Hilda Hilst, da palavra à emoção, liberdade de expressão

Hilda Hilst, da palavra à emoção

19 setembro 2018

Cintia Fabiana Scatolini Baldin

Com um título muito sugestivo, o curta-metragem “A Obscena Senhora Silêncio” relata a vida da menina que deixou de ser bailarina, como era a vontade de sua mãe, para se tornar uma escritora de sucesso, com estilo marcante e de escrita peculiar, a inconfundível Hilda Hilst.  O roteiro de Leandra Lambert revela traços importantes e curiosos da vida dessa escritora, inclusive questões relacionadas à epifania, transcomunicações e visões do sobrenatural.

O curta-metragem dirigido pela própria Leandra e por Alexandre Gwaz apresenta trechos protagonizados pela própria escritora que, com maestria, conta recortes significativos de sua vida, conversa com o amigo José Mora Fuentes e mostra a casa onde viveu “a Casa do Sol” cercada por seus animais, envolvendo-nos numa linguagem criativa e, por vezes, com presença de humor que lhe é muito peculiar.

A simplicidade das imagens de Hilda, em meio a sua vida cotidiana, contrapõe-se ao mundo complexo, emotivo e misterioso que a roteirista nos apresenta e, sobretudo, possibilita-nos a entrar nesse clima de mistura de sensações. As imagens, sons e a narração de trechos de suas obras, em sua própria voz, mexem com nosso imaginário e nos levam a mergulhar nesse mundo particular de Hilda.  

A sequência dos fatos apresentados, intercalados por trechos da obra de Hilda Hilst, reportam-nos a um passado interessante que compõem momentos marcantes de sua vida. No que tange às questões sobrenaturais apontadas na obra, há indícios de uma personalidade incomum, e, por isso, a curiosidade que se desperta quando assistimos ao curta.

Pela expressividade da obra da escritora e pelo fato de, em vários momentos, ter o seu próprio olhar sobre sua vida, o curta-metragem é instigante e, sobretudo, revelador de uma personagem que nos leva a refletir acerca do mundo hilstiano e nos aponta características marcantes de seu estilo.

Ao assistir ao curta-metragem, ficamos instigados a conhecer mais sobre sua vida e, principalmente, sobre sua obra, já que o produto cultural nos permite internalizar questões essenciais e características fundamentais da vida e obra dessa mulher, muitas vezes, indecifrável.

Além da apreciação do curta-metragem e de suas características, esse produto cultural revela condições de ser trabalhado em sala de aula, sobretudo, para analisar o estilo da autora e identificá-lo em outras obras, inclusive àquelas citadas no próprio produto. Outra possibilidade de trabalho é apresentar a obra aos educandos e, através de uma sequência bem elaborada de atividades, explorar as dimensões de produção, e em seguida, proceder ao ensino do gênero resenha.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *