Quadrinhas divertidas

Nesta etapa os alunos vão trabalhar com a noção de ritmo, criando quadras com base no poema “O buraco do tatu”, de Sérgio Caparelli, composto de quadras em tom brincalhão parecido com o do trava-língua.

O buraco do tatu

O tatu cava um buraco
À procura de uma lebre,
Quando sai pra se coçar,
Já está em Porto Alegre.

O tatu cava um buraco,
E fura a terra com gana,
Quando sai pra respirar,
Já está em Copacabana.

O tatu cava um buraco
E retira a terra aos montes,
Quando sai pra beber água,
Já está em Belo Horizonte.

O tatu cava um buraco,
Dia e noite, noite e dia,
Quando sai pra descansar,
Já está lá na Bahia.

O tatu cava um buraco,
Tira terra, muita terra,
Quando sai por falta de ar,
Já está na Inglaterra.

O tatu cava um buraco
E some dentro do chão,
Quando sai para respirar,
Já está lá no Japão.

O tatu cava um buraco.
Com as garras muito fortes,
Quando quer se refrescar,
Já está lá no Polo Norte.

O tatu cava um buraco,
Um buraco muito fundo,
Quando sai pra descansar,
Já está no fim do mundo.

O tatu cava um buraco,
Perde o fôlego, geme, sua,
Quando quer voltar atrás,
Leva um susto, está na Lua.

Sérgio Caparelli. 111 poemas para crianças. Porto Alegre: L&PM, 2008.
Conheça o site do escritor Sérgio Caparelli.

Atividades

  1. Projete para os alunos e leia o poema em voz alta, ou coloque o áudio disponível neste caderno.
  2. Retome os conhecimentos que os alunos já dominam a respeito do gênero e observe com eles:
    a regularidade das estrofes (quartetos ou quadras);
    • o tamanho dos versos (7 sílabas poéticas);
    • as rimas (entre segundo e quarto versos de cada estrofe);
    • a repetição de versos, de palavras, de expressões.
  3. Leve os alunos a observar ainda a sequência de ações do tatu, após cavar um buraco: se coçar, respirar, beber água, descansar, refrescar, voltar atrás; bem como o trajeto sul-norte que percorre (Porto Alegre, Copacabana, Belo Horizonte, Bahia, Inglaterra), até chegar ao outro lado da Terra (Japão), ao fim do mundo e finalmente à Lua.
  4. Peça aos alunos para, em duplas ou individualmente, escreverem duas quadras sobre essa “viagem” do tatu. Eles podem incluir a cidade natal deles no roteiro do bichinho, além de outro lugar de que gostem ou que já tenham visitado.
  5. Oriente-os a manter o primeiro verso do poema original (“O tatu cava um buraco”), parte do terceiro (“quando sai…” ou “quando quer…”) e mudar as ações/motivações do tatu, bem como os locais por onde passa. Devem ainda procurar manter o ritmo dos versos e as rimas nos versos pares.
  6. Peça-lhes que leiam as quadras criadas para os colegas. Depois, com as quadras produzidas, a turma poderá montar um painel, organizando os poemas de forma que tenham um roteiro do percurso do tatu. O painel poderá ser ilustrado com figuras do animal, fotos dos locais visitados por ele e até por mapas, com o percurso seguido.