido. Eu sempre encontrei esse apoio na Coleção da Olimpíada que me auxiliou a trabalhar e valorizar as sequências didáticas. Pude também usar esse saber em outros projetos que desenvolvi na escola, tendo a felicidade de ganhar o Prêmio Professores do Brasil 2011, com o projeto "Coletar e reciclar... é só começar!".

Assim, observo que todas as experiências que tive com esses anos todos de Olimpíada transformaram a minha prática enquanto educadora, fizeram com que me tornasse mais sensível, mais interessada e com vontade de aprender e de fazer brotar essas sensações também nos alunos. Fizeram também com que me despisse da timidez e tivesse a oportunidade de alçar voos ambiciosos de escritora: publiquei dois contos em livros promovidos por concursos na minha cidade nos dois últimos anos. Devo essa coragem e incentivo à participação na Olimpíada. Aprendi muito, cresci, tenho evoluído constantemente e espero continuar nesse caminho. E como despertar tantas sensações nos alunos?

Até alguns anos atrás, eu estava em uma certa zona de conforto, trabalhando língua portuguesa com turmas de 6º ao 9º ano e, de repente, tudo mudou com o desafio de ser professora de uma turma de 5º ano. Ministrar todas as disciplinas, lidar com alunos mais novos; tantos desafios e tantos medos. Era uma responsabilidade imensa em minhas mãos: despertar a poesia na minha sala de aula, fazer com que aquelas crianças tão novinhas se interessassem e quisessem mergulhar nesse gênero.

Era uma responsabilidade imensa em minhas mãos: despertar a poesia na minha sala de aula, fazer com que aquelas crianças tão novinhas se interessassem e quisessem mergulhar nesse gênero.

Antes de iniciar as oficinas sugeridas, revisitamos Cora Coralina e entre declamações, teatro e leituras, aprendemos com ela que "Poeta não é só somente o que escreve. É aquele que sente a poesia". Não foi fácil fazer com que alguns desistissem da ideia de que "poema é coisa de menina", "poema é coisa de amor" e passassem a sentir a poesia. Montamos o mural dos poemas catados, envolvendo pai, mãe, vizinho e colegas. Eram trechos de músicas, "versinhos" de capa de caderno, poemas da internet - tinha de tudo! E a poesia estava lá, atiçando, esquentando, causando burburinho e interesse: “Professora, deixa eu ler o da minha mãe?". Isso casou perfeitamente com o poema "Tem tudo a ver", onde verificamos que a poesia está em todas as coisas. As primeiras produções foram livres, para falar de tudo. E teve poema sobre as primas brigadas, sobre a bronca do pai, sobre o colega da sala ao lado que morreu afogado na época... Poesia também pode ter tristeza!

E teve poema sobre as primas brigadas, sobre a bronca do pai, sobre o colega da sala ao lado que morreu afogado na época... Poesia também pode ter tristeza!

E então, aos poucos, entre leituras, escritas e reescritas, a poesia foi tomando conta da sala de aula! E vieram as rimas e suas dificuldades, sanadas, muitas vezes, pelo trabalho em grupo. Ao trabalhar a linguagem figurada, deparei-me com o desafio de se trabalhar com as metáforas. Nem todos conseguiram compreendê-las, mas me enchia de orgulho quando um ou outro chegava de casa contando ter identificado uma metáfora em determinada propaganda na TV ou mesmo numa conversa com o pai ou a mãe.

Também fizemos um passeio pela nossa cidade e, para alguns, era a primeira vez que conheciam a igrejinha do Morrinho de São João, a capelinha do Antero e tantos outros lugares. Para cada lugar, eu contava uma lenda e via em seus olhinhos curiosos o encantamento de ver a cidade de outra maneira, com olhar cheio de histórias e de fantasia. De volta à sala, era o momento de transformar a experiência em poesia e tivemos textos contando a cidade antiga, a cidade moderna, as lendas, as transformações da natureza - poemas lindos de quem aprendeu com o que viu e ouviu.

De volta à sala, era o momento de transformar a experiência em poesia e tivemos textos contando a cidade antiga, a cidade moderna, as lendas, as transformações da natureza - poemas lindos de quem aprendeu com o que viu e ouviu.

E a mudança ia acontecendo à medida que prosseguíamos com as oficinas: trava-línguas, quadrinhas, sonoridade das palavras, poemas em grupo - foram tantas experiências durante o primeiro semestre! E tais experiências eram sempre compartilhadas e discutidas com os colegas no Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo, que, de 15 em 15 dias, reunia professores de séries em comum para fazer nossos planejamentos. Aprendemos muito uns com os outros!

Comemoramos muito quando o poema da Gabrielly venceu a Etapa Escolar. Todos os colegas da sala ficaram muito felizes, sabiam que o texto dela era merecedor, pois mesmo com uma linguagem infantil, ela soube mostrar a sua percepção sobre o seu lugar e as transformações que ela via acontecer. A notícia de que havíamos ganhado a Etapa Municipal foi uma alegria! Ofereceram um jantar e a família dela, muito emocionada, foi receber um certificado. Mas a alegria maior e sem igual aconteceu quando recebemos a notícia de que éramos semifinalistas. Tantas emoções para todos nós! A Gabrielly tão ansiosa com o evento, a primeira vez a viajar de avião, a primeira vez que verá o mar, a possibilidade de fazer tantas amizades e conhecer gente do Brasil inteiro! A família tão orgulhosa da filha, contando a novidade para todos! Essa emoção eu também sinto, sabendo que faço parte dessa história! E assim, encerro com as palavras de Cora Coralina quando ela diz que "Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade." Essa história eu quero seguir contando!

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* Criado em 2002, o Prêmio Escrevendo o Futuro transforma-se em política pública em 2008, por meio da parceria com o Ministério da Educação, e passa a se chamar Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro.

 


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