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Cantos distantes

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Lente de aumento na escrita

Cantos distantes

Autora do estudo: Maria Cristina Zelmanovits

O projeto

O projeto

Em tempos de internet, há espaço para a escrita e o envio de cartas na forma tradicional? Uma turma de Brasília demonstrou que é possível dar novo sentido à troca de cartas como meio de compartilhar diferentes culturas. Viajando para "cantos distantes", sem se deslocarem fisicamente, crianças de diferentes continentes puderam se encontrar.

Ficha técnica
Instituição de ensino Escola Classe 308 Sul
Localidade Brasília, Distrito Federal
Classe 3º ano do Ensino Fundamental
Professora Maria Verúcia de Souza
Duração do projeto 1 bimestre
Produto final Troca de cartas com os alunos da Escola São Francisco, situada na Ilha de Santiago, Cabo Verde.

Etapas do projeto

  Etapa 1   Etapa 2   Etapa 3  
Compartilhando
o projeto com a turma
  Alimentação temática   O percurso da
produção de cartas

1. Compartilhando o projeto com a turma

Poder viajar sem sair do lugar é, em si, uma ideia bastante convidativa. Quando a essa possibilidade se soma a oportunidade de conversar com alguém da mesma idade, porém com identidade cultural diferente e, ao mesmo tempo, tão irmanada com a nossa, a viagem pode se tornar ainda mais interessante.

Quando os alunos de Brasília souberam que em um país chamado Cabo Verde havia uma sala de 3º ano com vontade de se corresponder com eles, o entusiasmo das crianças se manifestou por meio de indagações diversas:

– onde fica Cabo Verde?
– como é Cabo Verde?
– será que os alunos de lá entendem português?
– a conversa vai ser pela internet?

Enquanto algumas perguntas favoreceram o contato com informações iniciais sobre o país, a última permitiu o levantamento do conhecimento da turma a respeito das diferentes possibilidades utilizadas na comunicação a distância (telefone, skype, e-mail, torpedo, WhatsApp). Como autênticos nativos digitais, isto é, tendo nascido e crescido com as tecnologias que dispensam o uso de papel na comunicação, os alunos tiveram que pensar em como se fazia em tempos anteriores ao computador.

Apesar de antiga, a carta que segue pelos Correios ainda é atual e, por isso, pôde ser lembrada. Mas quais as vantagens de sua utilização? Será que temos a mesma sensação diante de um e-mail e de um envelope com selo?

Instigados a experimentar a emoção de enviar/receber cartas escritas em papel e de trocar informações com crianças de outro continente, os alunos aceitaram o convite, dando início à viagem.

 

2. Alimentação temática

Para ajudar os alunos a terem o que dizer em suas cartas, diferentes atividades de pesquisa foram realizadas:

Na situação de produção dos registros de estudo, os alunos escrevem para si mesmos com o objetivo de guardar as informações que lhes parecem mais importantes.

     Conhecendo um pouco de Cabo Verde

     Visita à Embaixada

     Hoje visitei a Embaixada de Cabo Verde em Brasília – DF.

     O diplomata estava ali, mas o embaixador não estava ali.

     O diplomata Luis Alegário Chancer primeiro perguntou a gente onde fica Cabo Verde aí o Yhoson falou pra mim que tinha levantar achei que tinha que levantar a mão quem levantou primeiro foi a Isabela aí ela apontou ao lado do Brasil só que ele disse que ela errou, o segundo foi o meu amigo Marco Antônio, ele apontou ao lado da África ele disse que o Marco acertou.

     Em seguida nós fizemos umas perguntas e depois ele nos mostrou as 10 ilhas Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Brava, Maio, Boavista, Sal, Fogo, Praia e ilha Santa Luzia. E ele falou que Praia é a capital de Cabo Verde; A ilha do Fogo tem um vulcão bem grande; a ilha Brava tem um mar muito forte, a ilha do Sal é a ilha que fabrica mais sal, também que Cabo Verde é um conjunto de ilhas. etc.

     Os idiomas de línguas são: Português de Portugal e Criolo.

     A moeda de Cabo Verde é escudo cabo-verdiano e a do Brasil é real.

     Bom, na minha opinião foi interessante ir a Embaixada de Cabo Verde.

     André Luiz

Data: 22/05/15

     Conhecendo um pouco de Cabo Verde

     Visita à Embaixada

     Hoje visitei a Embaixada de Cabo Verde, em Brasília – DF.

     A pessoa que conversou com a gente foi o diplomata Luiz Olegário Sanches.

     Primeiro falamos sobre as 10 ilhas: Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Santiago, Fogo, Maio, Brava, Sal, Boavista e Praia.

     A ilha do Fogo possui um vulcão ativo que chama-se Pico do fogo, a ultima vez que entrou em erupção foi em 13/11/2014.

     Em Cabo Verde as casas são feitas de blocos de concreto por que em Cabo Verde chove muito.

     Ele também falou que antigamente, quando os barcos eram movidos a vapor, quando um navio Brasileiro ia até a Europa eles paravam em Cabo Verde para abastecer de carvão, água e alimentos como alface, tomate, maçã etc.

     E o presidente atual de Cabo Verde é o Jorge Carlos Fonseca.

     A eleição de Cabo Verde acontece de cinco em cinco anos, diferente da eleição do Brasil que acontece de quatro em quatro. A moeda de Cabo Verde se chama escudo cabo-verdiano e a do Brasil chama-se real. R$ 1,00 em Cabo Verde vale 10 escudos.

     Cabo Verde e Brasil são países muito amigos.

     Existem mais caboverdianos fora de Cabo Verde do que no próprio país, porque a maioria dos alimentos de Cabo Verde são importados e devido ao preço da importação eles saem do país em busca de melhores condições de vida.

     A ilha de Santo Antão é muito bonita devido a sua paisagem montanhosa muito bela.

     A população de Cabo Verde é formada por europeus devido o domínio de Portugal, e africanos. Com isto, a língua oficial de Cabo Verde tornou-se o português que usam em reuniões oficiais, e o crioulo é usado no dia a dia.

     A capital de Cabo Verde é Praia, apesar de ser capital ela conta como ilha.

     A visita à embaixada de Cabo Verde foi muito produtiva, aprendemos muito sobre Cabo Verde.

     Roberto Nonato 3º ano A.

 

Sobre os registros de estudo

Em ambos os exemplos chama a atenção a extensão dos textos em uma sala de alunos de 8 anos. Cabe ressaltar que se trata de uma escola que investe fortemente na alfabetização inicial. As crianças chegam ao 3º ano, portanto, com o sistema alfabético conquistado.

Ensinar as turmas a organizarem seus cadernos é outro forte investimento da instituição: os rascunhos produzidos em folhas soltas são analisados pela professora, que sugere algumas revisões, e, no momento de passarem a limpo, os alunos fazem as alterações necessárias. É interessante notar que as intervenções respeitam as formas próprias de dizer dos alunos: no primeiro exemplo isso fica bastante evidente no segundo e no terceiro parágrafos.

Outro ponto de destaque refere-se à qualidade dos textos: mesmo observando que o segundo apresenta mais informações que o primeiro, os dois alunos se empenharam bastante para recuperar o que lhes foi mais significativo de tudo o que escutaram e viram na visita à Embaixada.

3. O percurso da produção de cartas

Com o objetivo de mapear os conhecimentos prévios da turma a respeito do gênero Carta, os alunos foram convidados, primeiramente, a escrever para um colega da sala. Essa situação, mesmo que didatizada em função de destinatários e remetentes estarem juntos todos os dias e poderem, portanto, conversar pessoalmente (ao invés de escrever), permitiu que a professora identificasse os diferentes níveis de familiaridade dos alunos com as principais características de uma carta pessoal.

Diante da heterogeneidade presente na turma – nem todos iniciaram indicando local e data, nem todos assinaram, por exemplo –, a professora propôs uma nova situação comunicativa: “Que tal escrever uma carta de agradecimento ao diplomata?”, visto que a classe havia gostado da visita à embaixada de Cabo Verde.

Animados com a ideia, os alunos assumiram o papel de ditar o texto e, a professora, o de escrevê-lo na lousa. Além da negociação sobre o conteúdo da carta (o que escrever), a situação permitiu o trabalho com a interlocução (diferenças entre a linguagem utilizada para escrever a um amigo e a um diplomata) e com as características mais regulares do gênero.

Mais preparados, os alunos puderam, finalmente, escrever para seus destinatários desconhecidos de Cabo Verde. As novas cartas pessoais e o preenchimento de seus envelopes deram início a uma comunicação que, ao longo do ano, foi sendo aprofundada em função do vaivém próprio das correspondências.

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Situação de produção

Situação de produção

Considerando a faixa etária dos alunos que realizaram o projeto, observamos o quanto a pertinente escolha do gênero funcionou como um objeto integrador das questões envolvidas na produção escrita (o que escrever, como, com que propósito e para quem?).

A troca de correspondência é uma situação em que a escrita convoca a leitura e vice-versa, o que muito contribui para que alunos, ainda em fase inicial do processo de letramento, já operem com o conceito (nada trivial) de dialogismo, uma vez que participam de um contexto de comunicabilidade em constante ação recíproca entre remetente e destinatário.

Apoiada em Bakhtin, essa ideia evidencia o processo de interação que ocorre na polifonia, ou seja, na relação entre discursos. Realizada a partir de uma enunciação constituída em um território comum entre os interlocutores, a linguagem é posta em movimento porque a produção de um se dá em função da produção do outro.

Na situação de produção de cartas pessoais, os alunos escrevem sobre si mesmos e podem fazer perguntas ao destinatário.

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Produção inicial e análise dos textos dos alunos

Produção inicial e análise dos textos dos alunos

Ao pedir que seus alunos escrevessem uma carta pessoal para um colega da sala, a professora pôde analisar os níveis de conhecimento a respeito do gênero, mas não só. Diante da heterogeneidade encontrada, primeiramente ela transformou sua análise em bilhetes orientadores individuais, com o objetivo de valorizar os aspectos positivos de cada texto e de indicar poucas questões que, em uma próxima produção, mereceriam mais atenção. Na sequência, estruturou um diagnóstico da turma para poder ajudar seus alunos a avançar.

Texto do Davi

2/6/15

     De Davi para João Pedro.

     João Pedro, você é meu melhor amigo e você é muito descolado e legal. Você é tão legal e adora jogar bola e eu sou seu amigo porque eu gosto do seu jeito um dia eu vou the convidar para vim na minha casa Nós vamos, andar de bicicleta, tomar banho de manguera, brinca com o bob e conhecer o Gabriel.

 

Análise dos textos e bilhetes orientadores

No texto de Davi, sabemos claramente quem é o autor, para quem a carta se dirige e em que data isso é feito. O conteúdo é uma declaração de amizade em que as qualidades do destinatário são ressaltadas. Além disso, o remetente aproveita para fazer um convite, fato que deixa as portas abertas para uma resposta. Na despedida, utiliza uma imagem que simboliza expressões não convencionais próprias da adolescência brasileira atual – “é nóis” e/ou “tamo junto”.

Ao lado de tantos aspectos positivos também há os que precisam de ajustes: ao preencher o espaço da folha de caderno escolar destinado à colocação da data, o autor demonstra desconhecer a forma própria de fazer isso nas cartas, contexto em que essa informação é colocada por extenso, após a indicação do local de onde se escreve. Ao se basear no modelo das mensagens digitais (De:.../Para:...), o autor demonstra outros desconhecimentos: o de que uma carta deve iniciar com uma saudação ao destinatário e finalizar com a assinatura do remetente. Sobre o conteúdo, é preciso explicitar que o excessivo uso de gírias (“legal”, “descolado” e as simbolizadas no desenho final) cabe apenas em situações bastante específicas, ou seja, as informais e nas quais se tem os mesmos códigos de linguagem. O grau de intimidade entre os interlocutores também deve balizar a necessidade (ou não) de certas explicações – será que o destinatário sabe quem são “Bob” e “Gabriel”? Quanto à ortografia, os poucos problemas encontrados no texto não chegam a dificultar a compreensão do leitor.

Diante desta análise, a professora escreveu o seguinte bilhete para o aluno:

Querido,

Penso que João Pedro gostou muito da sua carta e que ficará contente em aceitar seu convite. Você conseguiu mostrar o quanto ele é especial para você, escrevendo de um modo muito carinhoso. Agora que vamos aprender mais sobre as cartas, peço que fique atento a duas questões:

1. Será que seu amigo de Cabo Verde conseguiria entender palavras como “descolado” e “legal” ?

2. Colocar um desenho para se despedir foi uma ideia muito boa, mas nem sempre será possível utilizá-la. Que tal descobrir como seus colegas finalizaram seus textos para colecionar outras ideias?

Com carinho,

Sua professora

Texto da Maria Eduarda

Brasília, 29 de maio de 2015.

     Carta pessoal

     Olá Laura,

     Eu sei que focê me cha meia chata mais eu gosto da você como amiga.

     Eu gosto de brincar com você.

     Você é muito especial pramim.

     Gosto muito de estarcom você, minha amiga.

     Beijos te amo.

 

Análise dos textos e bilhetes orientadores

No texto de Maria Eduarda, observamos respeito às características do gênero na indicação, logo no início, de onde/quando se escreve e na apresentação de uma saudação inicial. O conteúdo objetiva a busca de proximidade com a destinatária a quem a remetente admira, mas por quem não se sente admirada.

Ao lado de muitos aspectos positivos também aparecem questões que pedem atenção: a troca de F por V em “focê” e a ausência do primeiro A em “acha” podem dificultar a compreensão do destinatário. Além disso, a segmentação entre palavras precisa ser revista (“pramim” e “estarcom”). Finalmente, a autora termina sem assinar a carta.

Diante desta análise, a professora escreveu o seguinte bilhete para a aluna:

Querida,

Começo desejando que sua carta ajude você e Laura a se aproximarem.

Percebi que você já sabe muitas coisas sobre as cartas, início com local e data e, logo depois, saudação para o destinatário. Com estes conhecimentos você poderá ajudar alguns de seus colegas.

Faltou apenas você assinar para que Laura possa saber quem escreveu. Sugiro ainda que releia todos os “você” do texto porque um deles precisa ser corrigido.

Com carinho,

Sua professora

Diagnóstico da turma

O mapeamento da situação da classe implica construção de tabelas com critérios de avaliação e preenchimento com base em duas camadas de observação: na primeira, são feitas anotações sobre cada um dos alunos; na segunda, buscam-se generalizações.

O diagnóstico exige exercícios de síntese. Nesse momento veremos como as análises mais alongadas das primeiras cartas pessoais se transformam em aspectos observáveis mais enxutos (ver alunos 1 e 2 na Primeira tabela) e passíveis de generalização (Segunda tabela).

As anotações da Primeira tabela permitem que o professor conheça o ponto em que cada um de seus alunos se encontra, o que possibilita intervenções individualizadas. As da Segunda tabela ajudam o professor a decidir, entre tantos aspectos, quais os mais ajustados para investimento ao longo de determinado período.

Primeira tabela

Alunos Critérios de avaliação
Características fixas do gênero
(Carta pessoal)
Conteúdo do texto
e linguagem utilizada
Dimensões transversais ***
Local e data Saudação inicial Assinatura Fala de si mesmo Fala com o destinatário Linguagem informal Ortografia convencional, mesmo que com algumas falhas Acentuação Segmentação de palavras Pontuação
1. Davi ------
Apenas data
------
Menciona apenas o nome do destinatário
------ X X X
Uso excessivo de gírias
X
Domínio de regularidades e irregularidades
X
Uso adequado de acento agudo e circunflexo
X X
Presença adequada de vírgulas e pontos finais. Excessivo uso de "e" no lugar de alguns pontos e vírgulas
2. Maria Eduarda X X ------ X X X X
Domínio de regularidades e irregularidades
X
Uso adequado de acento agudo e circunflexo
-----
Apresenta alguns problemas
X
Presença adequada de vírgulas e pontos finais
3. Maria Lúcia ------ X X X ------ X ------
QU e RR ainda não apropriados
------ ------
Apresenta muitos problemas
------
4. Oscar ------ ------ X X X
Fez perguntas ao destinatário
X -----
Problemas com a representação da nasalização
------ X ------
Um único ponto final quando o texto termina
......                    

*** Para elaboração da tabela, apenas algumas “Dimensões transversais” foram consideradas. Dependendo da turma, outras podem se ajustar melhor. Exemplo: se em uma sala grande parte dos alunos ainda não domina a escrita alfabética, este critério precisa ser avaliado.    Tabela em PDF

 

Segunda tabela

Questões analisadas
em 27 textos
Características fixas do gênero (carta pessoal) Conteúdo dos textos e linguagem utilizada Dimensões transversais

Observações

• Apenas cinco alunos iniciaram a carta identificando local e data.

• Metade da sala utilizou expressões adequadas à saudação inicial (“Olá,...”; “Querida...”; “Oi,...”).

• Dez cartas apresentaram expressões próprias de despedida (“Um beijo”, “Um abraço”).

• Dezenove cartas foram assinadas, ao final, por seus autores.

• Conteúdo: em cinco cartas apareceram perguntas do remetente ao destinatário. Nas demais, o remetente falou de si mesmo e/ou fez comentários para/sobre o destinatário.

• Presença de linguagem informal em todas as cartas e uso frequente de gírias em quinze delas.

• Ortografia: três produções apresentam problemas com a representação da nasalização; em cinco o R final dos infinitivos não aparece; duas não apresentam domínio do RR (regularidade); uma não apresenta domínio de QU.

• Acentuação: quinze alunos não acentuam as palavras.

• Segmentação de palavras: dificuldades encontradas em três produções.

• Pontuação: três dos cinco alunos que fizeram perguntas ao destinatário não usaram interrogação; vírgulas não aparecem em dezoito produções; dois alunos não utilizaram pontuação.

Encaminhamentos

1. Propor a escrita de uma carta coletiva, convocando os alunos que já têm as características fixas do gênero apropriadas para socializarem seus conhecimentos.

2. Elaborar coletivamente cartaz com informações sobre as características do gênero.

1. Na escrita da carta coletiva, trabalhar com uma situação de comunicação que envolva: um destinatário que permita discussão sobre a linguagem utilizada para escrever (menos ou mais formal e por quê?) e um propósito bem definido (carta de agradecimento).

2. Socializar com a turma as produções dos cinco alunos que elaboraram perguntas aos colegas-destinatários de suas cartas iniciais, de modo a ampliar as possibilidades de conteúdo das correspondências futuras.

1. Acentuação: criação de “dicionário mental” a partir da memorização dos acentos de algumas palavras bastante frequentes nas cartas (“olá”, “você”, “é”) e verificação da acentuação dessas palavras na própria produção.

2. Pontuação:

• Vírgulas: durante o ditado da carta coletiva, mostrar aos alunos que elas são sempre usadas entre o local e a data e após a saudação inicial.

• Pontos de interrogação: copiar na lousa as perguntas (pontuadas correta e incorretamente) que apareceram nas cartas iniciais escritas por cinco alunos e pedir que a turma converse sobre sua pontuação com o objetivo de diferenciar o uso da interrogação e do ponto final.

Observação: questões mais específicas de ortografia e segmentação serão trabalhadas individualmente.

  Tabela em PDF       Voltar ao início

Procedimentos para aperfeiçoar as produções

Procedimentos para aperfeiçoar as produções

Produção coletiva de uma carta

Com o objetivo de trabalhar as características mais frequentes do gênero e ajudar os alunos a adequarem a interlocução ao destinatário e à situação de uso, a professora se colocou no lugar de escriba e propôs que a turma ditasse, coletivamente, uma carta de agradecimento ao diplomata, aproveitando o clima de encantamento dos alunos com o encontro.

Quanto às características do gênero, os próprios alunos foram informantes uns dos outros: tendo na memória quais deles já as haviam utilizado adequadamente na carta ao colega, a professora pôde convocar sua participação, validando e socializando seus conhecimentos.

Chamando a atenção da turma para o propósito da carta e para o fato de um diplomata ser uma figura de autoridade, a professora também promoveu conversas em torno do conteúdo da interlocução e de sua forma. Após muitas idas e vindas, mediadas pela professora, o texto final, aprovado por todos, foi copiado pelos alunos em seus cadernos.

Nesta situação de produção mais formal, os alunos escreveram ao diplomata para agradecer por sua receptividade e pelos conhecimentos adquiridos.

Brasília, 02 de junho de 2015.

     Caro Luiz,

     Nós, alunos do 3º ano A da Escola Classe 308 Sul, queremos agradecer por ter nos recebido na Embaixada de Cabo Verde em Brasília.

     Muito obrigado por nos ensinar bastante da cultura cabo-verdiana.

     Aprendemos muito sobre as 10 ilhas de Cabo Verde, sobre o vulcão da Ilha do Fogo, a política de Cabo Verde, a moeda de lá, a amizade do Brasil com esse país, o respeito entre as embaixadas etc.

     O senhor foi muito gentil e educado conosco em nos oferecer um lanche muito gostoso.

     A visita foi muito produtiva. Esperamos que um dia possamos voltar a vê-lo novamente para aprendermos coisas novas sobre Cabo Verde.

     Um grande abraço

     Alunos do 3º ano A da Escola Classe 308 Sul

Preenchimento do envelope

Envelope - destinatário
Envelope - remetente

O trabalho com o preenchimento deste suporte proporcionou aos alunos diversas descobertas:

• conhecer o significado dos substantivos “remetente” e “destinatário”;

• organizar as informações que ficam na frente e as do verso do envelope;

• saber o que é uma sigla (CEP = Código de Endereçamento Postal);

• incluir os dois pontos após algumas palavras;

• colocar selo e postar a carta nos Correios.

 

Sistematização dos conhecimentos

Sabendo que além de vivenciarem certas experiências, é preciso que os alunos as verbalizem para delas tomar consciência, foi proposta a confecção de um cartaz que pudesse ser consultado em outras situações de produção de cartas. Colocado no mural da sala, o cartaz ditado pelos alunos sintetiza seus conhecimentos.

 

O que já sabemos sobre as cartas

1. Sempre começam com o lugar em que estamos e a data. Por exemplo: Brasília, 2 de junho de 2015.

2. Depois vem a saudação, que pode ser diferente dependendo da pessoa para quem estamos escrevendo. Se for um amigo ou alguém de idade parecida, pode começar com Querido..., Olá..., Oi... etc. Se for uma pessoa adulta, que não é tão nossa amiga, pode começar com Caro..., Caro senhor... etc.

3. Quando escrevemos a parte mais longa, podemos chamar o amigo de você e a pessoa adulta de senhor ou senhora.

4. Na despedida, para o amigo podemos usar Tchau, Um beijo ou Um abraço. Para a pessoa adulta, podemos usar Um abraço ou Atenciosamente, que é um jeito mais elegante.

5. As cartas sempre terminam com a assinatura de quem escreveu.

6. Para enviar uma carta pelos Correios, precisamos preencher o envelope assim:

• na frente, escrevemos o nome de quem vai receber a carta, o endereço, o CEP, a cidade, o Estado e o país.

• no verso, escrevemos o nome de quem está enviando, o endereço, o CEP (se tiver), a cidade, o Estado e o país.

Daí tem que colocar selo e ir até o correio.

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Produção final e publicação

Produção final e publicação

As primeiras cartas enviadas para Cabo Verde já evidenciam a apropriação, por parte, dos alunos, das muitas questões trabalhadas anteriormente pela professora. Ao mesmo tempo, também aparecem questões ainda não resolvidas que pedem encaminhamento.

A análise dos textos dos alunos não ocorre, portanto, apenas na etapa inicial de um projeto (a chamada “fase de diagnóstico”). Os textos por eles produzidos ao longo do processo precisam ser constantemente estudados pelo professor para acompanhamento de suas progressões, entendimento do que é necessário retomar e planejamento dos novos aspectos da escrita a se investir.

     Brasília – DF, 20 de junho de 2015.

     Olá, Denielson!

     Meu nome é Luiz Gustavo, eu moro no Brasil, em Brasília – DF e estudo na Escola Classe 308 Sul.

     Eu queria saber como você é. Se você está bem. Eu tenho 8 anos. E você? Meus olhos são castanhos. E os seus? Os meus cabelos são pretos. E os seus?

     Minha brincadeira preferida é pique-pega. E a sua, qual é?

     As comidas típicas do Brasil são: Feijão tropeiro, Feijoada, Acarajé, Camarão, Churrasco, Galinhada, Peixe e Macarronada. E suas comidas típicas, quais são?

     Queria saber que ilha você mora, se tem muitos habitantes, etc.

     Minha escola tem muitos brinquedos e minha professora chama-se Eliana. Eu acho ela a melhor professora que eu já tive na vida.

     Um grande abraço.

     Luiz Gustavo do 3º ano A da Escola Classe 308 Sul

Brasília – DF, 10 de junho de 2015.

     Olá, Edmir!

     Eu sou Marco Antônio estudo na Escola Classe 308

     Tenho 8 anos de idade e sou negro quantos anos de idade você tem

     Gosto de brincar de pique-esconde. E você gosta de brincar de quê?

     Tenho dois irmãos: João e a Camila.

     Eu quero te conhecer pessoalmente você deve ser legal.
     quero enviar mais cartas para você grande abraço, caro amigo

     Marco Antônio A, Brasília – DF, Escola Classe 308 Sul


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