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A Olimpíada e a universidade

A Olimpíada e a universidade

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Autor(a): Luiz Henrique Gurgel

AOlimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, desde seu início, buscou manter vínculos com universidades públicas brasileiras, seja incorporando à sua metodologia estudos e experiências dos docentes que trabalham com projetos de leitura e escrita, seja servindo a esses mesmos especialistas como fonte para pesquisas. Em 2009, criou-se a chamada Rede de Ancoragem, que reúne docentes dessas instituições e representantes do Consed e das Undimes em cada Estado, para as formações de professores das redes públicas.

A revista Na Ponta do Lápis procurou alguns desses docentes de instituições universitárias públicas do país para saber mais sobre os projetos que conduzem e nos quais a Olimpíada é o foco.

 

Pesquisas de mestrado


Em Santarém, Pará, grupo de estudo
desenvolve ações e pesquisas com a Olimpíada.

Em Santarém, na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), o professor Luiz Percival Leme Britto coordena o Lelit – grupo de estudos, pesquisa e intervenção em leitura, escrita e literatura na escola. Uma das principais linhas de trabalho do grupo é desenvolver ações e pesquisas com a Olimpíada. Atualmente tem oito participantes: quatro no mestrado em educação e quatro no mestrado profissionalizante em rede de língua portuguesa. Metade dos projetos é de intervenção em escolas da região e a outra metade examina aspectos teórico-práticos com base nos materiais, jogos e publicações produzidos pelo Portal Escrevendo o Futuro.

Entre os objetos de pesquisa de dois mestrandos estão a própria revista Na Ponta do Lápis, e outros dois estudos estão analisando os textos dos estudantes finalistas de 2014. Outras quatro mestrandas do grupo realizam pesquisas em escolas de Ensino Fundamental e Médio dos municípios de Santarém e de Óbidos em que os professores estão desenvolvendo as atividades propostas nos materiais do Programa. O objetivo desta última é aplicar a metodologia do ensino da língua portuguesa em sala de aula e entender resultados e efeitos desse trabalho sobre alunos e professores.

Segundo Percival: “O trabalho de pesquisa tem servido para criar um grupo que pensa o ensino e tenta discutir o efeito e as contribuições de uma ação institucional do nível da Olimpíada”. A expectativa é contribuir para o entendimento das propostas para a educação brasileira e, ao mesmo tempo, propor “problematizações para a própria Olimpíada, eventualmente apontando aspectos que possam ser aprimorados”.

 

Conhecer e aprender fazendo

A utilização, na prática, da metodologia do Escrevendo o Futuro também ocorre entre graduandos de letras da Universidade Federal do Acre (Ufac). A experiência está sendo feita pelo professor Henrique Silvestre na disciplina literatura e leitura. Ele realiza oficinas para a elaboração de crônicas com seus alunos. Henrique afirma que com essa experiência os futuros professores realizam, na prática, aquilo que proporão aos seus alunos nas escolas.

Como membro da Rede de Ancoragem, Henrique formou e coordena as atividades de doze professores que atuam no Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor). O trabalho é realizado com dezessete turmas do curso de pedagogia da Ufac para quem são ministradas oficinas de produção textual também utilizando a metodologia da Olimpíada. “Para esse fim, escolhi o gênero Memórias literárias, uma vez que pretendia resgatar histórias de leituras, divulgar a Olimpíada e, além disso, propiciar ao alunado uma experiência de produção de texto, com a qual ele poderá trabalhar em sua escola”, explicou. Os alunos de Henrique que fazem parte desse grupo atuam em escolas de zona rural, até mesmo em comunidades indígenas.


Em Maceió, Alagoas, alunos estudaram e planejaram as Oficinas
que seriam desenvolvidas com turmas de Ensino Fundamental.

Em Maceió, estudantes do curso de letras, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), também partem para a prática em escolas públicas com professores que participam da Olimpíada. A atividade faz parte do Estágio Supervisionado em Língua Portuguesa 1, ministrado pela professora Adna Lopes, da Faculdade de Letras. No começo de 2016, antes de as aulas começarem nas escolas públicas, os alunos de Adna estudaram e planejaram as oficinas que seriam desenvolvidas com turmas de Ensino Fundamental, em conjunto com as respectivas professoras, na Escola Municipal Walter Dórea Figueiredo. Outro grupo de Adna, graduandos do período noturno, desenvolveu as oficinas em uma turma de EJA, na Escola Estadual Geraldo Melo, mesmo sabendo que os alunos não participariam do concurso.


Em Natal, Rio Grande do Norte, projeto para o professor-aluno
aprender na prática.

Para a docente alagoana o objetivo de seu trabalho é “procurar envolver os futuros professores, graduandos do curso de letras, nessa dinâmica”, buscando discutir uma nova visão das práticas de ensino de língua portuguesa no Ensino Fundamental.

Em outro ponto do Nordeste, a professora Ivoneide Bezerra de Araújo Santos, do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, em Natal, quer “fortalecer a Olimpíada como política pública”. Ela está na Rede de Ancoragem desde 2008 e também defende que o contato e a vivência frequente com os gêneros potencializam a formação do professor: “Acredito que se aprende a fazer fazendo”. Em 2013, lecionando didática do ensino de língua portuguesa para alunos de letras do Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy, também em Natal, desenvolveu um projeto para que o professor-aluno aprendesse na prática.

Ivoneide passou a realizar formações com professores da rede pública em que liam e produziam textos de diferentes gêneros: carta do leitor, comentário, relatório, nota, plano de aula, debate, crônica, artigo e outros. “Essa experiência mostrou-se importante para que os professores pudessem compreender que a formação oferecida para a Olimpíada não pode se limitar a subsidiar a formação do professor apenas para participar de uma competição, mas que está na base daquilo que é necessário fazer no seu cotidiano de sala de aula.” Os professores, alunos de Ivoneide, aprenderam, de forma sistematizada, a postar comentários nas redes sociais e escreveram cartas do leitor aos jornais e revistas.

 

Iniciação à docência: Olimpíada como estratégia

Na Universidade Estadual do Piauí (Uespi), a professora Shirlei Marly Alves coordena uma ação que também utiliza a proposta metodológica da Olimpíada e que envolve bolsistas da universidade – graduandos de letras – e professores que trabalham na rede pública e atuam como supervisores do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), projeto do Ministério da Educação para formação e incentivo a futuros docentes de escolas públicas.


Na Universidade Estadual do Piauí, formação e incentivo a futuros
docentes de escolas públicas.

“A primeira iniciativa que tomei no sentido de estreitar os laços entre o Pibid e a Olimpíada foi propor ao Cenpec uma turma especial de professores supervisores para o curso ‘Sequência didática: aprendendo por meio de resenhas’, em 2014. Concomitantemente, procuramos incentivar os participantes a usarem o material da Olimpíada em suas atividades escolares, de modo a concretizarem o trabalho com sequência didática”, afirmou.

Em 2015, os estudantes de Shirlei passaram a trabalhar diretamente e ser orientados por professores da rede pública que já participavam da Olimpíada. “Isso fez com que nossos acadêmicos de letras também passassem a usufruir dos aprendizados do programa e ainda das oportunidades de formação no Portal Escrevendo o Futuro, onde todos já estão cadastrados.” Destaca ainda a importância de se conhecer e trabalhar com essa metodologia como “uma excelente oportunidade de ver colocados em prática muitos fundamentos das teorias enunciativas da linguagem, e isso é um elemento valioso para a formação dos que já estão no campo de trabalho, bem como para os que estão se formando”.


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