Literatura de autoria feminina

A literatura de autoria feminina tem sido constante no recorte do que chamamos de literaturas de identidade (afro-brasileira, LGBT, literatura periférica, etc). Pensando nisso, selecionamos algumas obras de autoras brasileiras e estrangeiras que têm impactado o imaginário de leitoras e leitores nos últimos anos.

08 março 2018

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Um Útero é do Tamanho de um Punho

Autora: Angélica Freitas

Editora: Companhia das Letras

Segundo livro de Angélica Freitas, Um útero é do tamanho de um punho tem como tema central a mulher. Através de poemas que funcionam como um tecido orgânico no qual cada texto dialoga com o outro, a autora dá forma à sensação de ser mulher e compõe uma série de poemas que, divididos em três partes, problematizam a imagem estereotipada do corpo feminino, execrando seus papéis pré-estabelecidos em uma sociedade patriarcal.

Vozes Guardadas

Autora: Elisa Lucinda

Editora: Record

Cantora, atriz e jornalista, Elisa Lucinda adentra ao mundo da poesia com inteligência e humor. Reunião do livro Jardim das Cartas e O Livro dos Desejos, Vozes Guardadas divide-se em duas formas literárias: a primeira trata-se de cartas endereçadas principalmente a amigos e íntimos à autora; a segunda trata-se da poesia, que, em uma forma livre de amarras, mescla melancolia, saudades e memórias, características tão valorosas para sua criação literária.

Desesterro

Autora: Sheyla Smanioto

Editora: Record

Desesterro, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura de 2015, é um romance constituído por uma pluralidade temática e estética. Sob a personagem Maria de Fátima recaem as dores seculares de uma cidade coberta pela pobreza e a fome. Ao percorrermos as páginas do livro, as camadas do sonho entremeiam-se à realidade, trazendo-nos uma experiência literária que, ao mesmo tempo perturbadora, também é original e única.

Nossa Senhora do Nilo

Autora: Scholastique Mukasonga

Editora: Nós

Romance da escritora ruandense Scholastique Mukasonga, Nossa Senhora do Nilo narra a história de um liceu feminino localizado em Ruanda, que possui em seu quadro de estudantes duas etnias predominantes: os tutsis e os hutus. No momento em que líderes hutus tomam posse, a escola revela-se um espaço cercado de opressão e desigualdades. A sua narrativa traz um forte elemento de recuperação de uma memória perdida, de conflitos não resolvidos e das consequências do colonialismo, com o intuito de entender as raízes iniciais do que seria, posteriormente, conhecido como o genocídio de Ruanda, em 1994 – momento em que extremistas hutus caçaram e eliminaram grande parte da população tutsi do país.

Diário de Bitita

Autora: Carolina Maria de Jesus

Editora: SESI-SP

Carolina Maria de Jesus foi um fenômeno literário nos anos 60. Com seu livro Quarto de Despejo, a autora se projetou no cenário literário nacional e internacional ao relatar, em forma de diário, o seu dia-a-dia como mulher negra, mãe solteira e periférica. Diário de Bitita é um relato autobiográfico da infância da autora. Por meio de um processo documental, Carolina de Jesus perpassa suas dificuldades, ainda criança, em adquirir um trabalho e garantir a sua sobrevivência e a de sua família.

Voltar para casa

Autora: Toni Morrison

Editora: Companhia das Letras

Frank Money, ao voltar da guerra da Coreia, não consegue superar suas dores e culpas pelas atrocidades cometidas no campo de batalha. Ao mesmo tempo, ele busca sobreviver ao racismo impregnado em sua cidade natal, Geórgia, no sul dos Estados Unidos. Ycidra, sua irmã, que sobreviveu por conta própria à ausência da mãe, carrega traumas trazidos desde a infância e que têm consequências drásticas em sua vida. É contando a história desses dois personagens que Toni Morrison desenvolve, através da memória, da angústia e da falta, as problemáticas do sistema segregacionista norte-americano.

Amora

Autora: Natalia Borges Polesso

Editora: Não Editora

Vencedor do Prêmio Jabuti em 2016, o livro Amora, da autora radicada em Caxias do Sul Natalia Borges Polesso, traz uma série de contos que dialogam com o mundo feminino e o universo LGBT. Por meio de histórias protagonizadas por diferentes mulheres, a autora coloca em questão a posição marginalizada que o relacionamento amoroso lésbico ocupa no Brasil, ao mesmo tempo em que põe em pauta a subjetividade do corpo feminino, demarcando a resistência da identidade da mulher em uma sociedade patriarcal.

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