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Na essência, a construção coletiva

Na essência, a construção coletiva

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Autor(a): Jéssica Nozaki | Fotos Veronica Manevy
Na essência, a construção coletiva

No dia 13 de dezembro de 2016, as mãos contorceram expectativa, os sorrisos brilharam orgulho, os olhos marejaram contentamento. As lembranças de um processo repleto de descobertas, esforços e aprendizagens invadiram o Auditório Elis Regina, em São Paulo, onde foi realizada a cerimônia de premiação final da 5ª- edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro.

Participando dessa grande festa estavam quase mil pessoas, entre alunos, professores, diretores de escolas, familiares, autoridades e colaboradores, além de representantes das organizações realizadoras do Programa: Carmen Neves, diretora de Formulação de Conteúdos Educacionais do Ministério da Educação; Fábio Barbosa, vice-presidente da Fundação Itaú Social; e Maria Alice Setubal, presidente do Conselho de Administração do Cenpec.

Apesar da espera ansiosa por conhecer os vencedores da edição, ali todos tinham clareza de que não havia sequer um vencido. Foi o que pontuou Leonardo Silva Brito, de Presidente Médici, Rondônia, ao discursar em nome de todos os estudantes finalistas: “Esta é a Olimpíada mais humana de todas que tive oportunidade de participar. Isso possivelmente se deve ao fato de que, em sua essência, ela não prega a competição, mas sim a construção coletiva e gradativa de uma produção textual que expõe não apenas nosso olhar, nossos sonhos e reivindicações para os lugares onde vivemos, mas também os de todos aqueles que nos ajudaram, direta ou indiretamente, a percorrer esse caminho”.

Aprendizado sobre gêneros textuais, compreensão da função social da escrita, ampliação de repertório, aprofundamento das reflexões sobre questões sociais, são inúmeros os frutos semeados e colhidos democraticamente em todo o país, em cada uma das regiões: grandes centros urbanos, cidades médias e pequenas, distritos rurais, comunidades indígenas, quilombolas, assentamentos de famílias sem terra. Toda essa necessária representatividade desvela a força da articulação e da mobilização que possibilitaram à Olimpíada tamanho alcance e abrangência.

 

Paragens e travessias

Para chegar à festa de encerramento, muita coisa se passou entre os dias 25 de outubro e 24 de novembro de 2016. Nesse período, foram realizados os encontros regionais, que reuniram os 500 alunos semifinalistas e seus professores. Divididos conforme as categorias pelas quais concorriam, os participantes viajaram para uma determinada capital brasileira, onde participaram de oficinas de formação, palestras, saraus e passeios culturais. Cada encontro teve uma atividade específica e muito especial...

 


 

Lançar luz, conquistar a palavra

A Oficina de Artigo de opinião, com os alunos de 2º- e 3º- anos do Ensino Médio, veio reforçar uma tônica dos tempos atuais: os jovens são capazes de produzir reflexões autorais, têm opinião, anseiam por expressá-la e merecem ser escutados. Reunidos em São Paulo, de 25 a 27 de outubro de 2016, os estudantes participaram de um debate sobre uma questão polêmica relevante e mais do que pertinente para eles: “Ações afirmativas são políticas adequadas e eficientes na garantia do acesso à universidade?”. Com base nesse tema, efetuaram pesquisas, travaram discussões e expuseram seus argumentos de forma perspicaz, levantando seus posicionamentos sobre conquista de direitos, meritocracia, e política de cotas sociais e raciais.

 


 

Exercícios do olhar

Os semifinalistas de crônica participaram, em Porto Alegre, da Oficina regional entre 8 e 10 de novembro de 2016. Lá, exercitaram suas maneiras singulares de enxergar o cotidiano e a habilidade de capturar instantes preciosos e significativos. O percurso de provocar novos rumos para o olhar foi trilhado na palestra com a fotógrafa Veronica Manevy. Nessa ocasião, os alunos refletiram sobre a efemeridade das imagens no mundo contemporâneo e conheceram técnicas simples – mas fundamentais – para se obter uma boa fotografia tirada por meio do celular. Munidos dessas orientações, seguiram para um passeio pelo centro histórico e por museus da capital gaúcha. Entre os prazeres da caminhada, uma missão: fotografar cenas peculiares, flagras urbanos, com base nos quais escreveriam uma crônica inédita.

 


 

Das reminiscências ao papel

Fortaleza recebeu os 125 alunos do gênero Memórias literárias nos dias 16, 17 e 18 de novembro de 2016.

O momento mais emocionante da Oficina ocorreu quando os pequenos memorialistas, coletivamente, entrevistaram o desenhista, xilogravador, compositor e poeta popular Stênio Diniz. Curiosidades em punho, os estudantes formularam perguntas, buscando desvendar e verdadeiramente entender a trajetória desse artista singular, cheio de talentos e de lembranças. Num trajeto desafiador, que necessariamente passou pelo exercício da empatia, a escuta atenta às histórias de Stênio culminou na escrita de novas memórias: as do artista, em primeira pessoa, apropriadas ao longo da conversa e alinhavadas pela imaginação dos alunos. “Nunca na vida tinha passado por uma experiência dessas. Fiquei feliz e orgulhoso (do bom orgulho!) por ter material para dar”, compartilhou Stênio.

 


 

Palavra escrita, palavra falada

Todo texto tem sua música; criada por quem escreve ou recriada por quem lê. No último encontro regional, que ocorreu de 22 a 24 de novembro de 2016, em Salvador, os alunos-poetas experimentaram a união de diferentes linguagens artísticas. Durante as oficinas, eles praticaram leituras em voz alta, “botando reparo” nas diversas maneiras de dividir e grifar com a voz, criando ritmos e afinando formas de dizer. Em seguida, cada estudante gravou um trecho do próprio poema em um estúdio de áudio portátil, montado especialmente para a ocasião. Os trechos gravados foram agrupados por temas e musicados com trilhas sonoras sensíveis, criadas pelo compositor e produtor musical Luiz Ribeiro, que comentou: “Como imagens que ilustram um livro, as músicas complementam os poemas com outras camadas de significado, ajudando a criar emoções e a contar as histórias daquelas palavras”. Todo esse trabalho resultou no CD Versos de diversos lugares, entregue a alunos e professores.

 


 

Palavra final

Há quem diga que quando um processo se encerra é possível enxergar o todo conquistado, surgem outros espantos, outros alumbramentos. Se é mesmo assim, ao olhar para esta 5ª- edição da Olimpíada, um mote ecoa mais forte: a confiança na potência das boas práticas realizadas na escola pública brasileira e a esperança de uma educação de qualidade para todos. É esse o futuro que, juntos, estamos escrevendo.

 


 

Revista Na Ponta do Lápis n. 28Revista Na Ponta do Lápis
Ano XIII
Número 28
Janeiro de 2017

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