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Ensinar leitura e escrita com o gênero como instrumento: o que pensam os colegas

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Autora: Heloisa Amaral

Convidamos os colegas que leram o artigo de Dolz & Schneuwly, "Os gêneros escolares: das práticas de linguagem aos objetos de ensino", a fazerem comentários sobre o texto e exemplificarem seus comentários com relatos de prática em sala de aula. No artigo a que nos referimos, os pesquisadores Bernard Schneuwly e Joaquim Dolz, da Universidade de Genebra, na Suíça, demonstram como é utilizada a metodologia de ensino de língua que tem como instrumento os gêneros textuais que circulam nas mais diversas situações sociais de comunicação.

O artigo é desenvolvido a partir da seguinte idéia: como todas as vezes que nos comunicamos o fazemos por meio de gêneros textuais, a aprendizagem por meio deles torna-se significativa para o aluno, uma vez que ele os reconhece como língua viva, e não como língua transformada apenas em objeto de estudo. Quando usamos um gênero textual, ao mesmo tempo como meio de comunicação e objeto de estudo, tornamos a aprendizagem da língua mais eficaz.

Exemplificando: se você propõe para seus alunos que entrevistem pessoas para reconstituir um pedaço da história de sua comunidade, com a finalidade de organizar um livro que valorize as memórias das pessoas entrevistadas e que leve outras pessoas a conhecerem acontecimentos históricos do lugar onde vivem, você estará proporcionando ocasiões diversas para o ensino de leitura, escrita e gramática dentro de situações de comunicação efetivas. Dessa maneira, a aprendizagem torna-se significativa e as capacidades de leitura e escrita de seus alunos se ampliam.

Em sua análise dos gêneros como instrumentos de ensino e aprendizagem de língua materna, os autores levantam três das formas como os gêneros são usados na escola atualmente, as quais quase sempre aparecem mescladas e produzem bons resultados:

  1. Gênero como objeto de estudo, fora de seu contexto de produção. É o caso, por exemplo, de estudar notícias com os alunos, retirando-as do jornal - seu lugar de produção e circulação - e anulando suas marcas textuais e gráficas específicas.
  2. Gênero estudado dentro de uma situação de produção ficcionalizada. É o caso de produzir um jornal na classe, como se fosse um jornal verdadeiro, para estudar as formas de produção e circulação de notícias de um modo mais próximo do que ocorre fora da escola.
  3. Gênero estudado numa situação real de produção, utilizado pelos alunos para dizer algumas coisas a alguém. É o caso, por exemplo, da escrita de uma carta ao prefeito, solicitando que a rua da escola seja asfaltada, ou um debate com pessoas convidadas para falar de orientação sexual para pré-adolescentes, em que os debatedores são os alunos.


Perguntamos aos colegas qual dos modos de trabalhar os gêneros eles utilizam.

Agora que você já sabe qual foi nossa proposta, veja os comentários que nossos colegas fizeram.

Para Lucélia, por exemplo, o ensino de gêneros textuais exige que o professor também aprenda. Concordamos com ela. Aliás, pensamos que o professor só ensina bem se está o tempo todo aprendendo. Leia o depoimento da colega.

Lucélia: Embora conheçamos as teorias sobre os gêneros textuais, acabamos em alguns momentos de nossa prática deixando de levar em consideração as possibilidades reais de trabalho dentro desta perspectiva. Mas, como tudo na vida é um aprendizado e estou sempre tentando acertar, estou confiante que esse trabalho ainda renderá bons frutos."

A Lucélia e muitos outros professores reconhecem a importância de trabalhar com gêneros textuais, porque eles são ótimos instrumentos de ensino e aprendizagem de língua. Não é fácil porque é novo. Mas muitos estão tentando e comprovando os bons resultados. A Michelle, por exemplo, tomou um gênero como objeto de estudo, procurando dar uma finalidade e leitores para esse estudo. Vejam o relato que ela faz:

Michele: Este ano desenvolvi com meus alunos de 3ª série um trabalho bastante extenso sobre fábulas: leitura de vários textos desse gênero, reescritas coletivas e individuais das fábulas estudadas, análise das características desse tipo de texto. Para o trabalho se tornar mais significativo e não se reduzir simplesmente a uma "tarefa escolar", desde o início lancei a proposta de confecção de livros com as fábulas recontadas por eles. Esse trabalho durou praticamente o ano todo, e contou com grande envolvimento da classe. Fizeram trabalhos muito bons, com textos bem escritos e ilustrados. Fiquei muito satisfeita com os resultados e os alunos também."

Nossa amiga Dara relata que tem feito o trabalho com gêneros textuais durante os projetos "Tecendo Leituras" e "Hora da Leitura", que são realizados em sua escola. Tem obtido bons resultados!

Dara: Com os projetos 'Tecendo Leitura' e 'Hora da Leitura', que estão sendo desenvolvidos em nossa escola, tenho trabalhado de forma diversificada alguns gêneros textuais: poesia, fábula, contos etc., o que tem proporcionado maior interesse dos alunos pela leitura. Muitas vezes é um trabalho árduo, mas interessante e gratificante."

Já a Rozeli, relembra uma coisa muito importante: para alguns alunos, a escola é o único espaço de letramento. Vejam o que ela diz:

Rozeli: Muitos dos nossos alunos têm apenas a escola como espaço para contato com os diversos gêneros textuais, daí a necessidade de oportunizar situações significativas para desenvolver o trabalho com a escrita."

A Sandrinha relata que vem trabalhando com gêneros jornalísticos e que tanto os alunos como ela aprenderam muito com esse trabalho. Leia o depoimento dela:

Sandrinha: No mês de agosto, iniciei com meus alunos da 7ª série o estudo do gênero textual 'jornal', auxiliado pelo livro da editora Contexto, Coleção "Como usar na sala de aula" o jornal. Visitamos a gráfica de um jornal da cidade e foi muito interessante, porque eu também nunca tinha entrado na redação de um jornal e aprendi muito também."

O Elival também vem trabalhando com jornais, assim como a Sandrinha. Veja o relato desse nosso colega.

Elival: Sou um estudioso no assunto de gêneros textuais na sala de aula e procuro sempre trabalhar o debate como sugerem os autores do artigo. Esse tipo de gênero oral favorece o desenvolvimento da oralidade e pode proporcionar produções escritas a partir dele. Vale aí o esforço e a dedicação do professor. Mãos à obra.

Nesse sentido, estou desenvolvendo o projeto 'Aprendendo com Jornal', que busca aproximar os alunos dos gêneros que circulam no cotidiano, desmitificando a idéia de que a escola é um mundo pequeno e isolado do resto. O jornal traz o mundo para dentro da escola, e o aluno pode refletir e questionar soluções para resolução de problemas no seu entorno."

Rose nos relata que tem criado situações de produção ficcionalizadas para o ensino de gêneros textuais. Veja como ela faz seu trabalho.

Rose: Tenho sempre a tendência de fazer os alunos criarem situações de produção ficcionalizada.

Na verdade quase sempre a gente pede aos alunos que imaginem uma situação e criem em cima dela... E aí reconheço que lhes falta uma vivência maior - e cabe a mim criar essa situação - para que eles possam imaginar com mais facilidade e enriquecer a situação de ficção de forma a ser-lhes realmente significativa e até mais interessante.

Acredito que mudando essa forma de abordagem eles param de fazer a 'lição da professora de português' e comecem a pensar que estão fazendo algo para seu próprio crescimento."

 



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