Dez livros para ler nas férias.

Depois de um longo semestre cheio de tarefas, nada melhor do que aproveitar as férias para ler um bom livro. Nós, aqui do Portal Escrevendo o Futuro, preparamos uma lista de Dez livros para ler durante as férias. As indicações são baseadas em escritores convidados da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano.

Se você tem alguma sugestão para essa lista, compartilhe conosco aqui embaixo, no espaço para comentários. Uma boa leitura e ótimas férias a todos!

28 junho 2018

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Memórias de porco-espinho

Autor: Alain Mabanckou

Editora: Malê

Uma narrativa que busca aproximar a oralidade típica das línguas africanas, especificamente do Congo. O livro busca parodiar um dos mitos fundadores da literatura e da cultura africana, a lenda de que todo homem possui seu duplo animal. E nesta história, como o próprio título incita, o animal é um porco-espinho esperto e malicioso, que realiza os secretos e macabros desejos de seu mestre. O premiado livro é uma ótima opção para quem deseja mergulhar nessa cultura mitológica do Congo.

O autor congolês Alain Mabanckou tem participação confirmada na FLIP e falará sobre sua trajetória como poeta e romancista, escrita criativa e cultura africana.

A gorda

Autor: Isabela Figueiredo

Editora: Todavia

A autora Isabela Figueiredo dá vida a personagem Maria Luiza, uma moça dedicada e forte, que carrega algo que considera o seu grande fardo: ser gorda. O romance mostra como essa característica física compromete fortemente o convívio social da protagonista e sua relação consigo mesma. A história faz uma grande sátira a respeito da autoimagem e do preconceito. O livro é uma ótima reflexão sobre imagem e sociedade, com uma pitada de divertimento.

A escritora vem sendo retratada como uma das vozes mais originais da nova literatura portuguesa. Podemos perceber fortes traços de uma autobiografia ficcionalizada no seu primeiro romance. Ela estará em mesa na FLIP, falando sobre diários, memórias, corpo e desnudamento.

Garotas mortas

Autor: Selva Amada

Editora: Todavia

O livro aborda três casos reais de feminicídio na Argentina que aconteceram na década de 80. A obsessão da autora por essas histórias em particular revela como a situação da violência contra a mulher continua forte na América Latina. E usa desses três casos, em destaque no meio de tantos, para explorar a naturalidade com que a sociedade vem tratando esta problemática.

A escritora Selva Amada é argentina e tem sido aclamada pela crítica como um dos grandes nomes da literatura de seu país, e estará em mesa de debate na FLIP, junto com a autora brasileira Djamila Ribeiro, falando sobre a literatura no combate à violência contra a mulher.

O sol na cabeça

Autor: Geovani Martins

Editora: Companhia das Letras

O livro reúne treze contos que abordam as temáticas que permeiam o cotidiano de moradores das favelas do Rio de Janeiro, da infância à adolescência de jovens que crescem em meio às dificuldades das desigualdades sociais. O livro será uma ótima forma de ocupar o tempo e refletir sobre as formas de violência a que os jovens periféricos estão submetidos, e como o sentimento de amizade e a luta por um futuro melhor está presente em todos os contextos.

O escritor Geovani Martins é um jovem de 26 anos, considerado uma das grandes descobertas literárias atuais, e compõe uma mesa na FLIP, discutindo sobre seu modo de escrever, que caminha entre a coloquialidade oral até o que se espera como cânone literário.

Quem tem medo do feminismo negro?

Autor: Djamila Ribeiro

Editora: Companhia das Letras

Uma das autoras participantes da FLIP deste ano, Djamila Ribeiro, traz neste livro um questionamento: Quem tem medo do feminismo negro?

Esta obra convida o leitor a conhecer parte da história de empoderamento de uma das vozes mais ativas do feminismo negro brasileiro. Djamila Ribeiro fala sobre o silenciamento da mulher negra, resultante de um processo de invisibilidade diante da discriminação racial e a sua auto aceitação que a levou de encontro à militância feminina. O livro também traz debates acerca das políticas de cotas raciais, as mobilizações em redes sociais e as origens do feminismo negro brasileiro e americano, além de discutir outras teóricas que abordam a temática feminista, como Simone de Beauvoir. É o segundo livro da autora e uma ótima aposta para quem deseja se aprofundar nesse debate.

Canção de ninar

Autor: Leila Slimani

Editora: Tusquets

O livro conta uma história trágica que acontece com a família de Myrian, a mãe de duas crianças que decide voltar ao mercado de trabalho. O encontro da babá perfeita causa uma dependência mútua na família e dá espaço para uma terrível tragédia. A narrativa aborda uma crítica forte à maternidade compulsória e a posição da mulher na sociedade, além das relações de poder e o preconceito entre classes.

A escritora da obra, Leïla Slimani, é um dos grandes nomes da literatura francófona. Foi a primeira autora de origem marroquina a receber um prêmio literário no mundo árabe e vai estar na FLIP falando sobre os tabus da sexualidade feminina.

Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha

Autor: Liudmila Petruchévskaia

Editora: Companhia das Letras

O livro da escritora russa é uma coletânea de contos que abordam histórias sobrenaturais, que retomam as tradições dos contos folclóricos da Rússia. Como característico do gênero conto, todas as narrativas que compõem o livro possuem um enredo simples e rápido, até que um acontecimento surpreendente pega o leitor, causando aquela sensação de frio na espinha. O resultado dessa obra é um humor contemporâneo com uma carga política que reflete diretamente os grandes traços da história e da cultura russa, tanto que a autora teve sua obra banida da então União Soviética até o final dos anos 90.

A escritora participa da FLIP e relembra sua trajetória, desde a época em que foi censurada por décadas durante o regime stalinista, até hoje, consagrada como um dos grandes nomes da literatura moderna russa.

Céus e terra

Autor: Franklin Carvalho

Editora: Record

O livro conta a história de três mortes ocorridas no interior da Bahia nos anos 70: um cigano, um menino e um lavrador. O narrador se chama Galego e ele é o fantasma do menino morto. A história começa após a morte de Galego, acidentalmente decapitado em uma obra. Seu espírito segue acompanhando a vida na cidade e passa a refletir questões que rodeavam o seu cotidiano e o de todas as pessoas que vivem naquele lugar, ressaltando as relações de classe, a morte e as problemáticas sociais no sertão baiano.

O escritor baiano Franklin Carvalho estará na FLIP deste ano e fala sobre mitologia e os territórios encantados do seu romance premiado.

The Underground Railroad: os caminhos para a liberdade

Autor: Colson Whitehead

Editora: HarperCollins

O premiado livro de ficção aborda o desejo por liberdade da personagem Cora, que é escravizada em uma plantação na Geórgia, EUA. Ela conhece Caesar, um escravizado recém chegado que garante a existência do "The Underground Railroad" (ferrovia subterrânea), então juntos eles decidem fugir em busca de liberdade. A mesclagem entre ficção e história é muito presente no livro, a metáfora do nome "The Underground Railroad" faz referência a uma rota de fuga usada pelos escravizados no século 19. O livro foi muito aclamado pela crítica por expor o medo e o racismo ainda presente nos EUA.

O escritor estadunidense fala sobre sua obra durante a FLIP.

Da prosa

Autor: Hilda Hilst

Editora: Companhia das Letras

Da prosa é uma coletânea que reúne toda a ficção da escritora Hilda Hilst, homenageada este ano pela FLIP, após 13 anos da sua morte. A caixa com dois volumes inclui textos inéditos e os livros Fluxo-floema (1970), Kadosh (1973), Pequenos discursos. E um grande (1977), Tu não te moves de ti (1980), A obscena senhora D (1982), Com meus olhos de cão (1986), O caderno rosa de Lori Lamby (1990), Contos d’escárnio — Textos grotescos (1990), Cartas de um sedutor (1991), Rútilo nada (1993) e Estar sendo. Ter sido (1997).

Hilda Hilst, uma escritora que por muitos anos foi incompreendida, atualmente tem sua obra mais lida  e estudada do que nunca. E por que ficar de fora dessa? É uma coletânea que valerá as suas férias.

20 thoughts on “Dez livros para ler nas férias.

  1. Fiquei particularmente interessada em O sol na cabeça. Não pude deixar de observar que a diversidade me remeteu a um clima de velório.
    Sugiro uma leitura que nos impactou muito:
    A mordida da manga:
    “”Quero dizer às pessoas que somos mais fortes do que as coisas que acontecem conosco”.” Quem lê essa frase de Mariatu Kamara nem imagina que quando tinha onze anos foi vítima de uma tragédia.

    Por conta de uma disputa política na selvagem guerra de Serra leoa, na África, teve suas mãos cortadas para que não pudesse votar.
    A mordida da manga é a incrível história de superação dessa forte menina, que não apenas deu a volta por cima, mas consegue falar disso de maneira clara e emocionante.”

  2. Gostei muito das informações e indicações, é algo que estava faltando este leque de sugestões neste tempo corrido que vivemos .

  3. Que bom que a plataforma tem a preocupação em divulgar e atualizar os leitores com obras e apresentação dos autores. Espero que possamos ver e/ou assistir alguns debates através desse site.
    Atenciosamente
    Maria de Lourdes

  4. Os livros de Chimamanda Ngozi Adichie, autora nigeriana, lança luz sobre os temas do feminismo, questões de gênero e raça: Hibisco Roxo, Meio Sol Amarelo, Sejamos Todos Feministas, Americanah e Para Educar Crianças Feministas.
    Não devem, portanto, faltar nesta lista.

  5. As indicações de leitura são maravilhosas, porém gostaria de ter acesso as obras online, se for possível. Há somente uma pequena livrarias na minha cidade.
    além do que, compra-los todos de uma vez, não será viável.

  6. Esses livros foram enviados para as bibliotecas das escolas? Falando nisso quando o governo vai se tocar que o trabalho de leitura e alfabetização desse país terá muuuito a ganhar quando ele fizer um grande concurso e espalhar bibliotecárias formadas por todas as escolas desse país? Desculpe-me o desabafo!

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